2009/11/03

The XX

Novidade Perfeita

Cada vez são menos as bandas que conseguem, logo ao primeiro disco focarem tanta atenção sobre si, aparentemente a razão disso terá mais a ver com nossa desconfiança, do que com uma divulgação/produção menos capaz, todo este raciocínio daria para uma curta tese, mas isso pouco importa agora, o que quero salientar é que essas bandas existem e estão por aí, à curta distancia de um clique, é só procurar (segue-se um exemplo do que falo).
A banda Londrina fundada em 2008, agarra na componente mais suave e mais elementar de uns Young Marble Giants e colando uns ritmos deprimidos de uns The Cure, produz uma sonoridade localizada algures entre o fim dos anos 80 e o principio dos 90. A magia criada pela conjugação das vozes de Romy Madley Croft e de Oliver Sim, reveste estes The XX de uma aura de aprazível sedução (“Crystalised” / “Stars”), um caminho de subtis manipulações (“VCR” / “Basic Space”) ou então uma paixão descontrolada (“Infinity”). Com o aproximar do fim de 2009, começo a esboçar a lista dos melhores do ano, sinceramente não sei nem imagino ainda, qual a ordem em que vou por este disco dos The XX, mas tenho quase a certeza que ficará nos 5 primeiros.

Momento Mágico: Infinity


The XXXX (2009) - Young Turks


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2009/10/26

Health

Ruído com Sentido


John Famiglietti (o homem-máquina por detrás dos Health), retoma após dois anos o mesmo conceito de minimalismo noise, a corrente então desenvolvida deu origem ao álbum com o mesmo nome e nele uma grande parte da crítica deu louvores, criando uma espécie de esperança delirante. Get Color resulta dessa confiança, a fé que anima este cosmos desvairado ganhou forma física em formato de rodela comprável (ou melhor descarregável) em qualquer bom estabelecimento de referência. Os Health seriam mais uma banda de noise, até porque tem tudo para o ser: guitarras iradas; sintetizadores em permanente loop; baterias a viverem uma pequena revolução industrial, a diferença nasce nas sombras sob a forma de espectro vocal, é aqui que reside a diferença, é na suave mistura que toda esta confusão ganha forma e sentido.

Momento Mágico: We Are Water


HealthGet Color (2006) – Lovepump United


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2009/10/16

Discovery

A Meias

A meio caminho entre a pop de efeito imediato e a electrónica de cariz corriqueiro, nascem os Discovery um disco feito a meias por Rostam Batmanglij (Vampire Weekend) e Wes Miles (Ra Ra Riot), que de braço foram dando corpo a um caleidoscópio de milhentos sons e cores. O que se encontra dentro do mundo escondido de LP, é precisamente aquilo que é imediato, as primeiras vezes que ouvi o disco, fiquei com a sensação que existe muita coisa escondida, sobre a qual temos de reflectir e procurar soluções necessárias, depois e com o passar do tempo, toda a neblina começa a levantar e nasce um dia maravilhoso onde o sol é rei e senhor. Um dos factores mais interessantes de LP, é não se contentar com uma única etiqueta, aliás se à coisa com que os Discovery não se importam é com rótulos, dentro de LP há pop experimental, electro, voice coder em exagero, se há um objectivo definido em Discovery, é precisamente não ter de descobrir rigorosamente nada.

Momento Mágico: Carby


DiscoveryLP (2009) - XL


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2009/10/13

Fever Ray

Quando a imagem e a musica encaixam na perfeição.

2009/10/02

Atlas Sound

Bipolar

Um ano após Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel (2008), Bradford Cox volta á acção com Logos. Se até este momento o associava de imediato aos Deerhunter, com estes dois trabalhos num tão curto espaço de tempo, surge a libertação desse seu outro projecto, e nasce uma nova estrela no firmamento indie pop. Cox sempre foi visto como um músico um pouco há parte, a sua forma meia excêntrica de estar no mundo da música, sempre lhe deu a capacidade necessária para fazer o que bem entendesse, é assim que sem pressão e sem recorrer a normas produz Logos.
Logos é um disco em que o equilíbrio é bastante ténue, há como que uma agradável sensação de claustrofobia, a nuvem escura que paira sobre a alma de Cox é o sintoma da sua bipolaridade musical. Cox tem o espírito carregado de ideias, e se algumas são imediatas (“Walkabout” / “Criminals” / “Quick Canal”), há outras que são de facto mais demoradas e bem mais exigentes, necessitando da nossa parte uma maior e mais apurada atenção (“The Light That Failed” / “Shelia” / “Kid Klimax”), seja como for e analisando Logos de uma forma mais intensa, encontrei um disco moderadamente feliz e eficazmente triste, está repleto de sentimentos dúbios, há uma guerra de egos dentro de Cox, e usando (e abusando) dessa premissa vai montando e desmontado a sua arte.

Momento Mágico: Shelia


Atlas Sound - Logos (2009) - 4AD


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2009/09/21

Delorean

Fim de Verão

É provavelmente o melhor EP de 2009. Chegam da Catalunha e agarrando no universo electro-pop construíram uma pequeníssima peça de filigrana dançável. Caminhando pelos mesmos trilhos de uns Air France, mas acrescentando alguns componentes de dança, os Delorean não se mostram envergonhados e libertam toda a energia acumulada durante a época estival. Outono está aí, as folhas até podem cair, o frio até pode começar a inibir muita coisa, mas só calça as pantufas quem quer.

