Uma pequena história fantástica...
2009/12/28
2009/12/22
2009/12/13
B Fachada
Muito se tem dito e muito se tem escrito, à volta das coisas que B Fachada vai fazendo na música, e o que vai surgindo na imprensa escrita ou nas linhas etéreas da net, vai desenhando um artista que se odeia ou que se ama irredutivelmente. Pessoalmente confesso que até ao Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado (2009), ouvi-a com respeito, mas não o conseguia levar completamente a sério, teimava em vê-lo como uma espécie de Manuel João um pouco mais erudito e nada mais que isso. É desta forma e seguindo este argumento, que parti em direcção B Fachada (o álbum), sem compromissos e com normais expectativas.
Sabendo que não vou ser levado completamente a sério, vou afirmar que B Fachada, o disco homónimo e segundo deste ano de Bernardo Fachada, é provavelmente a melhor coisa que ouvi cantada em português nos últimos 10 anos (apetecia-me dizer mais…), um disco intimista e repleto de pequenas histórias, as quais Fachada conseguiu dar a ironia perfeita. B Fachada pode parecer um diamante em bruto, mas deixando entrar a luz em certos ângulos e tomando atenção a todas as suas verdadeiras formas, reparamos que é uma peça preciosa como poucas.
A abertura feita a “Responso Para Marido Transviado” marca o ponto de partida, para uma aventura entre a língua portuguesa e deliciosa voz de Fachada; “Cantiga de Amigo” é construída sobre a estrutura harmoniosa de rhodes, que mantém coesa toda a canção; “O Desamor”é uma viagem sem sair do sítio, é o perfeito retrato da eterna partida adiada, usando a palavras de Fachada “… não é preciso dor, para provar o desamor”; “A Velha Europa” é um carrossel mágico onde não se paga bilhete; “Tempo Para Cantar” é aquele tipo de canção perfeita, não há nada para dizer; a pura diversão “Estar à Espera ou Procurar” sai com a intenção de quebrar a melancolia do disco, ainda assim funciona como um calmante relaxante, um suave bater de pé.”A Bela Helena” é uma história idílica sobre o ciúme, construído com um brilhantismo inigualável, um tema lindíssimo; é com “Kit de Prestidigitação” que tenho a primeira noção do único defeito do disco, é curto, passa depressa…
B Fachada transformou-se num cantor adulto, num músico a serio, entrou para a lista dos músicos portugueses que merecem um altar.
Momento Mágico: Tempo Para Cantar

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2009/12/08
Grizzly Bear
O ano está quase no fim, aqui e ali vão surgindo as listas dos melhores albuns do ano (o meu está em construção e sairá muito em breve - fiquem atentos). Fica para já um dos melhores temas de 2009.
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2009/11/29
II Rock N' A. D. EGA
EGA - PAVILHÃO DA ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA - 2009/11/28
BOOSTER - MySpace
KARPE DIEM - MySpace
ANTI-CLOCKWISE - MySpace
GAZUA - MySpace
EX-VOTOS - MySpace
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2009/11/25
2009/11/21
2009/11/18
The Legendary Tiger Man
Talvez as principais características da musica de Legendary Tiger Man, sejam a sua carga fortemente sensual, o arrastamento das suas composições e a forma descarnada como as interpreta. Se até agora estes foram alguns dos seus conceitos, com Femina tudo adquire uma dimensão ainda mais reforçada. Rodeado de imensas mulheres (Asia Argento / Maria de Medeiros / Peaches / Becky Lee / Rita Redshoes / Lisa Kebaula / Cláudia Efe / Phoebe Killdeer / Mafalda Nascimento / Cibelle), o Homem-Tigre abandona a posição de músico solitário, e com a destreza que lhe é tão particular constrói um álbum portentoso. Tema após tema, Paulo Furtado traça a preto e branco o desenho da mulher perfeita, delineando primorosas linhas de contorno e retratando o lado feminino das mais diversas tonalidades. Femina é rock-roll no feminino pelas mãos de um ser masculino, e ter consigo traduzir tudo isto com tanta mestria, prova que The Legendary Tiger Man é dos mais notáveis músicos da nossa praça.
Momento Mágico: These Boots Are Made For Walking
The Legendary Tiger Man – Femina (2009) - EMI

