2008/12/30

Melhores álbuns de 2008 - António Antunes


1 Spiritualized - Songs In A&E



3 Black Mountain - In The Future


4 Bon Iver - For Emma, Forever Ago


5 TV On The Radio - Dear Science

6 Peter Broderick - Home

7 Micah P. Hinson - And The Red Empire Orchestra

8 Miles Benjamin Anthony Robinson - Miles Benjamin Anthony Robinson

9 Sebastien Tellier - Sexuality

10 Woven Hand - Ten Stones


11 No Age - Nouns

12 Portishead - Third

13 Cloud Cult - Feel Good Ghosts (Tea-Partying Through Tornadoes)

14 Camané - Sempre de Mim

15 The Notwist - The Devil, You + Me

16 Richard Swift - Ground Trouble Jaw [EP]

17 Sigur Rós - Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust

18 Feromona - Uma Vida a Direito

19 Air France - No Way Down [EP]

20 Fuck Buttons - Street Horrrsing


 21 Nico Muhly - Mothertongue

22 Okkervil River - The Stand-Ins

23 Neon Neon - Stainless Style

24 Fleet Foxes - Fleet Foxes

25 Quiet Village - Silent Movie

26 The Black Dog - Radio Scarecrow

27 British Sea Power - Do You Like Rock Music

28 Cut Copy - In Ghost Colours

29 Destroyer - Trouble In Dreams

 30 Buraka Som Sistema - Black Diamond

Melhores álbuns de 2008 - Bruno Coelho

Um ano marcado por muito low-fi/noise/experimental (The Dodos, No Age, Fuck Buttons, Oneida, Ruby Suns, Woods, Woods Family Creeps, Health, Wavves, Sick Alps, Women, etc), pela confirmação dos Buraka Som Sistema, pelo regresso dos Portishead, por um novo rumo no som dos Sigur Rós e por mais um excelente álbum dos Tv On The Radio.


1 Black Mountain - In The Future
O rock reinventado.


2 The Dodos - Visiter
Juntam na perfeição influencias como os Animal Collective ou Grizzly Bear.


3 No Age - Nouns
Passaram com distinção no teste do segundo álbum. Rock!


4 TV On The Radio - Dear Science

5 Fuck Buttons - Street Horrrsing

6 Buraka Som Sistema - Black Diamond

7 Sigur Rós - Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust

8 Portishead - Third

9 It Hugs Back - The Record Room: First Four Singles

10 Oneida - Preteen Weaponry


11 Notwist - The Devil, You + Me

12 Ruby Suns - Sea Lion

13 Woods - At Rear House

14 The Dø - A Mouthful

15 Miles Benjamin Anthony Robinson - Miles Benjamin Anthony Robinson

16 Fleet Foxes - Fleet Foxes

17 Lykke Li - Youth Novels

18 Spiritualized - Songs in A&E

19 French Kicks - Swimming

20 Tenniscoats & Secai - Tenniscoats & Secai

2008/12/29

Spiritualized

Disco do Ano

Com o fim de 2008, chegam as infindáveis listas, listinhas e listagens, anda meio mundo em perfeita azafama, revistas, jornais, sites, blogs, etc, tudo com o único objectivo ordenar das mais diversas formas o que se foi ouvido durante o ano que termina. Por aqui aconteceu a coincidência, de o ultimo texto do ano ser sobre o disco, que irá ocupar o primeiro lugar da lista dos melhores de 2008, Songs In A & E é o ultimo trabalho dos Spiritualized.
5 anos após Amazing Grace, Jason “Spaceman” Pierce regressa em perfeita apoteose, Songs In A & E é um disco sem fim, um trabalho repleto de imensidões espaciais, onde nem o vácuo consegue escapar. Songs In A & E é um disco auto-depressivo, carrega em cima dos ombros um semblante denso, uma negra esperança de que tudo pode melhorar. Pierce é um génio consegue construir e destruir tudo á sua volta (incluindo ele próprio) e depois cantar tudo isso como se nada se tivesse passado. É lunático e romântico, é depressivo e contemplativo, convive na perfeição com todas as suas dualidades criativas.
Os 18 temas que compõe esta obra de arte, está entrelaçada por “6 Harmonias” que servem de descompressor, foi a forma que Pierce encontrou de ir acalmando toda a obra, de outra forma poderia ter corrido o risco de entrar numa espiral auto-destruidora e são precisamente estas “paragens” que vão impondo o ritmo na peça. Com Songs In A & E, Jason Pierce e os outros Spiritualized, assinam o seu melhor trabalho desde Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space, e com isso está de volta a energia shoegaze em “Yeah Yeah” e “You Lie You Cheat”, o arrastamento físico do slowcore em “Sweet Talk” e “Death Take Your Fiddle” ou o space rock em “Soul On Fire”, aliás como se ouve no refrão, este tema é uma verdadeira epifania:

Baby, set my soul on fire.
I’ve got two little arms to hold on tight and I want to take you higher.
Baby, never should say never.
I’ve got a hurricane inside my veins and I want to stay forever.