Momento Mágico: Seasun


DeloreanAyrton Senna [EP] (2009) - Fool House


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2009/09/16

2009/09/14

Micah P. Hinson

O trabalho de Micah P. Hinson, não é mais do que um simples disco de covers... Ouçamos então o senhor.

2009/09/09

Soulsavers

S.O.S (Save Our Souls)

Não existe novidade alguma em misturar diversos estilos de música, há imensos projectos e bandas a faze-lo, tornar a coisa perfeitamente harmoniosa é que faz toda a diferença. Rich Machin e Ian Glover vêm já desde há algum tempo, a conseguir marcar essa diversidade, o seu cosmos engloba electrónica, pop, gospel, country e rock, criando um ambiente intimista e deveras melancólico. Nos anteriores dois trabalhos Tough Guys Don’t Dance (2003) e It's Not How Far You Fall, It's the Way You Land (2007), já tudo tinha sido explicado e definido, com o novo trabalho Broken, o que se sente é ainda uma maior pureza na forma como tudo é explanado. Broken tem convidados de luxo, para além do já habitual Mark Lenagan (Screaming Trees / Queens Of The Stone Age / The Gutter Twins), há Mike Patton (Faith No More), há Jason Pierce (Spiritualized) entre outros. A colaboração entre estas (geniais) vozes e musica produzida por Machin e Glover levam os Soulsavers a uma dimensão quase religiosa. Broken são os Soulsavers a tentarem salvar a alma, a deles e a nossa.

Momento Mágico: Unbalanced Pieces


SoulsaversBroken (2009) - V2


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2009/09/05

Girls

Anda por aí, o primeiro disco de Girls, fica o excelente primeiro single:

2009/09/02

3 Anos de Penso Sonoro

Muito em breve o Penso Sonoro fará 3 anos de existência, durante esse período de tempo divulguei e partilhei imensa música. Até agora o que tenho feito tem quase sempre obedecido ao mesmo formato (pequeno texto), com referencias á banda (ou artista) e ao disco que a/o mesma/o acabou de lançar. Vou assim mudar um pouco a coisa, vou continuar a usar o formato referido, mas vou passar acrescentar vídeos soltos, comentar temas que vou descobrindo ou novidades que sejam de interesse relevante. A ideia é manter o blog em permanente actualização, espero conseguir vir a ser bem sucedido com este novo intento.

Um enorme bem-haja a todos desse lado.

2009/08/19

Nosaj Thing

Novo Miúdo

O fascinante mundo colorido de Jason Chung, é desenhado por linhas planantes e de contornos bastante ténues, não é mais que uma suave neblina electrónica, a sua música fica na fronteira do hip-hop electrónico e a lado mais hipnótico da programação. É precisamente a explorar essa fronteira, que Jason Chung consegue inovar, e consegue-o por que não se liberta na totalidade da tensão e do dramatismo próprio do hip-hop.
Nosaj Thing (é este o nome do projecto) segue a linhagem dos Boards Of Canada nas vertentes mais batidas e usa toda a área ambiental de Fennesz. Não qualquer receio por para de Chung em colar-se aos mestres, com Drift mostra que não há metas a atingir, é uma viagem de janela aberta, entra ar fresco por todo o lado, ou seja temos o ponto de partida, já conhecemos o inicio, devemos por isso ficar em alerta.

Momento Mágico: Fog


Nosaj ThingDrift (2009) – Alpha Pup


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2009/08/06

João Coração

O Ultimo Romântico

João Coração provêm da mesma linhagem de um JP Simões, de um Fausto ou mesmo de um Tony de Matos, representa por isso (até este momento) o último dos românticos. O cantor romântico com contornos perfeitamente citadinos, é algo em vias de extinção, vão aqui e ali surgindo pequenos fogachos, mas rapidamente desaparecem entre as brumas ao melhor estilo sabastiónico. João Coração soube com imensa perícia ocupar esse lugar, vestiu o fato de macaco lírico e de guitarra a tiracolo, aderiu ao universo do amor. Chegado a este ponto não se inibiu, libertou as poucas regras existentes e agarrou todas as oportunidades que surgiram pela frente. João Coração apreendeu na perfeição a escola anglo-francesa, agarrou os tiques de Gainsbourg na sua vertente mais barroca e os contornos glam-rock de Bryan Ferry, desenhou um estilo cabaret de cão abandonado, carrega nos ombros em simultâneo a desconfiança e completa esperança na humanidade.
Muda Que Muda começa algures na América Latina, os contornos arrastados de “Canção Para Ficar” no formato de bolero quase dançável, fica nos ouvidos a curta frase que diz: “perder com nobreza é empatar…”; “Passo a Passo” é a canção do viajante, é preciso mudar para poder encontrar e encontrar é procurar, um sem fim delicioso; a admiração por “Sofia” também pode ser cantada, o romântico ao contrário da canção do outro, é trôpego e tem muitas vezes falta de coragem.
João Coração é um saltimbanco do romance cantado, anda por aqui e por aí, esperançado em conseguir alterar o estado normal das coisas. Não desistas João, a gente conta contigo…

