COIMBRA - SALÃO BRASIL - 2009/07/17
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Fotos: Nuno Araújo
2009/07/19
Pikelet (Concerto)
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2009/07/13
Bill Callahan
Dois anos após Woke on Whaleheart, Bill Callahan está de volta com um novo trabalho, com ele regressam as imagens musicais. Callahan é um mestre a desenhar som com paisagens, a sua música tem uma ressonância quase magnética, projectando no nosso espírito texturas e odores de diferentes quadrantes. O efeito de tudo isto irá fazer, com que os nossos sentidos fiquem em perfeito alvoroço, provocando uma convulsão melancólica e arrebatada de longo alcance. Sometimes I Wish We Were An Eagle começa logo a demolir corações, o arrastamento cinematográfico de “Jim Cain” dá logo uma visão do caminho a percorrer. Em “Eid Ma Clack Shaw”, Bill Callahan não poderia ser mais claro:
“Last night I swear, I felt your touch, Gentle and warm, The hair stood on my arms, How, how, how? Show me the way, show me the way, show me the way, To shake a memory”, que mais se pode dizer ou quer? Pouco há mais acrescentar, quero apenas salientar que Sometimes I Wish We Were An Eagle termina com “Faith/Void”, provavelmente o mais belo tema de 2009 (confirmem, é uma ordem!!!!).
Com a segunda obra lançada Bill Callahan mostra-nos em definitivo, que tudo o que foi apreendido durante os seus anos como mentor dos Smog, continua presente na sua forma de criar musica, e está de tal maneira presente, que penso que pode colocar o ponto final nos Smog.
Momento Mágico: Faith/Void
Bill Callahan - Sometimes I Wish We Were An Eagle (2009) – Drag City

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2009/07/07
Meio Ano - Meia Lista
Num ano onde o trabalho tem sido mais que muito, o tempo dedicado ás audições de coisas novas tem sido pouco, ainda assim há algum tempo para aconselhar alguns dos melhores discos deste ano, fica a lista por ordem alfabética:
Andrew Bird - Noble Beast
Animal Collective - Merriweather Post Pavilion
Antony & The Johnsons - The Crying Light
Bat For Lashes - Two Suns
Bill Callahan - Sometimes I Wish We Were An Eagle
Circlesquare - Songs About Dancing and Drugs
Dan Deacon - Bromst
Grizzly Bear - Veckatimest
It Hugs Back - Inside Your Guitar
Junior Boys - Begone Dull Care
Moderat - Moderat
Mono - Hymn To The Immortal Wind
Odawas - The Blue Depths
Oneida - Rated O
The Pink Mountaintops - Outside Love
Psychic Ills - Mirror Eye
Sean Riley & The Slowriders - Only Time Will Tell
Timber Timbre - Timber Timbre
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2009/07/05
The Pink Mountaintops
Ajudado pelos amigos do costume, Stephen McBean regressa ao activo, coisa que é perfeitamente normal ano após ano, aliás é bastante interessante acompanhar a forma como ambos os seus projectos crescem, senão vejamos: The Pink Mountaitops - The Pink Mountaitops (2004); Black Mountain - Black Mountain (2005); The Pink Mountaintops - Axis Of Evol (2006); Black Mountain - In The Future (2008) e agora The Pink Mountaintops - Outside Love. McBean “intercala”, The Pink Mountaintops com Black Mountain, fazendo com que ambos os projectos se completem entre si, será difícil compreender na sua ampla plenitude um sem entender o outro, são gémeos siameses unidos pelo seu génio criativo.
Em Black Mountain o rock tem mais corpo, há uma vertente nitidamente mais progressiva e uma coerência mais clássica, já com The Pink Mountaintops existe uma maior liberdade de acção e de movimentação, daí resulta um rock de cariz mais dramático, onde o romantismo é perfeitamente assumido como característica fundamental de McBean.
Outside Love é um disco cheio de ironia (capa incluída), aliás a nota descritiva não o esconde: “The ten songs on "Outside Love" are about or influenced by weddings in Montreal, winter, Pink Floyd's The Final Cut, Christmas albums, that one Exile song and that one Echo and the Bunnymen song, the Bermuda Triangle, being depressed in the sunshine, people who haven't made out yet but will in the future, The Everly Brothers, clowns in the ceilings, and bedrooms where skinheads used to live.” Temos assim 10 canções repletas de uma imensidão de sensações e impressões, apinhadas de psychedelic folk onde o poder das guitarras significa quase tudo, o resto são orações litúrgicas de contornos rurais, onde se avista uma América fortemente caracterizada pela sua religiosidade. McBean é Deus á sua maneira, é Pai em The Pink Mountaintops e Filho em Black Mountain, rezemos para que ele crie um Espirito Santo.
Momento Mágico: Vampire
The Pink Mountaintops - Outside Love (2009) – Jagjaguwar