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2009/11/15
Animal Collective
Mais um video retirado de Merriweather Post Pavilion (2009).
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2009/11/03
The XX
Cada vez são menos as bandas que conseguem, logo ao primeiro disco focarem tanta atenção sobre si, aparentemente a razão disso terá mais a ver com nossa desconfiança, do que com uma divulgação/produção menos capaz, todo este raciocínio daria para uma curta tese, mas isso pouco importa agora, o que quero salientar é que essas bandas existem e estão por aí, à curta distancia de um clique, é só procurar (segue-se um exemplo do que falo).
A banda Londrina fundada em 2008, agarra na componente mais suave e mais elementar de uns Young Marble Giants e colando uns ritmos deprimidos de uns The Cure, produz uma sonoridade localizada algures entre o fim dos anos 80 e o principio dos 90. A magia criada pela conjugação das vozes de Romy Madley Croft e de Oliver Sim, reveste estes The XX de uma aura de aprazível sedução (“Crystalised” / “Stars”), um caminho de subtis manipulações (“VCR” / “Basic Space”) ou então uma paixão descontrolada (“Infinity”). Com o aproximar do fim de 2009, começo a esboçar a lista dos melhores do ano, sinceramente não sei nem imagino ainda, qual a ordem em que vou por este disco dos The XX, mas tenho quase a certeza que ficará nos 5 primeiros.
Momento Mágico: Infinity
The XX – XX (2009) - Young Turks

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2009/10/26
Health
Ruído com Sentido
John Famiglietti (o homem-máquina por detrás dos Health), retoma após dois anos o mesmo conceito de minimalismo noise, a corrente então desenvolvida deu origem ao álbum com o mesmo nome e nele uma grande parte da crítica deu louvores, criando uma espécie de esperança delirante. Get Color resulta dessa confiança, a fé que anima este cosmos desvairado ganhou forma física em formato de rodela comprável (ou melhor descarregável) em qualquer bom estabelecimento de referência. Os Health seriam mais uma banda de noise, até porque tem tudo para o ser: guitarras iradas; sintetizadores em permanente loop; baterias a viverem uma pequena revolução industrial, a diferença nasce nas sombras sob a forma de espectro vocal, é aqui que reside a diferença, é na suave mistura que toda esta confusão ganha forma e sentido.
Momento Mágico: We Are Water
Health – Get Color (2006) – Lovepump United

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2009/10/16
Discovery
A meio caminho entre a pop de efeito imediato e a electrónica de cariz corriqueiro, nascem os Discovery um disco feito a meias por Rostam Batmanglij (Vampire Weekend) e Wes Miles (Ra Ra Riot), que de braço foram dando corpo a um caleidoscópio de milhentos sons e cores. O que se encontra dentro do mundo escondido de LP, é precisamente aquilo que é imediato, as primeiras vezes que ouvi o disco, fiquei com a sensação que existe muita coisa escondida, sobre a qual temos de reflectir e procurar soluções necessárias, depois e com o passar do tempo, toda a neblina começa a levantar e nasce um dia maravilhoso onde o sol é rei e senhor. Um dos factores mais interessantes de LP, é não se contentar com uma única etiqueta, aliás se à coisa com que os Discovery não se importam é com rótulos, dentro de LP há pop experimental, electro, voice coder em exagero, se há um objectivo definido em Discovery, é precisamente não ter de descobrir rigorosamente nada.
Momento Mágico: Carby
Discovery – LP (2009) - XL

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2009/10/13
2009/10/02
Atlas Sound
Um ano após Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel (2008), Bradford Cox volta á acção com Logos. Se até este momento o associava de imediato aos Deerhunter, com estes dois trabalhos num tão curto espaço de tempo, surge a libertação desse seu outro projecto, e nasce uma nova estrela no firmamento indie pop. Cox sempre foi visto como um músico um pouco há parte, a sua forma meia excêntrica de estar no mundo da música, sempre lhe deu a capacidade necessária para fazer o que bem entendesse, é assim que sem pressão e sem recorrer a normas produz Logos.
Logos é um disco em que o equilíbrio é bastante ténue, há como que uma agradável sensação de claustrofobia, a nuvem escura que paira sobre a alma de Cox é o sintoma da sua bipolaridade musical. Cox tem o espírito carregado de ideias, e se algumas são imediatas (“Walkabout” / “Criminals” / “Quick Canal”), há outras que são de facto mais demoradas e bem mais exigentes, necessitando da nossa parte uma maior e mais apurada atenção (“The Light That Failed” / “Shelia” / “Kid Klimax”), seja como for e analisando Logos de uma forma mais intensa, encontrei um disco moderadamente feliz e eficazmente triste, está repleto de sentimentos dúbios, há uma guerra de egos dentro de Cox, e usando (e abusando) dessa premissa vai montando e desmontado a sua arte.
Momento Mágico: Shelia
Atlas Sound - Logos (2009) - 4AD