Momento Mágico: Muda Que Muda


João CoraçãoMuda Que Muda (2008) – FlorCaveira


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2009/07/27

Cass McCombs

Romântico

Depois de ter sido (e muito bem) aconselhado por alguém, decidi comprar o Dropping The Writ (2008), sem me ter maravilhado, consegui ainda assim gostar imenso do disco. Seja como for, é este o episódio responsável, para que o nome de Cass McCombs tenha ficado gravado na minha mente e ficando o radar ligado para os seus próximos trabalhos. Ora não foi preciso esperar muito, para isso acontecer, um ano após ter assinado pela Domino, eis que chega um novo disco, de seu nome Catacombs.
Catacombs é quase todo construído na primeira pessoa, há alegria e fortuna, há contentamento e regozijo, há ainda um apelativo mundo sensorial a ser despertado. 11 Temas de diversas cores e odores, Catacombs deve ser visto (ouvido) como um trabalho perfeitamente colorido, onde as mais admiráveis cores se misturam de uma forma sublime.
Dreams-Come-True-Girl” é puro rock & roll veraneante a transbordar de felicidade, uma leve piscadela de olho a Roy Orbison. Na mesma sintonia está “You Saved My Life”, aqui introduzindo uma slide-guitar, que lhe dá uma aura de microclima de um qualquer bar abandonado do interior dos EUA. “My Sister, My Spouse” é continuação da marca romântica de McCombs, se bem que aqui de uma forma altamente duvidosa. Com “Lionkiller Got Married” existe um sair do armário por parte de Cass, talvez no futuro devesse explorar esta vertente mais “agreste”.
Ao quarto disco, o cantor de Baltimore marca em definitivo o seu território, se a primeira tendência será em rotula-lo de imediato com o selo de country-folk singer, McCombs mostras que é muito mais que isso, há qualquer coisa de grande valor na sua musica, lembra-me talvez um Beck mas completamente despido do conceito electrónico.
Catacombs é uma agradável surpresa neste Verão de 2009, basta encontrar a esplanada certa.

Momento Mágico: Harmonia


Cass McCombsCatacombs (2008) – Domino


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2009/07/19

Jens Lekman (Concerto)

COIMBRA - SALÃO BRASIL - 2009/07/17
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Fotos: Nuno Araújo

Pikelet (Concerto)

COIMBRA - SALÃO BRASIL - 2009/07/17
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Fotos: Nuno Araújo

2009/07/13

Bill Callahan

Definitivamente Só

Dois anos após Woke on Whaleheart, Bill Callahan está de volta com um novo trabalho, com ele regressam as imagens musicais. Callahan é um mestre a desenhar som com paisagens, a sua música tem uma ressonância quase magnética, projectando no nosso espírito texturas e odores de diferentes quadrantes. O efeito de tudo isto irá fazer, com que os nossos sentidos fiquem em perfeito alvoroço, provocando uma convulsão melancólica e arrebatada de longo alcance. Sometimes I Wish We Were An Eagle começa logo a demolir corações, o arrastamento cinematográfico de “Jim Cain” dá logo uma visão do caminho a percorrer. Em “Eid Ma Clack Shaw”, Bill Callahan não poderia ser mais claro:
Last night I swear, I felt your touch, Gentle and warm, The hair stood on my arms, How, how, how? Show me the way, show me the way, show me the way, To shake a memory”, que mais se pode dizer ou quer? Pouco há mais acrescentar, quero apenas salientar que Sometimes I Wish We Were An Eagle termina com “Faith/Void”, provavelmente o mais belo tema de 2009 (confirmem, é uma ordem!!!!).
Com a segunda obra lançada Bill Callahan mostra-nos em definitivo, que tudo o que foi apreendido durante os seus anos como mentor dos Smog, continua presente na sua forma de criar musica, e está de tal maneira presente, que penso que pode colocar o ponto final nos Smog.

Momento Mágico: Faith/Void


Bill Callahan - Sometimes I Wish We Were An Eagle (2009) – Drag City


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2009/07/07

Meio Ano - Meia Lista

Num ano onde o trabalho tem sido mais que muito, o tempo dedicado ás audições de coisas novas tem sido pouco, ainda assim há algum tempo para aconselhar alguns dos melhores discos deste ano, fica a lista por ordem alfabética:

Andrew Bird - Noble Beast
Animal Collective - Merriweather Post Pavilion
Antony & The Johnsons - The Crying Light
Bat For Lashes - Two Suns
Bill Callahan - Sometimes I Wish We Were An Eagle
Circlesquare - Songs About Dancing and Drugs
Dan Deacon - Bromst
Grizzly Bear - Veckatimest
It Hugs Back - Inside Your Guitar
Junior Boys - Begone Dull Care
Moderat - Moderat
Mono - Hymn To The Immortal Wind
Odawas - The Blue Depths
Oneida - Rated O
The Pink Mountaintops - Outside Love
Psychic Ills - Mirror Eye
Sean Riley & The Slowriders - Only Time Will Tell
Timber Timbre - Timber Timbre