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2009/07/03
Sean Riley & The Slowriders (Concerto)
COIMBRA - OFICINA MUNICIPAL DO TEATRO - 2009/07/02
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2009/06/29
Psychic Ills
A estrutura musical do Psychic Ills é de difícil definição, vivem numa zona de grande conflito, é (e não é) rock, é (e não é) puro psicadelismo, é (e não é) indie absolutista. A banda de New York que tinha anteriormente lançado Dins (2006), um disco construído por ondas de drones e post-punk sónico. Com o lançamento de Mirror Eye, há uma intencionalidade premeditada de alterar um pouco o discurso, há como que um abandono da costela mais rock e uma adesão a uma estrutura quase de improvisação, aliás nasce neste novo trabalho dos Psychic Ills uma afirmação mais espacial, toda a nova componente trazida pelo novo elemento da banda (Jimy SeiTang) transformou o som dos Psychic Ills, dando-lhe uma sonoridade muito próxima de uns Spaceman 3.
O inicio de Mirror Eye faz-se ao som de “Mantis”, um tema é compassado e hipnótico, onde toda a organização musical tem por base a distorção das guitarras e o permanente loop do baixo; “I Take You As My Wife Again” como o próprio nome indica é re-casamento, os Psychic Ills agarram nos sons mais psicadélicos dos anos 60 e dão-lhes uma nova cara; O formato canção de "Fingernail Tea" é o tema que na teoria seria o mais consensual do disco, ainda assim está perfeitamente patente que o ideal de experimentalismo.
Ao segundo álbum os Psychic Ills decidiram percorrer o planeta electrónico, fizeram-no experimentando e inventado, decidiram misturar todo o conhecimento anterior com a vertente mais psicológica do rock, fizeram bem.
Momento Mágico: Way Of
Psychic Ills - Mirror Eye (2009) – The Social Registry

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2009/06/23
Cotonete
O Cotonete fez a gentileza de fazer destaque ao meu blog, fica aqui o link para todos lerem: PENSO SONORO NO COTONETE
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2009/06/04
Dent May & His Magnificent Ukulele
Dent May é um muito provavelmente um musico efémero, aliás o mundo musical está cheio (e eu gosto) de músicos que surgem vindos do nada, para ao fim de alguns minutos desaparecerem para todo o sempre, sobrando apenas aquele pequeno acorde ou aquele pequeno lalalala. Dent May é um músico que nos chega do Sul dos EUA (Jackson – Mississippi), e que possui como referencias Serge Gainsbourg e Lee Hazlewood, isto irá atribuir uma característica fortemente kitsch e old-fashioned á sua música, mas ao contrário das suas referências os temas de Dent May são primaveris e festivos, lembrando permanentemente amplos espaços verdes.
Dent May aproxima-se imenso da estrutura musical de Jens Lekman, a principal diferença resida talvez na forma mais aberta que May tem de expor as suas canções. Onde Lekman é um feliz desgraçado, Dent May é felicidade em forma crua. The Good Feeling Music of Dent May & His Magnificent Ukulele é um disco perfeito para este fim de primavera, abram definitivamente as esplanadas, já não há retorno possível. A satisfação é dominador comum desta época do ano, mostrem-na não tenham vergonha, um sorriso não custa nada e faz bem á pele.
Momento Mágico: Meet Me In The Garden
Dent May & His Magnificent Ukulele - The Good Feeling Music of Dent May & His Magnificent Ukulele (2009) – Paw Tracks