Vem aí 2009, vai começar tudo de novo… feliz ano e boa musica.

Momento Mágico: Soul On Fire


SpiritualizedSongs In A & E (2008) - Castle


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Soul On Fire (Video)

2008/12/26

Camané

Tradicional

O fado anda quase sempre numa roda viva, procura renovação, procura novos estilos, procura novas vozes, acontece que enquanto meio mundo busca o El Dorado, há quem permaneça sempre igual a si e continue a marcar pontos. 13 anos depois Camané continua a ser a imagem dessa tradição, fiel ao conceito e agarrado a grandes nomes da poesia portuguesa. Desta vez Camané usou um peso-pesado da nossa praça, José Mário Branco, o que acrescentou um saber inconfundível e uma sua sublime capacidade de produção, criando simultaneamente em Sempre de Mim uma vertente negra, ao mesmo tempo que lhe transmite uma luminosidade incandescente. Camané é um fadista como há (ou houve) poucos, é dono de uma voz singular, rigoroso e perfeccionista, agarra na estrutura tradicional do fado e pouco lhe acrescenta, e é precisamente essa a sua grande proeza, continuar e manter o fado tal e qual como ele deve ser. Sempre de Mim reúne a mestria de Manuela de Freitas e agarra em poetas consagrados (Fernando Pessoa, Pedro Homem de Mello, etc) e autores fora do mundo do fado (Sérgio Godinho, Jacinto Lucas Pires, etc), para com apoio de José Mário Branco, unir tudo numa obra que irá deixar marcas naquilo que se decidiu designar de fado tradicional.

Momento Mágico: Sei de um Rio


CamanéSempre de Mim (2008) – EMI


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2008/12/21

The Dodos

Alternativos

A cena freak-folk anda de óptima saúde, são imensos os projectos nascidos nos EUA, os Dodos seriam mais uns, caso não fossem autores de um dos discos mais interessantes do ano. Ao segundo álbum, o duo Long / Kroeber liberta um impulso de improvisação controlada, onde a folk é a principal raiz, mas onde cabe ainda a pop alternativa. Após as primeiras audições, a ideia que fica é que Visiter é um álbum dividido em dois, isto porque se uma delas é feita de simples e seguras canções, a outra está atestada de divagações musicais com contornos quase imprevistos.
Visiter é uma paleta de cores, criada de uma forma quase lo-fi, tripartido por voz, guitarra e bateria, o resultado desta pintura é minimalismo pop e ficando isso a dever-se em exclusivo à infindável quantidade de micro-estilos encontrados no disco (ambiental, psicadélico, folk, noise, pop, rock, etc). O duo de São Francisco funde às percursões tribais de Animal Collective, a estrutura vocal de Grizzly Bear, o que irá dar lugar a mundo cheio de simpáticos duos acústicos, repartidos aqui e ali com alternativos passos de folk de raízes profundamente americanas.
Visiter é um disco difícil (bem, para mim foi), necessita de ser lentamente absorvido, á que olhar a todos os pormenores, a cada virar de esquina há uma nova surpresa, um novo encadeamento, o que há partida pode parecer confuso, começará a fazer imenso sentido, algumas audições depois.