2009/07/05

The Pink Mountaintops

Religiosamente Romântico

Ajudado pelos amigos do costume, Stephen McBean regressa ao activo, coisa que é perfeitamente normal ano após ano, aliás é bastante interessante acompanhar a forma como ambos os seus projectos crescem, senão vejamos: The Pink Mountaitops - The Pink Mountaitops (2004); Black Mountain - Black Mountain (2005); The Pink Mountaintops - Axis Of Evol (2006); Black Mountain - In The Future (2008) e agora The Pink Mountaintops - Outside Love. McBean “intercala”, The Pink Mountaintops com Black Mountain, fazendo com que ambos os projectos se completem entre si, será difícil compreender na sua ampla plenitude um sem entender o outro, são gémeos siameses unidos pelo seu génio criativo.
Em Black Mountain o rock tem mais corpo, há uma vertente nitidamente mais progressiva e uma coerência mais clássica, já com The Pink Mountaintops existe uma maior liberdade de acção e de movimentação, daí resulta um rock de cariz mais dramático, onde o romantismo é perfeitamente assumido como característica fundamental de McBean.
Outside Love é um disco cheio de ironia (capa incluída), aliás a nota descritiva não o esconde: “The ten songs on "Outside Love" are about or influenced by weddings in Montreal, winter, Pink Floyd's The Final Cut, Christmas albums, that one Exile song and that one Echo and the Bunnymen song, the Bermuda Triangle, being depressed in the sunshine, people who haven't made out yet but will in the future, The Everly Brothers, clowns in the ceilings, and bedrooms where skinheads used to live.” Temos assim 10 canções repletas de uma imensidão de sensações e impressões, apinhadas de psychedelic folk onde o poder das guitarras significa quase tudo, o resto são orações litúrgicas de contornos rurais, onde se avista uma América fortemente caracterizada pela sua religiosidade. McBean é Deus á sua maneira, é Pai em The Pink Mountaintops e Filho em Black Mountain, rezemos para que ele crie um Espirito Santo.

Momento Mágico: Vampire


The Pink Mountaintops - Outside Love (2009) – Jagjaguwar


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2009/07/03

Sean Riley & The Slowriders (Concerto)

COIMBRA - OFICINA MUNICIPAL DO TEATRO - 2009/07/02
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2009/06/29

Psychic Ills

Orgânico e Sintético

A estrutura musical do Psychic Ills é de difícil definição, vivem numa zona de grande conflito, é (e não é) rock, é (e não é) puro psicadelismo, é (e não é) indie absolutista. A banda de New York que tinha anteriormente lançado Dins (2006), um disco construído por ondas de drones e post-punk sónico. Com o lançamento de Mirror Eye, há uma intencionalidade premeditada de alterar um pouco o discurso, há como que um abandono da costela mais rock e uma adesão a uma estrutura quase de improvisação, aliás nasce neste novo trabalho dos Psychic Ills uma afirmação mais espacial, toda a nova componente trazida pelo novo elemento da banda (Jimy SeiTang) transformou o som dos Psychic Ills, dando-lhe uma sonoridade muito próxima de uns Spaceman 3.
O inicio de Mirror Eye faz-se ao som de “Mantis”, um tema é compassado e hipnótico, onde toda a organização musical tem por base a distorção das guitarras e o permanente loop do baixo; “I Take You As My Wife Again” como o próprio nome indica é re-casamento, os Psychic Ills agarram nos sons mais psicadélicos dos anos 60 e dão-lhes uma nova cara; O formato canção de "Fingernail Tea" é o tema que na teoria seria o mais consensual do disco, ainda assim está perfeitamente patente que o ideal de experimentalismo.
Ao segundo álbum os Psychic Ills decidiram percorrer o planeta electrónico, fizeram-no experimentando e inventado, decidiram misturar todo o conhecimento anterior com a vertente mais psicológica do rock, fizeram bem.

Momento Mágico: Way Of


Psychic Ills - Mirror Eye (2009) – The Social Registry


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2009/06/23

Cotonete

O Cotonete fez a gentileza de fazer destaque ao meu blog, fica aqui o link para todos lerem: PENSO SONORO NO COTONETE

2009/06/04

Dent May & His Magnificent Ukulele

Boa Onda

Dent May é um muito provavelmente um musico efémero, aliás o mundo musical está cheio (e eu gosto) de músicos que surgem vindos do nada, para ao fim de alguns minutos desaparecerem para todo o sempre, sobrando apenas aquele pequeno acorde ou aquele pequeno lalalala. Dent May é um músico que nos chega do Sul dos EUA (Jackson – Mississippi), e que possui como referencias Serge Gainsbourg e Lee Hazlewood, isto irá atribuir uma característica fortemente kitsch e old-fashioned á sua música, mas ao contrário das suas referências os temas de Dent May são primaveris e festivos, lembrando permanentemente amplos espaços verdes.
Dent May aproxima-se imenso da estrutura musical de Jens Lekman, a principal diferença resida talvez na forma mais aberta que May tem de expor as suas canções. Onde Lekman é um feliz desgraçado, Dent May é felicidade em forma crua. The Good Feeling Music of Dent May & His Magnificent Ukulele é um disco perfeito para este fim de primavera, abram definitivamente as esplanadas, já não há retorno possível. A satisfação é dominador comum desta época do ano, mostrem-na não tenham vergonha, um sorriso não custa nada e faz bem á pele.