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2009/05/25
Circlesquare
Com a saída de Pre-Earthquake Anthem (2004), Jeremy Shaw deixou-nos uma grande duvida:
- qual seria o caminho a traçar pelo seu projecto Circlesquare? Se há 5 anos atrás não conseguimos desvendar o mistério, com o lançamento de Songs About Dancing And Drugs tudo se mantêm na mesma ou melhor quase na mesma, isto porque com este novo trabalho há um aprofundamento da técnica, transformando este novo disco numa experiencia perfeitamente híbrida, onde a dualidade pop/electrónica surge ainda mais vincada.
Songs About Dancing And Drugs é a nova aventura solitária de Jeremy Shaw, um disco onde o minimalismo pop se revolta com o que está definido e se propõe a criar canções com uma grandiloquência quase épica, onde os sentimentos são expostos ao ar livre. A estranha melancolia de Circlesquare é narrada sem limites nem áreas circunscritas, tudo flui de uma forma natural e reflectido. Songs About Dancing And Drugs não é um disco imediato, precisa de maturação e fermentação, é para ser degustado com calma, sem pressa, há na sua interioridade, na sua essência, imenso conteúdo e para o conseguir interpretar, é necessário deixar libertar o seu odor em toda a sua planitude.
Songs About Dancing And Drugs é pop quase dançável, ou melhor é electronica quase “popável”.
Momento Mágico: Bombs Away, Away
Circlesquare - Songs About Dancing And Drugs (2009) – !K7

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2009/05/22
Peter Broderick (Concerto)
COIMBRA - VIA LATINA - 2009/05/21
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Fotos: Alexandra Silva
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Nils Frahm (Concerto)
COIMBRA - VIA LATINA - 2009/05/21
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2009/05/18
Woven Hand (Concerto)
LEIRIA - TEATRO MIGUEL FRANCO - 2009/05/18
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Nuno Rancho (Concerto)
LEIRIA - TEATRO MIGUEL FRANCO - 2009/05/18
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2009/05/05
Bob Dylan
3 anos após Modern Times, o maior poeta cantor da historia moderna americana, está de volta e com isso regressa ao nossos ouvidos o ar agastado e quente de uma América que apesar de conhecida por muitos, apenas consegue ser vivida por alguns. Dylan é contador de historias, uma criador de fabulas, um inventor de rituais, um clérigo sem religião, só uma coisa lhe interessa, libertar-se das suas milhentas e sumarentas historias, há nele uma necessidade de expulsão de ideias, ideais e sonhos. Together Through Life é um exorcismo em forma de road-book, nele está desenhado o caminho libertador de toda uma nação, a recente transformação politica nas terras do Tio Sam, terá inundado de optimismo e de esperança o espírito de Dylan.
Se há coisas que dificilmente se descrevem Together Through Life é uma delas, e garanto que não é devido ao seu grau de complexidade, mas sim a sua impressionante eficácia e simplicidade.
Momento Mágico: Life Is Hard
Bob Dylan – Together Through Life (2009) – Columbia