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2009/09/21
Delorean
Momento Mágico: Seasun
Delorean – Ayrton Senna [EP] (2009) - Fool House

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2009/09/16
2009/09/14
Micah P. Hinson
O trabalho de Micah P. Hinson, não é mais do que um simples disco de covers... Ouçamos então o senhor.
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2009/09/09
Soulsavers
Não existe novidade alguma em misturar diversos estilos de música, há imensos projectos e bandas a faze-lo, tornar a coisa perfeitamente harmoniosa é que faz toda a diferença. Rich Machin e Ian Glover vêm já desde há algum tempo, a conseguir marcar essa diversidade, o seu cosmos engloba electrónica, pop, gospel, country e rock, criando um ambiente intimista e deveras melancólico. Nos anteriores dois trabalhos Tough Guys Don’t Dance (2003) e It's Not How Far You Fall, It's the Way You Land (2007), já tudo tinha sido explicado e definido, com o novo trabalho Broken, o que se sente é ainda uma maior pureza na forma como tudo é explanado. Broken tem convidados de luxo, para além do já habitual Mark Lenagan (Screaming Trees / Queens Of The Stone Age / The Gutter Twins), há Mike Patton (Faith No More), há Jason Pierce (Spiritualized) entre outros. A colaboração entre estas (geniais) vozes e musica produzida por Machin e Glover levam os Soulsavers a uma dimensão quase religiosa. Broken são os Soulsavers a tentarem salvar a alma, a deles e a nossa.
Momento Mágico: Unbalanced Pieces
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2009/09/05
Girls
Anda por aí, o primeiro disco de Girls, fica o excelente primeiro single:
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2009/09/02
3 Anos de Penso Sonoro
Um enorme bem-haja a todos desse lado.
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2009/08/19
Nosaj Thing
O fascinante mundo colorido de Jason Chung, é desenhado por linhas planantes e de contornos bastante ténues, não é mais que uma suave neblina electrónica, a sua música fica na fronteira do hip-hop electrónico e a lado mais hipnótico da programação. É precisamente a explorar essa fronteira, que Jason Chung consegue inovar, e consegue-o por que não se liberta na totalidade da tensão e do dramatismo próprio do hip-hop.
Nosaj Thing (é este o nome do projecto) segue a linhagem dos Boards Of Canada nas vertentes mais batidas e usa toda a área ambiental de Fennesz. Não qualquer receio por para de Chung em colar-se aos mestres, com Drift mostra que não há metas a atingir, é uma viagem de janela aberta, entra ar fresco por todo o lado, ou seja temos o ponto de partida, já conhecemos o inicio, devemos por isso ficar em alerta.
Momento Mágico: Fog
Nosaj Thing – Drift (2009) – Alpha Pup

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2009/08/06
João Coração
João Coração provêm da mesma linhagem de um JP Simões, de um Fausto ou mesmo de um Tony de Matos, representa por isso (até este momento) o último dos românticos. O cantor romântico com contornos perfeitamente citadinos, é algo em vias de extinção, vão aqui e ali surgindo pequenos fogachos, mas rapidamente desaparecem entre as brumas ao melhor estilo sabastiónico. João Coração soube com imensa perícia ocupar esse lugar, vestiu o fato de macaco lírico e de guitarra a tiracolo, aderiu ao universo do amor. Chegado a este ponto não se inibiu, libertou as poucas regras existentes e agarrou todas as oportunidades que surgiram pela frente. João Coração apreendeu na perfeição a escola anglo-francesa, agarrou os tiques de Gainsbourg na sua vertente mais barroca e os contornos glam-rock de Bryan Ferry, desenhou um estilo cabaret de cão abandonado, carrega nos ombros em simultâneo a desconfiança e completa esperança na humanidade.
Muda Que Muda começa algures na América Latina, os contornos arrastados de “Canção Para Ficar” no formato de bolero quase dançável, fica nos ouvidos a curta frase que diz: “perder com nobreza é empatar…”; “Passo a Passo” é a canção do viajante, é preciso mudar para poder encontrar e encontrar é procurar, um sem fim delicioso; a admiração por “Sofia” também pode ser cantada, o romântico ao contrário da canção do outro, é trôpego e tem muitas vezes falta de coragem.
João Coração é um saltimbanco do romance cantado, anda por aqui e por aí, esperançado em conseguir alterar o estado normal das coisas. Não desistas João, a gente conta contigo…
Momento Mágico: Muda Que Muda
João Coração – Muda Que Muda (2008) – FlorCaveira