Momento Mágico: Meet Me In The Garden

Dent May & His Magnificent Ukulele - The Good Feeling Music of Dent May & His Magnificent Ukulele (2009) – Paw Tracks



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2009/05/25

Circlesquare

Hibrido

Com a saída de Pre-Earthquake Anthem (2004), Jeremy Shaw deixou-nos uma grande duvida:
- qual seria o caminho a traçar pelo seu projecto Circlesquare? Se há 5 anos atrás não conseguimos desvendar o mistério, com o lançamento de Songs About Dancing And Drugs tudo se mantêm na mesma ou melhor quase na mesma, isto porque com este novo trabalho há um aprofundamento da técnica, transformando este novo disco numa experiencia perfeitamente híbrida, onde a dualidade pop/electrónica surge ainda mais vincada.
Songs About Dancing And Drugs é a nova aventura solitária de Jeremy Shaw, um disco onde o minimalismo pop se revolta com o que está definido e se propõe a criar canções com uma grandiloquência quase épica, onde os sentimentos são expostos ao ar livre. A estranha melancolia de Circlesquare é narrada sem limites nem áreas circunscritas, tudo flui de uma forma natural e reflectido. Songs About Dancing And Drugs não é um disco imediato, precisa de maturação e fermentação, é para ser degustado com calma, sem pressa, há na sua interioridade, na sua essência, imenso conteúdo e para o conseguir interpretar, é necessário deixar libertar o seu odor em toda a sua planitude.
Songs About Dancing And Drugs é pop quase dançável, ou melhor é electronica quase “popável”.

Momento Mágico: Bombs Away, Away

Circlesquare - Songs About Dancing And Drugs (2009) – !K7


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2009/05/22

Peter Broderick (Concerto)

COIMBRA - VIA LATINA - 2009/05/21
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Fotos: Alexandra Silva

Nils Frahm (Concerto)

COIMBRA - VIA LATINA - 2009/05/21
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Fotos: Alexandra Silva

2009/05/18

Woven Hand (Concerto)

LEIRIA - TEATRO MIGUEL FRANCO - 2009/05/18
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Nuno Rancho (Concerto)

LEIRIA - TEATRO MIGUEL FRANCO - 2009/05/18
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2009/05/05

Bob Dylan

33º Album

3 anos após Modern Times, o maior poeta cantor da historia moderna americana, está de volta e com isso regressa ao nossos ouvidos o ar agastado e quente de uma América que apesar de conhecida por muitos, apenas consegue ser vivida por alguns. Dylan é contador de historias, uma criador de fabulas, um inventor de rituais, um clérigo sem religião, só uma coisa lhe interessa, libertar-se das suas milhentas e sumarentas historias, há nele uma necessidade de expulsão de ideias, ideais e sonhos. Together Through Life é um exorcismo em forma de road-book, nele está desenhado o caminho libertador de toda uma nação, a recente transformação politica nas terras do Tio Sam, terá inundado de optimismo e de esperança o espírito de Dylan.
Se há coisas que dificilmente se descrevem Together Through Life é uma delas, e garanto que não é devido ao seu grau de complexidade, mas sim a sua impressionante eficácia e simplicidade.

Momento Mágico: Life Is Hard


Bob DylanTogether Through Life (2009) – Columbia



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2009/04/26

Mono

Pura Felicidade

Começando pelo fim:
- em “Everlasting Light” desenha-se um objecto sombrio carregado de simbolismo épico, não falta nada, tudo é pensado ao pormenor;
- “Pure As Snow (Trails Of The Winter Storm)” como o título do tema pressupõe, é tratado branco, onde as normas foram pré-acordadas para que todas as fórmulas não sejam postas em causa. Temos assim um tema duradoiro, onde a alegria é o princípio de tudo, criando um mundo sem defeitos e perfeitamente orientado;
- “Silent Flight, Sleeping Dawn” é um perfeito tratado de miséria, tudo é tristeza, tudo é infelicidade, é preciso uma intensa auto-estima para conseguir ouvir a espaços que a esperança existe;
- “Burial At Sea” tem dois tempos, o primeiro surge como um cortejo fúnebre de um enigmático chefe da camorra italiana, pé ante pé, passo após passo caminha-se sofridamente para a última morada. No segundo tempo surge o renascer do seu herdeiro, já tudo foi consumado, já tudo foi chorado, a vida continua e nada nos pode derrotar;
Os japoneses Mono residem na mesma mansão onde habitam uns Mogwai ou uns Explosions In The Sky e andam nesta vida já há quase dez anos, Hymn To The Immortal Wind é o seu quinto disco de originais e o terceiro consecutivo com a marca do produtor Steve Albini. Albini é um mago da produção, consegue mais que qualquer outro tirar o máximo dos músicos e posteriormente dedicar-se ao rendilhar da obra, fazendo com que qualquer banda ganhe outra dimensão, uma outra visibilidade.
Hymn To The Immortal Wind está repleto de magia, são descargas e descargas de energia a sair pelos amplificadores, que ao entrarem nos nossos ouvidos, se convertem em torrentes descontroladas de felicidade. Há no universo de Mono, algo que lhes dá o direito de abusarem do nosso estado mental, a sua música abre fronteiras psíquicas, há uma quebra nas regras de bom senso, reduzindo tudo a um simples e incontrolável sorriso.