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2009/04/26
Mono
Começando pelo fim:
- em “Everlasting Light” desenha-se um objecto sombrio carregado de simbolismo épico, não falta nada, tudo é pensado ao pormenor;
- “Pure As Snow (Trails Of The Winter Storm)” como o título do tema pressupõe, é tratado branco, onde as normas foram pré-acordadas para que todas as fórmulas não sejam postas em causa. Temos assim um tema duradoiro, onde a alegria é o princípio de tudo, criando um mundo sem defeitos e perfeitamente orientado;
- “Silent Flight, Sleeping Dawn” é um perfeito tratado de miséria, tudo é tristeza, tudo é infelicidade, é preciso uma intensa auto-estima para conseguir ouvir a espaços que a esperança existe;
- “Burial At Sea” tem dois tempos, o primeiro surge como um cortejo fúnebre de um enigmático chefe da camorra italiana, pé ante pé, passo após passo caminha-se sofridamente para a última morada. No segundo tempo surge o renascer do seu herdeiro, já tudo foi consumado, já tudo foi chorado, a vida continua e nada nos pode derrotar;
Os japoneses Mono residem na mesma mansão onde habitam uns Mogwai ou uns Explosions In The Sky e andam nesta vida já há quase dez anos, Hymn To The Immortal Wind é o seu quinto disco de originais e o terceiro consecutivo com a marca do produtor Steve Albini. Albini é um mago da produção, consegue mais que qualquer outro tirar o máximo dos músicos e posteriormente dedicar-se ao rendilhar da obra, fazendo com que qualquer banda ganhe outra dimensão, uma outra visibilidade.
Hymn To The Immortal Wind está repleto de magia, são descargas e descargas de energia a sair pelos amplificadores, que ao entrarem nos nossos ouvidos, se convertem em torrentes descontroladas de felicidade. Há no universo de Mono, algo que lhes dá o direito de abusarem do nosso estado mental, a sua música abre fronteiras psíquicas, há uma quebra nas regras de bom senso, reduzindo tudo a um simples e incontrolável sorriso.
Momento Mágico: Burial At Sea
Mono - Hymn To The Immortal Wind (2009) – Temporary Residence

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2009/04/08
Dan Deacon
A quantidade de energia lançada aos nossos ouvidos, sob forma de enxame de electrónica descompassada, provoca um agradável sentimento de felicidade. Há algo na musica de Dan Deacon que é difícil de conter, temos mesmo que nos libertarmos, há que pular e saltar, aliás o ideal será mesmo mandar saltos mortais á retaguarda. A electrónica indie de Dan Deacon é mais do que um ritual, é um sinfonia sintética, onde o desconhecido cruza a velocidades ultra-sónicas, todas extremidades dos nossos neurónios.
Bromst desassossega o nosso sossego, transpõe para o mundo real a inundação de ideias que passam pelo (louco) cérebro de Dan Deacon. Ao longo de 11 temas somos expostos a radiações quase mortais e só com uma brutal capacidade de sobrevivência, ainda assim e apesar de conseguirmos sair desta experiencia pelo(s) nosso(s) próprio(s) pé(s), só com muito custo vamos conseguir mantê-los em sossego. Bromst é cativante e fortemente viciante, é uma nódoa que difícil sai. Um dos grandes de 2009, podem confiar.
Momento Mágico: Snookered
Dan Deacon – Bromst (2009) - Carpark