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2009/07/27
Cass McCombs
Depois de ter sido (e muito bem) aconselhado por alguém, decidi comprar o Dropping The Writ (2008), sem me ter maravilhado, consegui ainda assim gostar imenso do disco. Seja como for, é este o episódio responsável, para que o nome de Cass McCombs tenha ficado gravado na minha mente e ficando o radar ligado para os seus próximos trabalhos. Ora não foi preciso esperar muito, para isso acontecer, um ano após ter assinado pela Domino, eis que chega um novo disco, de seu nome Catacombs.
Catacombs é quase todo construído na primeira pessoa, há alegria e fortuna, há contentamento e regozijo, há ainda um apelativo mundo sensorial a ser despertado. 11 Temas de diversas cores e odores, Catacombs deve ser visto (ouvido) como um trabalho perfeitamente colorido, onde as mais admiráveis cores se misturam de uma forma sublime.
“Dreams-Come-True-Girl” é puro rock & roll veraneante a transbordar de felicidade, uma leve piscadela de olho a Roy Orbison. Na mesma sintonia está “You Saved My Life”, aqui introduzindo uma slide-guitar, que lhe dá uma aura de microclima de um qualquer bar abandonado do interior dos EUA. “My Sister, My Spouse” é continuação da marca romântica de McCombs, se bem que aqui de uma forma altamente duvidosa. Com “Lionkiller Got Married” existe um sair do armário por parte de Cass, talvez no futuro devesse explorar esta vertente mais “agreste”.
Ao quarto disco, o cantor de Baltimore marca em definitivo o seu território, se a primeira tendência será em rotula-lo de imediato com o selo de country-folk singer, McCombs mostras que é muito mais que isso, há qualquer coisa de grande valor na sua musica, lembra-me talvez um Beck mas completamente despido do conceito electrónico.
Catacombs é uma agradável surpresa neste Verão de 2009, basta encontrar a esplanada certa.
Momento Mágico: Harmonia
Cass McCombs – Catacombs (2008) – Domino

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2009/07/19
Jens Lekman (Concerto)
COIMBRA - SALÃO BRASIL - 2009/07/17
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Pikelet (Concerto)
COIMBRA - SALÃO BRASIL - 2009/07/17
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2009/07/13
Bill Callahan
Dois anos após Woke on Whaleheart, Bill Callahan está de volta com um novo trabalho, com ele regressam as imagens musicais. Callahan é um mestre a desenhar som com paisagens, a sua música tem uma ressonância quase magnética, projectando no nosso espírito texturas e odores de diferentes quadrantes. O efeito de tudo isto irá fazer, com que os nossos sentidos fiquem em perfeito alvoroço, provocando uma convulsão melancólica e arrebatada de longo alcance. Sometimes I Wish We Were An Eagle começa logo a demolir corações, o arrastamento cinematográfico de “Jim Cain” dá logo uma visão do caminho a percorrer. Em “Eid Ma Clack Shaw”, Bill Callahan não poderia ser mais claro:
“Last night I swear, I felt your touch, Gentle and warm, The hair stood on my arms, How, how, how? Show me the way, show me the way, show me the way, To shake a memory”, que mais se pode dizer ou quer? Pouco há mais acrescentar, quero apenas salientar que Sometimes I Wish We Were An Eagle termina com “Faith/Void”, provavelmente o mais belo tema de 2009 (confirmem, é uma ordem!!!!).
Com a segunda obra lançada Bill Callahan mostra-nos em definitivo, que tudo o que foi apreendido durante os seus anos como mentor dos Smog, continua presente na sua forma de criar musica, e está de tal maneira presente, que penso que pode colocar o ponto final nos Smog.
Momento Mágico: Faith/Void
Bill Callahan - Sometimes I Wish We Were An Eagle (2009) – Drag City