Momento Mágico: Burial At Sea


Mono - Hymn To The Immortal Wind (2009) – Temporary Residence


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2009/04/08

Dan Deacon

Desassossego

A quantidade de energia lançada aos nossos ouvidos, sob forma de enxame de electrónica descompassada, provoca um agradável sentimento de felicidade. Há algo na musica de Dan Deacon que é difícil de conter, temos mesmo que nos libertarmos, há que pular e saltar, aliás o ideal será mesmo mandar saltos mortais á retaguarda. A electrónica indie de Dan Deacon é mais do que um ritual, é um sinfonia sintética, onde o desconhecido cruza a velocidades ultra-sónicas, todas extremidades dos nossos neurónios.
Bromst desassossega o nosso sossego, transpõe para o mundo real a inundação de ideias que passam pelo (louco) cérebro de Dan Deacon. Ao longo de 11 temas somos expostos a radiações quase mortais e só com uma brutal capacidade de sobrevivência, ainda assim e apesar de conseguirmos sair desta experiencia pelo(s) nosso(s) próprio(s) pé(s), só com muito custo vamos conseguir mantê-los em sossego. Bromst é cativante e fortemente viciante, é uma nódoa que difícil sai. Um dos grandes de 2009, podem confiar.

Momento Mágico: Snookered


Dan DeaconBromst (2009) - Carpark


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2009/03/27

The Ruby Suns (Concerto)

COIMBRA - SALÃO BRASIL - 2009/03/26
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2009/03/26

Buraka Som Sistema (Concerto)

COIMBRA - PAVILHÃO MULTIUSOS - 2008/03/26
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Fotos: Mário Antunes

2009/03/22

:papercutz

Suave Mescla

Foi a ouvir o tema “Ultravioleta” inserido na compilação “Novos Talentos FNAC”, que reparei no singular nome :papercutz, ficou-me por essa altura então, cravado na mente as amenas e meigas ondulações electrónicas, tudo rematado com uma voz intensamente quente. Passado que foi o prazo de validade de um “novo talento”, os :papercutz tomaram a decisão (mais que acertada), de caminharem sozinhos pelo mundo fora, e após assinarem pela editora canadiana (Apegenine Recordings) lançam Lylac, o seu álbum de estreia.
Lylac é um planisfério de sensações, apoiado na pop de cariz electrónica, os :papercutz traçam um quadro onde a amálgama de cores e ruídos, vai transmitido uma dupla sensação, de um dos lados do espelho temos a canção pop, do outro lado temos a inovação e a estrutura experimental. É nesta suave mescla, que os cintilantes musicais da banda ganham corpo e é através desse dialogo, que ao longo de 13 temas, se vão expondo ideias e ideais.
Lylac nasce com um curto intro, para logo de seguida se atirar sem receios ao seu objectivo, com “All We Have Left” marca-se o primeiro ensaio, é incrível a sua objectividade e a destreza vocal de Melissa Veras. O misterioso mundo de “A Secret Search”, não é mais que procura de algo ainda não completo, há uma espera, um aguardar que a coisa ganhe definitivamente corpo e alma. Em “Broken Treasure” desfilam perante os nossos olhos, uma imensidão de soltos sentimentos, procura-se o algo palpável, algo que dê sentido ao objecto, busca-se a esperança entre a repetitiva cadência. Ao deixar correr “Lost Boys” encontramos o compasso exemplar, toda a estrutura do tema desenrola-se com uma exactidão cuidada e modelar, tem o perfil correcto para single. Uma palavra especial para “Para do Outro Lado do Espelho” e “Ultavioleta”, onde o matrimónio entre a língua de Camões e o cosmos de :papercutz se fundem admiravelmente. “…Is Fading” surge no horizonte com a promessa de sequência, ficando no ar um suave aroma a continuidade, é nosso dever ficarmos atentos.
No meio de tanta edição de musica, é bem agradável conhecer projectos que são muito mais do que isso, com :papercutz a ideia de a musica não se esgota nela própria, há uma transfusão de concepções e percepções entre o autor e o ouvinte, e quando assim é todos nós ganhamos.
P.S. – Uma palavra especial ao soberbo art-work do CD. Lindissimo.