Momento Mágico: Fools

The DodosVisiter (2008) - Frenchkiss


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2008/12/14

Grails

Dose Dupla

Com Burning Off Impurities (2007), os Grails chamaram a si o direito de acordar meio mundo, nós por aqui cumprimos o dever de assinalar o facto e dissemos: “É um álbum simples, dominado com aqueles momentos em que apetece deitar na cama a olhar para o tecto, ou de olhos fechados, e absorver a música, pensar na vida ou viajar… não fosse isto acid-folk. (Bruno Coelho)”
Em 2008 os Grails voltam e em dose dupla. Na Primavera lançaram Take Refuge In Clean Living e no Outono Doomsdayer's Holiday, não fosse isto musica e quase que poderíamos falar numa colecção de um qualquer estilista de moda.
Vamos então por partes:
- Take Refuge In Clean Living é post-rock dos sete costados, tem toda a estrutura lá dentro, guitarras em busca do infinito e percussão preguiçosamente arrastada. Ao longo dos 5 temas vão rabiscando drones e pintando paisagens de cores cinzentas, á primeira vista o que resultaria daqui seria uma sucessão de sons agarrados entre si, mas o que acontece é precisamente o contrário. Take Refuge In Clean Living é um disco em constante mutação, se em “Stoned At The Taj Again” estamos no domínio do post rock mais que perfeito, com “PTSD” tudo se torna sombrio, caminhando lentamente em direcção ao desconhecido. Com “11th Hour” edifica-se um ambiente de film-noir, onde a personagem mais casta consegue ser simultaneamente ao mesmo tempo que comete um crime e forma á sua volta uma aura de inocência. “Take Refuge” e “Clean Living” desenvolvem o resto do argumento com a mesma astúcia, primeiro usando o rock com mestria, para de seguida nos corromperem a alma com ácidos e extractos de piano.
- Doomsdayer’s Holiday é terrorismo sónico, os Grails agarram mais uma vez no post-rock e cruzando-o com a sua costela mais psicadélica, criam um universo carregado por intensas descargas de instrumentos, contribuindo assim para a criação de um dos seus mais pesados álbuns. Doomsdayer’s Holiday são torrentes de guitarras e marés de bateria, tudo de uma forma ordenada e com grande sentido estético. Não se procura estabelecer novas fronteiras, o que se pretende é agarrar em contextos e ambientes já percorridos por outros e calmamente afirmar: “olha, também conseguimos”.
Doomsdayer’s Holiday tem dentro uma pérola com odor às especiarias do norte de Africa, o seu nome é “Reincarnation Blues” e o nome diz tudo. O estranho folk em “The Natural Man” remete-os para o seu mundo real, pacífico e perfeitamente ordenado. O inicio de “Immediate Mate” antevê uma explosão a qualquer momento e coisa que nunca chega a suceder visto o tema ir por caminhos bem mais tenebrosos. “X-Contaminations” é chuva ácida em forma de música, fria e corrosiva, constrói um universo cinematográfico, onde dificilmente viveriam personagens bonitas e onde tudo é negro e doentio. Tudo vai findar com o belíssimo Acid Rain, um tema floydiano, onde não falta nada, desde as guitarras floreadas, aos solos requintados, passando pelas vozes de apoio, tudo sempre em quantidade necessária.

Momento Mágico: Take Refuge (Take Refuge In Clean Living) & Reincarnation Blues (Doomsdayer’s Holiday)


GrailsTake Refuge In Clean Living (2008) – Important


GrailsDoomsdayer’s Holiday (2008) - Temporary Residence


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2008/12/07

Brightblack Morning Light

Extrema Suavidade

O marasmo ambiental criando pelos Brightblack Morning Light, soa à típica atmosfera criada no sudoeste norte-americano, podia ser construído em qualquer dos 4 estados que o compõem (Texas; Novo México; Arizona; Califórnia), o que resulta dessa combinação é um rock profundamente arrastado, com tendências espirituais.
Em Motion To Rejoin tudo é preguiçoso, tudo tende para um universo drástico, onde o alinho e a colocação da estrutura musical é a principal imagem de marca. Os Brightblack Morning Light
produzem assim uma peça de folk minimalista, que combina na perfeição com dias chuvosos e sem sol, dias em que a lentidão de movimentos se estende a todo corpo.
Motion To Rejoin vai alargando a sua influência nocturna ao longo de 9 temas: o primeiro tema entra neste planeta de forma indelével “Introduction” cumpre na perfeição a sua função; “Hologram Buffalo” é um passeio por um parque natural americano, apenas um imenso espaço livre á frente dos nossos olhos, uma paisagem verde sem fim; “Another Reclamation” é a mistura de dois mundos, o tema perfeito para o nascer do dia, um simpático e adorável adeus á noite; “Summer Hoof” é uma praia californiana deserta ao por do sol.
Ao 3º álbum os Brightblack Morning Light marcam literalmente o seu território, afirmando o seu estilo e dando uma textura muito própria ao lado mais lento da indie folk americana.

Momento Mágico: Oppressions Each

Brightblack Morning Light Motion To Rejoin (2008) – Matador Records


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