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2009/03/27
The Ruby Suns (Concerto)
COIMBRA - SALÃO BRASIL - 2009/03/26
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2009/03/26
Buraka Som Sistema (Concerto)
COIMBRA - PAVILHÃO MULTIUSOS - 2008/03/26
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2009/03/22
:papercutz
Foi a ouvir o tema “Ultravioleta” inserido na compilação “Novos Talentos FNAC”, que reparei no singular nome :papercutz, ficou-me por essa altura então, cravado na mente as amenas e meigas ondulações electrónicas, tudo rematado com uma voz intensamente quente. Passado que foi o prazo de validade de um “novo talento”, os :papercutz tomaram a decisão (mais que acertada), de caminharem sozinhos pelo mundo fora, e após assinarem pela editora canadiana (Apegenine Recordings) lançam Lylac, o seu álbum de estreia.
Lylac é um planisfério de sensações, apoiado na pop de cariz electrónica, os :papercutz traçam um quadro onde a amálgama de cores e ruídos, vai transmitido uma dupla sensação, de um dos lados do espelho temos a canção pop, do outro lado temos a inovação e a estrutura experimental. É nesta suave mescla, que os cintilantes musicais da banda ganham corpo e é através desse dialogo, que ao longo de 13 temas, se vão expondo ideias e ideais.
Lylac nasce com um curto intro, para logo de seguida se atirar sem receios ao seu objectivo, com “All We Have Left” marca-se o primeiro ensaio, é incrível a sua objectividade e a destreza vocal de Melissa Veras. O misterioso mundo de “A Secret Search”, não é mais que procura de algo ainda não completo, há uma espera, um aguardar que a coisa ganhe definitivamente corpo e alma. Em “Broken Treasure” desfilam perante os nossos olhos, uma imensidão de soltos sentimentos, procura-se o algo palpável, algo que dê sentido ao objecto, busca-se a esperança entre a repetitiva cadência. Ao deixar correr “Lost Boys” encontramos o compasso exemplar, toda a estrutura do tema desenrola-se com uma exactidão cuidada e modelar, tem o perfil correcto para single. Uma palavra especial para “Para do Outro Lado do Espelho” e “Ultavioleta”, onde o matrimónio entre a língua de Camões e o cosmos de :papercutz se fundem admiravelmente. “…Is Fading” surge no horizonte com a promessa de sequência, ficando no ar um suave aroma a continuidade, é nosso dever ficarmos atentos.
No meio de tanta edição de musica, é bem agradável conhecer projectos que são muito mais do que isso, com :papercutz a ideia de a musica não se esgota nela própria, há uma transfusão de concepções e percepções entre o autor e o ouvinte, e quando assim é todos nós ganhamos.
P.S. – Uma palavra especial ao soberbo art-work do CD. Lindissimo.
Momento Mágico: A Secret Search
:papercutz – Lylac (2008) Apegenine Recordings

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2009/03/15
Antony & The Johsons
The Crying Light é o terceiro trabalho, de uma das personagens mais estranha da pop contemporânea. 4 anos após I’m A Bird Now, Antony Hegarty e os seus rapazes, regressam ás canções de uma forma ainda mais subtil e se até aqui se planava sobre o universo pop, com The Crying Light há um maior aprofundamento da vertente clássica.
A vertente mais brilhante de Antony, fica agora ainda mais despida, já não há qualquer espécie de inibição criativa, tudo é claro e transparente, a única coisa que sobra é o seu minimalismo inventivo. O piano e voz única de Antony, são a estação de partida para esta viagem, ao longo deste trajecto há alguns apeadeiros onde a intervenção sublime dos The Johnsons, ajudam a criar uma mágica atmosfera recheada de eloquentes arranjos de cordas.
The Crying Light é um disco choroso, mais inundado de esperança, há muito mais do que mera e simples melancolia. É um disco elegante e poderoso, ao longo de 10 temas Hegarty celebra a vida enquanto essência fundamental de um futuro que se prevê duro, mas para o qual nos devemos manter em permanente alerta, acreditando que só poderá existe um único rumo, que é o da confiança.
Momento Mágico: Dust & Water
Antony & The Johnsons - The Crying Light (2009) Secretly Canadian