Momento Mágico: A Secret Search


:papercutzLylac (2008) Apegenine Recordings


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2009/03/15

Antony & The Johsons

Elegância

The Crying Light é o terceiro trabalho, de uma das personagens mais estranha da pop contemporânea. 4 anos após I’m A Bird Now, Antony Hegarty e os seus rapazes, regressam ás canções de uma forma ainda mais subtil e se até aqui se planava sobre o universo pop, com The Crying Light há um maior aprofundamento da vertente clássica.
A vertente mais brilhante de Antony, fica agora ainda mais despida, já não há qualquer espécie de inibição criativa, tudo é claro e transparente, a única coisa que sobra é o seu minimalismo inventivo. O piano e voz única de Antony, são a estação de partida para esta viagem, ao longo deste trajecto há alguns apeadeiros onde a intervenção sublime dos The Johnsons, ajudam a criar uma mágica atmosfera recheada de eloquentes arranjos de cordas.
The Crying Light é um disco choroso, mais inundado de esperança, há muito mais do que mera e simples melancolia. É um disco elegante e poderoso, ao longo de 10 temas Hegarty celebra a vida enquanto essência fundamental de um futuro que se prevê duro, mas para o qual nos devemos manter em permanente alerta, acreditando que só poderá existe um único rumo, que é o da confiança.

Momento Mágico: Dust & Water


Antony & The Johnsons - The Crying Light (2009) Secretly Canadian


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2009/03/05

Bat For Lashes

Regresso Anunciado

3 anos após Fur & Gold, o melancólico timbre da voz de Natasha Khan está de volta e este regresso serve para chamar atenção, de muitos daqueles aquém o nome Bat For Lashes pouco ou quase nada significa. Há em Two Suns um maior nível de concentração, existe um esforço mais reflectivo, ambas conjugadas irão resultar numa voz ainda mais perfeita e cristalina.
Com Two Suns, Khan liberta na totalidade os seus poderes, deixou de haver receio de comparações ou de colagens, assumiu o seu poder enquanto mulher e agarrado com força a sua bandeira, gritou ao mundo o seu verdadeiro valor. Ao longo de 11 temas vai caminhando pelo trilho que desejou construir, apesar da imensa coragem ainda precisa de apoio e para isso contou com a participação dos “brooklynianos” Yeasayer e do mestre do crooner negativista Scott Walker.
Há em Bat For Lashes uma intenção, que ultrapassas a simples ideia de projecto musical, é bem mais que isso, há um perfeito tratado no feminino, um conceito de mulher enquanto luz, enquanto fonte de energia.

Momento Mágico: Pearl’s Dream

Bat For Lashes - Two Suns (2009) - Astralwerks
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2009/02/24

Timber Timbre

A fina linha traçada por Taylor Kirk é de tal maneira aprazível, que o resultado do seu trabalho é uma sublime paisagem desenhada a carvão, um pequeno cosmos, um minúsculo mundo pintado a preto e branco, onde a eficácia da sua música, responde através de uma banal equação, em que os dois factores fundamentais são o tradicional e a simplicidade.
Um canadiano a cantar blues desta forma tão intensa, não é certamente uma coisa comum, mas a verdade é que Taylor Kirk liberta o seu lado espiritual, conjugando-a com exactidão com a vertente folk de cariz terrena, desta química musical surge um ambiente onde o religioso e pagão se cruzam, sem nunca se tocarem.
A abertura de Timber Timbre é feita com “Demon Host“ onde um energético piano vai descobrindo os diversos panoramas circundantes; “Lay Down In The Tall Grass” percorre o mesmo caminho de quem sofreu as amarguras de uma vida dura, caminho esse feito de dificuldades e dores múltiplas, mas onde a esperança é um farol que ilumina cada um dos nossos passos; “I Get Low” é uma ladainha acompanhada por um longínquo órgão, numa sequência trágico/magica; Com “Trouble Comes Knocking” Kirk demonstra todo o seu enorme potencial artístico, é o tema onde melhor veste a roupa de blues-man, vestimenta essa que lhe serve na perfeição.
Timber Timbre é fortemente cinematográfico, cria climas musicais onde facilmente se edificam paisagens rurais, usa para isso um hipnotismo muito próprio, centrado na voz e na forma arrastada como trata todos os instrumentos. Taylor Kirk é um nome a tomar em consideração para o futuro.

Momento Mágico: Trouble Comes Knocking


Timber TimbreTimber Timbre (2009) – Out Of This Spark


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2009/02/13

It Hugs Back

Aprendizes

Os Sonic Youth sai uma escola de vida, melhor ainda, os Sonic Youth são uma verdadeira instituição norte-americana de música, nasceram e cresceram a destilar o verdadeiro american way of life, dentro da musica independente. Ao longo deste já longo período, tal e qual um cometa foram deixando um longo rasto de luz, e como qualquer astro celeste foram influenciando uma imensidão de gente. Os It Hugs Back apesar de serem uma banda inglesa, fazem parte desse universo indie depressivo, um mundo de guitarras arrastadas, vozes sussurrantes e descompressão rítmica. A banda de Kent liderada por Matthew Simms desde da sua fundação, corria então o ano de 2006, tem lançado ao longo dos últimos anos diversos singles, na qual foram mantendo uma linha estética bastante uniforme. Com a chegada de 2009, surge então o primeiro álbum, que foi editado pela enorme 4AD, o que fará com que a visibilidade (bem como a responsabilidade) dos It Hugs Back seja de valor acrescentado.
Nos primeiros acordes de Inside Your Guitar, ouve-se “Q” um tema liberto de esperança romântica arrastando ao seu redor um agradável aroma a Jesus & Mary Chain; “Work Day” é uma canção pop-rock perfeita, vozes e instrumentalização impecáveis, um requinte de tema; com “Remenber” mostram o seu lado melancólico, um ritual quase nocturno, um autêntico oceano pacífico. Uma banda a seguir com imensa atenção.