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2009/07/07
Meio Ano - Meia Lista
Num ano onde o trabalho tem sido mais que muito, o tempo dedicado ás audições de coisas novas tem sido pouco, ainda assim há algum tempo para aconselhar alguns dos melhores discos deste ano, fica a lista por ordem alfabética:
Andrew Bird - Noble Beast
Animal Collective - Merriweather Post Pavilion
Antony & The Johnsons - The Crying Light
Bat For Lashes - Two Suns
Bill Callahan - Sometimes I Wish We Were An Eagle
Circlesquare - Songs About Dancing and Drugs
Dan Deacon - Bromst
Grizzly Bear - Veckatimest
It Hugs Back - Inside Your Guitar
Junior Boys - Begone Dull Care
Moderat - Moderat
Mono - Hymn To The Immortal Wind
Odawas - The Blue Depths
Oneida - Rated O
The Pink Mountaintops - Outside Love
Psychic Ills - Mirror Eye
Sean Riley & The Slowriders - Only Time Will Tell
Timber Timbre - Timber Timbre
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2009/07/05
The Pink Mountaintops
Ajudado pelos amigos do costume, Stephen McBean regressa ao activo, coisa que é perfeitamente normal ano após ano, aliás é bastante interessante acompanhar a forma como ambos os seus projectos crescem, senão vejamos: The Pink Mountaitops - The Pink Mountaitops (2004); Black Mountain - Black Mountain (2005); The Pink Mountaintops - Axis Of Evol (2006); Black Mountain - In The Future (2008) e agora The Pink Mountaintops - Outside Love. McBean “intercala”, The Pink Mountaintops com Black Mountain, fazendo com que ambos os projectos se completem entre si, será difícil compreender na sua ampla plenitude um sem entender o outro, são gémeos siameses unidos pelo seu génio criativo.
Em Black Mountain o rock tem mais corpo, há uma vertente nitidamente mais progressiva e uma coerência mais clássica, já com The Pink Mountaintops existe uma maior liberdade de acção e de movimentação, daí resulta um rock de cariz mais dramático, onde o romantismo é perfeitamente assumido como característica fundamental de McBean.
Outside Love é um disco cheio de ironia (capa incluída), aliás a nota descritiva não o esconde: “The ten songs on "Outside Love" are about or influenced by weddings in Montreal, winter, Pink Floyd's The Final Cut, Christmas albums, that one Exile song and that one Echo and the Bunnymen song, the Bermuda Triangle, being depressed in the sunshine, people who haven't made out yet but will in the future, The Everly Brothers, clowns in the ceilings, and bedrooms where skinheads used to live.” Temos assim 10 canções repletas de uma imensidão de sensações e impressões, apinhadas de psychedelic folk onde o poder das guitarras significa quase tudo, o resto são orações litúrgicas de contornos rurais, onde se avista uma América fortemente caracterizada pela sua religiosidade. McBean é Deus á sua maneira, é Pai em The Pink Mountaintops e Filho em Black Mountain, rezemos para que ele crie um Espirito Santo.
Momento Mágico: Vampire
The Pink Mountaintops - Outside Love (2009) – Jagjaguwar

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2009/07/03
Sean Riley & The Slowriders (Concerto)
COIMBRA - OFICINA MUNICIPAL DO TEATRO - 2009/07/02
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2009/06/29
Psychic Ills
A estrutura musical do Psychic Ills é de difícil definição, vivem numa zona de grande conflito, é (e não é) rock, é (e não é) puro psicadelismo, é (e não é) indie absolutista. A banda de New York que tinha anteriormente lançado Dins (2006), um disco construído por ondas de drones e post-punk sónico. Com o lançamento de Mirror Eye, há uma intencionalidade premeditada de alterar um pouco o discurso, há como que um abandono da costela mais rock e uma adesão a uma estrutura quase de improvisação, aliás nasce neste novo trabalho dos Psychic Ills uma afirmação mais espacial, toda a nova componente trazida pelo novo elemento da banda (Jimy SeiTang) transformou o som dos Psychic Ills, dando-lhe uma sonoridade muito próxima de uns Spaceman 3.
O inicio de Mirror Eye faz-se ao som de “Mantis”, um tema é compassado e hipnótico, onde toda a organização musical tem por base a distorção das guitarras e o permanente loop do baixo; “I Take You As My Wife Again” como o próprio nome indica é re-casamento, os Psychic Ills agarram nos sons mais psicadélicos dos anos 60 e dão-lhes uma nova cara; O formato canção de "Fingernail Tea" é o tema que na teoria seria o mais consensual do disco, ainda assim está perfeitamente patente que o ideal de experimentalismo.
Ao segundo álbum os Psychic Ills decidiram percorrer o planeta electrónico, fizeram-no experimentando e inventado, decidiram misturar todo o conhecimento anterior com a vertente mais psicológica do rock, fizeram bem.
Momento Mágico: Way Of
Psychic Ills - Mirror Eye (2009) – The Social Registry