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2009/03/05
Bat For Lashes
3 anos após Fur & Gold, o melancólico timbre da voz de Natasha Khan está de volta e este regresso serve para chamar atenção, de muitos daqueles aquém o nome Bat For Lashes pouco ou quase nada significa. Há em Two Suns um maior nível de concentração, existe um esforço mais reflectivo, ambas conjugadas irão resultar numa voz ainda mais perfeita e cristalina.
Com Two Suns, Khan liberta na totalidade os seus poderes, deixou de haver receio de comparações ou de colagens, assumiu o seu poder enquanto mulher e agarrado com força a sua bandeira, gritou ao mundo o seu verdadeiro valor. Ao longo de 11 temas vai caminhando pelo trilho que desejou construir, apesar da imensa coragem ainda precisa de apoio e para isso contou com a participação dos “brooklynianos” Yeasayer e do mestre do crooner negativista Scott Walker.
Há em Bat For Lashes uma intenção, que ultrapassas a simples ideia de projecto musical, é bem mais que isso, há um perfeito tratado no feminino, um conceito de mulher enquanto luz, enquanto fonte de energia.
Momento Mágico: Pearl’s Dream
Bat For Lashes - Two Suns (2009) - Astralwerks
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2009/02/24
Timber Timbre
Um canadiano a cantar blues desta forma tão intensa, não é certamente uma coisa comum, mas a verdade é que Taylor Kirk liberta o seu lado espiritual, conjugando-a com exactidão com a vertente folk de cariz terrena, desta química musical surge um ambiente onde o religioso e pagão se cruzam, sem nunca se tocarem.
A abertura de Timber Timbre é feita com “Demon Host“ onde um energético piano vai descobrindo os diversos panoramas circundantes; “Lay Down In The Tall Grass” percorre o mesmo caminho de quem sofreu as amarguras de uma vida dura, caminho esse feito de dificuldades e dores múltiplas, mas onde a esperança é um farol que ilumina cada um dos nossos passos; “I Get Low” é uma ladainha acompanhada por um longínquo órgão, numa sequência trágico/magica; Com “Trouble Comes Knocking” Kirk demonstra todo o seu enorme potencial artístico, é o tema onde melhor veste a roupa de blues-man, vestimenta essa que lhe serve na perfeição.
Timber Timbre é fortemente cinematográfico, cria climas musicais onde facilmente se edificam paisagens rurais, usa para isso um hipnotismo muito próprio, centrado na voz e na forma arrastada como trata todos os instrumentos. Taylor Kirk é um nome a tomar em consideração para o futuro.
Momento Mágico: Trouble Comes Knocking
Timber Timbre – Timber Timbre (2009) – Out Of This Spark

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2009/02/13
It Hugs Back
Os Sonic Youth sai uma escola de vida, melhor ainda, os Sonic Youth são uma verdadeira instituição norte-americana de música, nasceram e cresceram a destilar o verdadeiro american way of life, dentro da musica independente. Ao longo deste já longo período, tal e qual um cometa foram deixando um longo rasto de luz, e como qualquer astro celeste foram influenciando uma imensidão de gente. Os It Hugs Back apesar de serem uma banda inglesa, fazem parte desse universo indie depressivo, um mundo de guitarras arrastadas, vozes sussurrantes e descompressão rítmica. A banda de Kent liderada por Matthew Simms desde da sua fundação, corria então o ano de 2006, tem lançado ao longo dos últimos anos diversos singles, na qual foram mantendo uma linha estética bastante uniforme. Com a chegada de 2009, surge então o primeiro álbum, que foi editado pela enorme 4AD, o que fará com que a visibilidade (bem como a responsabilidade) dos It Hugs Back seja de valor acrescentado.
Nos primeiros acordes de Inside Your Guitar, ouve-se “Q” um tema liberto de esperança romântica arrastando ao seu redor um agradável aroma a Jesus & Mary Chain; “Work Day” é uma canção pop-rock perfeita, vozes e instrumentalização impecáveis, um requinte de tema; com “Remenber” mostram o seu lado melancólico, um ritual quase nocturno, um autêntico oceano pacífico. Uma banda a seguir com imensa atenção.
Momento Mágico: Back Down
It Hugs Back – Inside Your Guitar (2009) – 4AD