Momento Mágico: Back Down


It Hugs BackInside Your Guitar (2009) – 4AD


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2009/02/05

Odawas

Terrenos

The Blue Depths apresenta uns Odawas, numa índole substancialmente mais terrena, onde o ambiente presa pela segurança e pelo conforto. Até aqui tínhamos conhecido uns Odawas dentro do post-rock experimental, ondulados aqui e ali por algumas marés de rock sinfónico. Com a edição do 3º álbum a banda de Bloomington (Indiana), surge na paisagem pop uma atmosfera mais cristalina e mais brilhante. Com o nascer dessa nova inclinação estética, surge tambem a vertente romatica, que apesar de não ser completamente desconhecida, se encontrava bem camuflada.
Os Odawas caminharam em direcção ao planeta pop, sem deixarem descurar o ambientes mais sombrios, daqui resulta por um lado um piscar de olhos a uns Band Of Horses no que concerne a estrutura vocal, enquanto que a motivação instrumental continua o lo-fi folk de uns Iron & Wine a marcar pontos. A estrutura marcadamente melancólica deixa um suave rasto a solidão, ouça-se “Moonlight/Twilight” onde a harmónica marca um grito de animal moribundo ou então acordem (e planem) ao som de “Swan Song Of The Humpback Angler”.
The Blue Depths mostra uns Odawas mais acessíveis, mais abertos, deixaram de lado a sua obscuridade e apresentam-se com o coração nas mãos. Estamos assim perante uma banda mais sociável e substancialmente mais afável, é o efeito pop a dar o ar da sua graça.
Os Odawas propõem como preparação, para The Blue Depths 10 discos magníficos, acompanhados com o um pequeno texto explicativo – VER AQUI.

Momento Mágico: Secrets Of The Fall


OdawasThe Blue Depths (2009) – Jagjaguwar


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2009/01/28

Andrew Bird

Migração

A razão da migração de algumas aves, é na maioria dos casos a busca de melhor clima e a procura de alimento, ora com Andrew Bird aconteceu o mesmo. Primeiro a busca de um lugar pacifico, sossegado e equilibrado, coisa que conseguiu no interior dos EUA, numa pequena quinta no estado de Illinois, de seguida com mestria alimentou o corpo e a mente, o efeito de toda esta disciplina está implícito em Noble Beast. O 8º disco de Bird é fortemente cerebral e apinhado de requinte, já vão longe os tempos do pop mais objectivo e concreto de Mysterious Production of Eggs, desde do trabalho de 2007 (Armchair Apocrypha) que Andrew Bird começou a piscar o olho á folk e essa passagem tem sido feita de uma forma pacifica, as roturas tem sido mínimas e eficácia enorme.
Noble Beast continua a mostrar um músico de um enorme talento, o engenho de Andrew está em perfeita ascensão, mais do que nunca está exemplar na composição, tem uma faculdade natural na sua voz, vive a genialidade do seu assobio e continua um violinista de arte refinada. Chegado a este ponto, já nada pode correr mal, agora há que continuar a migrar pelo mundo fora e alimentado todo o bando que por aí sequioso da sua musica.

Momento Mágico: Fitz And The Dizzyspells


Andrew Bird Noble Beast (2009) – Fat Possum


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2009/01/22

Jonathan Wilson

Perfeito Desconhecido

Depois de terminado (e listado o ano de 2008), comecei a espreitar as listas daqueles que nos são mais próximos musicalmente, uma espécie de saque intelectual, há que usar esta espécie de simbiose, o tempo é pouco (e passa depressa) e os discos são muitos.
Gentle Spirit é um nome perfeito para este segundo disco, estamos perante um trabalho de ambientes rurais, ladeado e cercado por altas montanhas e rios selvagens. Jonathan Wilson é o cavalheiro do rock psicadélico versão lenta, a forma arrastada com os constrói e canta, ajuda a imaginar variadíssimos cenários, é sem duvida um musico fortemente cénico.
Ao segundo disco (o primeiro foi Frankie Ray – 2007), Jonathan Wilson sem arriscar um milímetro que seja, traçou o seu projecto e ilustrou 13 preciosos temas, assim nasceu Gentle Spirit e com ele nasceu um espírito simpatico, um alma com corpo etéreo, um fantasma em transição entre este mundo e o outro.
Desert Raven” invade o nosso silencio pé ante pé, com ajuda de uma guitarra em perfeito transe, vamos subindo e descendo vales, aqui planar é palavra a usar. A voz de Jonathan em “Canyon In The Rain” sublinha a sua capacidade de espalhar afecto por todos. “Natural Rhapsody” é um dos melhores temas de 2008. “Ballad Of The Pines” é folk silvestre matinal, está coberto de orvalho e exala cheiro de floresta. Gentle Spirit termina em êxtase “Valley Of The Silver Moon” é doentiamente belo, uma canção cheia de dor e traumas, lindíssima.
Ah… um bem haja Nuno.

Momento Mágico: Valley Of The Silver Moon”


Jonathan Wilson - Gentle Spirit (2008)

Jonathan Wilson (site) & My Space