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2009/06/23
Cotonete
O Cotonete fez a gentileza de fazer destaque ao meu blog, fica aqui o link para todos lerem: PENSO SONORO NO COTONETE
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2009/06/04
Dent May & His Magnificent Ukulele
Dent May é um muito provavelmente um musico efémero, aliás o mundo musical está cheio (e eu gosto) de músicos que surgem vindos do nada, para ao fim de alguns minutos desaparecerem para todo o sempre, sobrando apenas aquele pequeno acorde ou aquele pequeno lalalala. Dent May é um músico que nos chega do Sul dos EUA (Jackson – Mississippi), e que possui como referencias Serge Gainsbourg e Lee Hazlewood, isto irá atribuir uma característica fortemente kitsch e old-fashioned á sua música, mas ao contrário das suas referências os temas de Dent May são primaveris e festivos, lembrando permanentemente amplos espaços verdes.
Dent May aproxima-se imenso da estrutura musical de Jens Lekman, a principal diferença resida talvez na forma mais aberta que May tem de expor as suas canções. Onde Lekman é um feliz desgraçado, Dent May é felicidade em forma crua. The Good Feeling Music of Dent May & His Magnificent Ukulele é um disco perfeito para este fim de primavera, abram definitivamente as esplanadas, já não há retorno possível. A satisfação é dominador comum desta época do ano, mostrem-na não tenham vergonha, um sorriso não custa nada e faz bem á pele.
Momento Mágico: Meet Me In The Garden
Dent May & His Magnificent Ukulele - The Good Feeling Music of Dent May & His Magnificent Ukulele (2009) – Paw Tracks

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2009/05/25
Circlesquare
Com a saída de Pre-Earthquake Anthem (2004), Jeremy Shaw deixou-nos uma grande duvida:
- qual seria o caminho a traçar pelo seu projecto Circlesquare? Se há 5 anos atrás não conseguimos desvendar o mistério, com o lançamento de Songs About Dancing And Drugs tudo se mantêm na mesma ou melhor quase na mesma, isto porque com este novo trabalho há um aprofundamento da técnica, transformando este novo disco numa experiencia perfeitamente híbrida, onde a dualidade pop/electrónica surge ainda mais vincada.
Songs About Dancing And Drugs é a nova aventura solitária de Jeremy Shaw, um disco onde o minimalismo pop se revolta com o que está definido e se propõe a criar canções com uma grandiloquência quase épica, onde os sentimentos são expostos ao ar livre. A estranha melancolia de Circlesquare é narrada sem limites nem áreas circunscritas, tudo flui de uma forma natural e reflectido. Songs About Dancing And Drugs não é um disco imediato, precisa de maturação e fermentação, é para ser degustado com calma, sem pressa, há na sua interioridade, na sua essência, imenso conteúdo e para o conseguir interpretar, é necessário deixar libertar o seu odor em toda a sua planitude.
Songs About Dancing And Drugs é pop quase dançável, ou melhor é electronica quase “popável”.
Momento Mágico: Bombs Away, Away
Circlesquare - Songs About Dancing And Drugs (2009) – !K7