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2009/02/05
Odawas
The Blue Depths apresenta uns Odawas, numa índole substancialmente mais terrena, onde o ambiente presa pela segurança e pelo conforto. Até aqui tínhamos conhecido uns Odawas dentro do post-rock experimental, ondulados aqui e ali por algumas marés de rock sinfónico. Com a edição do 3º álbum a banda de Bloomington (Indiana), surge na paisagem pop uma atmosfera mais cristalina e mais brilhante. Com o nascer dessa nova inclinação estética, surge tambem a vertente romatica, que apesar de não ser completamente desconhecida, se encontrava bem camuflada.
Os Odawas caminharam em direcção ao planeta pop, sem deixarem descurar o ambientes mais sombrios, daqui resulta por um lado um piscar de olhos a uns Band Of Horses no que concerne a estrutura vocal, enquanto que a motivação instrumental continua o lo-fi folk de uns Iron & Wine a marcar pontos. A estrutura marcadamente melancólica deixa um suave rasto a solidão, ouça-se “Moonlight/Twilight” onde a harmónica marca um grito de animal moribundo ou então acordem (e planem) ao som de “Swan Song Of The Humpback Angler”.
The Blue Depths mostra uns Odawas mais acessíveis, mais abertos, deixaram de lado a sua obscuridade e apresentam-se com o coração nas mãos. Estamos assim perante uma banda mais sociável e substancialmente mais afável, é o efeito pop a dar o ar da sua graça.
Os Odawas propõem como preparação, para The Blue Depths 10 discos magníficos, acompanhados com o um pequeno texto explicativo – VER AQUI.
Momento Mágico: Secrets Of The Fall
Odawas – The Blue Depths (2009) – Jagjaguwar

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2009/01/28
Andrew Bird
A razão da migração de algumas aves, é na maioria dos casos a busca de melhor clima e a procura de alimento, ora com Andrew Bird aconteceu o mesmo. Primeiro a busca de um lugar pacifico, sossegado e equilibrado, coisa que conseguiu no interior dos EUA, numa pequena quinta no estado de Illinois, de seguida com mestria alimentou o corpo e a mente, o efeito de toda esta disciplina está implícito em Noble Beast. O 8º disco de Bird é fortemente cerebral e apinhado de requinte, já vão longe os tempos do pop mais objectivo e concreto de Mysterious Production of Eggs, desde do trabalho de 2007 (Armchair Apocrypha) que Andrew Bird começou a piscar o olho á folk e essa passagem tem sido feita de uma forma pacifica, as roturas tem sido mínimas e eficácia enorme.
Noble Beast continua a mostrar um músico de um enorme talento, o engenho de Andrew está em perfeita ascensão, mais do que nunca está exemplar na composição, tem uma faculdade natural na sua voz, vive a genialidade do seu assobio e continua um violinista de arte refinada. Chegado a este ponto, já nada pode correr mal, agora há que continuar a migrar pelo mundo fora e alimentado todo o bando que por aí sequioso da sua musica.
Momento Mágico: Fitz And The Dizzyspells
Andrew Bird – Noble Beast (2009) – Fat Possum

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2009/01/22
Jonathan Wilson
Depois de terminado (e listado o ano de 2008), comecei a espreitar as listas daqueles que nos são mais próximos musicalmente, uma espécie de saque intelectual, há que usar esta espécie de simbiose, o tempo é pouco (e passa depressa) e os discos são muitos.
Gentle Spirit é um nome perfeito para este segundo disco, estamos perante um trabalho de ambientes rurais, ladeado e cercado por altas montanhas e rios selvagens. Jonathan Wilson é o cavalheiro do rock psicadélico versão lenta, a forma arrastada com os constrói e canta, ajuda a imaginar variadíssimos cenários, é sem duvida um musico fortemente cénico.
Ao segundo disco (o primeiro foi Frankie Ray – 2007), Jonathan Wilson sem arriscar um milímetro que seja, traçou o seu projecto e ilustrou 13 preciosos temas, assim nasceu Gentle Spirit e com ele nasceu um espírito simpatico, um alma com corpo etéreo, um fantasma em transição entre este mundo e o outro.
“Desert Raven” invade o nosso silencio pé ante pé, com ajuda de uma guitarra em perfeito transe, vamos subindo e descendo vales, aqui planar é palavra a usar. A voz de Jonathan em “Canyon In The Rain” sublinha a sua capacidade de espalhar afecto por todos. “Natural Rhapsody” é um dos melhores temas de 2008. “Ballad Of The Pines” é folk silvestre matinal, está coberto de orvalho e exala cheiro de floresta. Gentle Spirit termina em êxtase “Valley Of The Silver Moon” é doentiamente belo, uma canção cheia de dor e traumas, lindíssima.
Ah… um bem haja Nuno.
Momento Mágico: Valley Of The Silver Moon”
Jonathan Wilson - Gentle Spirit (2008)
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2009/01/16
Animal Collective
Com Merriweather Post Pavilion os Animal Collective, atingem definitivamente o nirvana musical e com isso alcançam o patamar máximo da fama no universo indie. Quando muita gente (eu incluído) achava que depois do Feels isso seria impossível, aparecem logo no inicio de 2009, com um disco sublime. Merriweather Post Pavilion é experimentalismo popular, agarra em loops, em minimalismos electrónicos e precursões descompassadas e como um pequeno castelo de cartas vai edificando uma muralha de sons e contra-sons, com isto nasce um pequeno cosmos de coros, onde a duplicidade das vozes de Avey Tare e de Panda Bear conseguiram atingir a perfeição, nunca estiveram tão perfeitamente sobrepostas, há como um elemento mágico a unir os dois timbres, resultando daí um pequeno universo colorido, um arco-íris harmonioso.
“My Girls”, “Also Frightened”, “Lion In a Coma” e “Brothersport” são 4 provas de já nada acontece por acaso, os Animal Collective são uma banda milimétrica, são exactos e concretos, sabem e conhecem de cor o caminho que estão (e irão) a percorrer, depois de trabalho fiquei de sobreaviso, o melhor ainda poderá estar para vir.
Com este trabalho e com a rápida chegada do fim da década, acho que se pode afirmar que os Animal Collective são talvez a banda mais importante e mais influente destes últimos 10 anos. Ao longo deste tempo foram deixando a sua marca, o seu estilo, a sua forma de trabalhar e isso foi fazendo história, hoje para além de donos de uma carreira repleta de excelentes discos (Here Comes The Indian; Sung Tongs; Feels; Strawberry Jam), são criadores de uma sonoridade própria, perfeitamente identificável.
Momento Mágico: Lion In A Coma
Animal Collective - Merriweather Post Pavilion (2009) - Domino

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2009/01/11
Novo Ano
E pronto, passado que foi o prazo de olhar para 2008, sigamos para 2009. O novo ano avizinha-se como muito produtivo, são imensas as bandas que irão editar novo material e certamente haverá também novos projectos a tentarem penetrar no sistema.
Irei prosseguir com este trabalho perfeitamente amador, espero que desse lado haja satisfação pelo que vou escrevendo.
Um excelente 2009, cheio de boa musica.
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Antonio Antunes
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2008/12/30
Melhores álbuns de 2008 - António Antunes

1 Spiritualized - Songs In A&E
2 Silver Jews - Lookout Mountain, Lookout Sea
3 Black Mountain - In The Future
4 Bon Iver - For Emma, Forever Ago
5 TV On The Radio - Dear Science
6 Peter Broderick - Home
7 Micah P. Hinson - And The Red Empire Orchestra
8 Miles Benjamin Anthony Robinson - Miles Benjamin Anthony Robinson
9 Sebastien Tellier - Sexuality
10 Woven Hand - Ten Stones
11 No Age - Nouns
12 Portishead - Third
13 Cloud Cult - Feel Good Ghosts (Tea-Partying Through Tornadoes)
14 Camané - Sempre de Mim
15 The Notwist - The Devil, You + Me
16 Richard Swift - Ground Trouble Jaw [EP]
17 Sigur Rós - Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust
18 Feromona - Uma Vida a Direito
19 Air France - No Way Down [EP]
20 Fuck Buttons - Street Horrrsing
21 Nico Muhly - Mothertongue
22 Okkervil River - The Stand-Ins
23 Neon Neon - Stainless Style
24 Fleet Foxes - Fleet Foxes
25 Quiet Village - Silent Movie
26 The Black Dog - Radio Scarecrow
27 British Sea Power - Do You Like Rock Music
28 Cut Copy - In Ghost Colours
29 Destroyer - Trouble In Dreams
30 Buraka Som Sistema - Black Diamond
por
Bruno Coelho
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