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2009/05/22
Peter Broderick (Concerto)
COIMBRA - VIA LATINA - 2009/05/21
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Nils Frahm (Concerto)
COIMBRA - VIA LATINA - 2009/05/21
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2009/05/18
Woven Hand (Concerto)
LEIRIA - TEATRO MIGUEL FRANCO - 2009/05/18
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Nuno Rancho (Concerto)
LEIRIA - TEATRO MIGUEL FRANCO - 2009/05/18
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2009/05/05
Bob Dylan
3 anos após Modern Times, o maior poeta cantor da historia moderna americana, está de volta e com isso regressa ao nossos ouvidos o ar agastado e quente de uma América que apesar de conhecida por muitos, apenas consegue ser vivida por alguns. Dylan é contador de historias, uma criador de fabulas, um inventor de rituais, um clérigo sem religião, só uma coisa lhe interessa, libertar-se das suas milhentas e sumarentas historias, há nele uma necessidade de expulsão de ideias, ideais e sonhos. Together Through Life é um exorcismo em forma de road-book, nele está desenhado o caminho libertador de toda uma nação, a recente transformação politica nas terras do Tio Sam, terá inundado de optimismo e de esperança o espírito de Dylan.
Se há coisas que dificilmente se descrevem Together Through Life é uma delas, e garanto que não é devido ao seu grau de complexidade, mas sim a sua impressionante eficácia e simplicidade.
Momento Mágico: Life Is Hard
Bob Dylan – Together Through Life (2009) – Columbia

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2009/04/26
Mono
Começando pelo fim:
- em “Everlasting Light” desenha-se um objecto sombrio carregado de simbolismo épico, não falta nada, tudo é pensado ao pormenor;
- “Pure As Snow (Trails Of The Winter Storm)” como o título do tema pressupõe, é tratado branco, onde as normas foram pré-acordadas para que todas as fórmulas não sejam postas em causa. Temos assim um tema duradoiro, onde a alegria é o princípio de tudo, criando um mundo sem defeitos e perfeitamente orientado;
- “Silent Flight, Sleeping Dawn” é um perfeito tratado de miséria, tudo é tristeza, tudo é infelicidade, é preciso uma intensa auto-estima para conseguir ouvir a espaços que a esperança existe;
- “Burial At Sea” tem dois tempos, o primeiro surge como um cortejo fúnebre de um enigmático chefe da camorra italiana, pé ante pé, passo após passo caminha-se sofridamente para a última morada. No segundo tempo surge o renascer do seu herdeiro, já tudo foi consumado, já tudo foi chorado, a vida continua e nada nos pode derrotar;
Os japoneses Mono residem na mesma mansão onde habitam uns Mogwai ou uns Explosions In The Sky e andam nesta vida já há quase dez anos, Hymn To The Immortal Wind é o seu quinto disco de originais e o terceiro consecutivo com a marca do produtor Steve Albini. Albini é um mago da produção, consegue mais que qualquer outro tirar o máximo dos músicos e posteriormente dedicar-se ao rendilhar da obra, fazendo com que qualquer banda ganhe outra dimensão, uma outra visibilidade.
Hymn To The Immortal Wind está repleto de magia, são descargas e descargas de energia a sair pelos amplificadores, que ao entrarem nos nossos ouvidos, se convertem em torrentes descontroladas de felicidade. Há no universo de Mono, algo que lhes dá o direito de abusarem do nosso estado mental, a sua música abre fronteiras psíquicas, há uma quebra nas regras de bom senso, reduzindo tudo a um simples e incontrolável sorriso.
Momento Mágico: Burial At Sea
Mono - Hymn To The Immortal Wind (2009) – Temporary Residence

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2009/04/08
Dan Deacon
A quantidade de energia lançada aos nossos ouvidos, sob forma de enxame de electrónica descompassada, provoca um agradável sentimento de felicidade. Há algo na musica de Dan Deacon que é difícil de conter, temos mesmo que nos libertarmos, há que pular e saltar, aliás o ideal será mesmo mandar saltos mortais á retaguarda. A electrónica indie de Dan Deacon é mais do que um ritual, é um sinfonia sintética, onde o desconhecido cruza a velocidades ultra-sónicas, todas extremidades dos nossos neurónios.
Bromst desassossega o nosso sossego, transpõe para o mundo real a inundação de ideias que passam pelo (louco) cérebro de Dan Deacon. Ao longo de 11 temas somos expostos a radiações quase mortais e só com uma brutal capacidade de sobrevivência, ainda assim e apesar de conseguirmos sair desta experiencia pelo(s) nosso(s) próprio(s) pé(s), só com muito custo vamos conseguir mantê-los em sossego. Bromst é cativante e fortemente viciante, é uma nódoa que difícil sai. Um dos grandes de 2009, podem confiar.
Momento Mágico: Snookered
Dan Deacon – Bromst (2009) - Carpark

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