Os Levi’s Unfamous Music Awards são uma iniciativa da Levi’s de premiar o talento desconhecido de tantas bandas nacionais que por aí andam! E o único que as bandas que têm interesse em concorrer tem de fazer é ir a nossa página LEVI'S AWARDS, e onde diz PARTICIPE preencher a informação da banda e escolher e meter lá o single preferido deles e que também melhor os classifique como banda! O júri estará composto por membros da Levi’s®, MySpace, Match Your Sound e Blitz, que escolherão dois dos finalistas e o 3º será por votações no site, e a apresentadora será a Filomena Cautela!
Até dia 12 de Abril as inscrições estão abertas e dia 19 serão dados a conhecer as três bandas finalistas, que irão vão tocar ao lado da Linda Martini no Music Box, MUSICBOX, no dia 23 de Abril às 23h, na Gala da 2ª edição dos Levi’s Unfamous Music Awards, e para o primeiro lugar, a banda mais votada, um prémio de 3000 euros em dinheiro para lançarem a sua carreira musical!
E quem quiser vir assistir ao concerto poderá comprar os bilhetes antecipadamente (8€ ) através do site BLUETICKET, ou no dia do evento na porta (10€).
Foi sensivelmente há 3 anos, que Dan Snaith (na altura acompanhado por Koushik Ghosh) nos presenteou com um soberbo disco, de seu nome Andorra. Por essa altura construiu um disco de electrónica inteligente, reinava nele toda uma atmosfera de obra clinicamente pensada, sendo o ouvinte contaminado de uma forma lenta, mas verdadeiramente deliciosa, provavelmente um dos melhores discos dos 00’s dentro do género. Ora muito bem, se Andorra era conceptual, Swim é um leve piscar de olhos a algumas coisas (muito boas) que por aí andam, assim de repente vêm-me à memória nomes como Kelley Polar, Junior Boys, Metro Area ou seja electrónico-pop de vertente quase dançável, um disco fortemente apelativo ao mais diverso tipo de remix. Swim é sem dúvida diferente do que eu estaria à espera, fui apanhado em contra pé, mas isto não quer dizer seja um disco menos conseguido, apenas prova que certos músicos ainda nos conseguem surpreender e Snaith veste essa pele na perfeição, não se formatando, nem impondo limites vai criando a sua carreira a seu belo prazer.
A solarenga e turística Florida dá-nos a conhecer desta vez os Surfer Blood, uma banda invadida por guitarras, onde a voz cristalina de John Paul Pitts marca o ponto de ordem. Astro Coast é o nome seu debut álbum e dificilmente conseguiriam melhor apresentação, a fluidez dos seus acordes e riffs, transmitem a pura noção de destreza e simpatia primaveril, coisa que todos estamos tão necessitados, depois deste prolongado e chuvoso Inverno. Com “Floating Vibes” abrem-se as portas de Astro Coast e assim se chega a essa exótica praia do Sul, mar calmo, esplanada deserta e de refrescos (leia-se cervejas) gelados. “Harmonix” é clara como o cristal, deliciosos os acordes em harmónica, tirando logo ao inicio da canção. O inicio de “Neighbour Riffs” cheira a Stone Roses por todos os acordes, está lá tudo, a cadência, a afinação das guitarras. Surfer Blood não são tão perfeitos como os The Shins, não arriscam um passeio indie como fazem os Vampire Weekend e não são tão certinhos como os Weezer, ainda assim cumprem na perfeição a sua função. A vertente mais cinematográfica dos Surfer Blood atribui-lhes um universo de banda sossegada, banda de canto de bar, banda que tema após tema vai criando nas nossas mentes localidades que apesar de longínquas, conseguem estar logo ali ao virar da esquina.
Momento Mágico: Anchorage
Surfer Blood - Astro Coast (2010) - Kenine Records
Ao contrário da grande maioria das coisas que tenho lido na net, eu não conhecia de todo este velho ancião, é bastante provável que já tivesse em tempos, lido o seu nome algures, mas nunca o suficiente para o fixar (coisa que entretanto já resolvi, indo ouvir quase todo o material dos anos 70 deste autor). Toda esta explosão de palavras à volta do nome de Gil Scott-Heron, tem como principal detonador as suas próprias palavras. Passo a explicar, Gil Scott-Heron é um poeta que canta, usa o vocabulário como arma de revolta num mundo povoado de problemas sociais, usos e abusos, tudo isto tendo como base o “faz como eu digo e não como eu faço”, visto ele próprio padecer desses problemas. Após uma longa paragem Gil Scott-Heron regressa a estúdio e grava I’m New Here, o que não deixa de ser um título caricato para um autor, que conta com mais de uma dúzia de álbuns gravados. I’m New Here é um álbum de um sexagenário, a quem o tempo apenas deu destreza de espírito e amplitude de vida, musicalmente é perfeitamente actual, estando a par dos seus pares. O ambiente poético que nasce logo no inicio de I’m New Here é a prova de que o velho Gil Scott-Heron regressa de um sítio doloroso, de um lugar sombrio e de privação; com “Me And Devil“ visita as linhas sonoras negras e sombrias de Burial produzindo uma zona profundamente obscura; em “I’m New Here” é um cantautor folk de palha ao canto da boca; “Your Soul And Mine” um loop mental, completo com um poema austero; “New York Is Killing Me“ um choro repetitivo, um canto urbano de sofrimento. I’m New Here que é já um dos grandes discos de 2010, peca apenas pela sua curta duração, quando começa a penetrar-nos a alma e fazer-nos felizes acaba, problema de fácil resolução, basta clicar novamente no play.
Momento Mágico: Me And The Devil
Gil Scott-Heron - I'm New Here (2010) - XL Recordings Ltd.
O álbum de estreia desta nova banda que nos chega de Manchester, vem carregado de energia por todos os lados, a sensação com que se fica ao ouvir pela primeira vez Acolyte é que alguém abriu a porta do cárcere e de lá saíram em desespero 4 rapazes com uma enorme vontade de liberdade. São imensas as bandas que persistem, em querer carregar aos ombros, uma responsabilidade (que nem sempre é fácil de assumir) de continuarem a produzir os sons mais electro-dancáveis dos anos 80, são assim os Delphic. Percorrendo o mesmo caminho que uns Klaxons ou que uns The Rapture, a banda liderada por Matt Cocksedge e por Richard Boardman traçam um disco de pura indie dance marcada por sons de uma bateria fortemente acelerada e por um sintetizador omnipresente, a tudo isto junta-se na perfeição a guitarra eléctrica e a voz angustiada de James Cook, a soma de tudo faz de Acolyte um disco quase instantâneo.
Acolyte irá funcionar (caso não me engane) como um verdadeiro hype, irá surgir de mansinho, para depois crescer até onde a vista alcança, é um disco que tem diversas frentes, que poderá usar em seu próprio benefício, basta que para isso a divulgação e promoção funcione da forma correcta, eu deste lado vou vendo/lendo (e ouvindo) o que acontece.
Que isto ia acontecer já eu sabia, era uma tudo uma questão de tempo, bastava fazer e publicar a minha lista de 2009, para descobrir logo de imediato um disco que podia (e deveria) ter feito parte dela, seja como for as listas passam e a música fica (isto devia deixar-me mais confortável, mas afinal não deixa). Posto isto vamos ao que interessa, a banda comandada por Peter Silberman anda nisto já há algum tempo e ao 4º disco os The Antlers assinam um disco repleto de tons obscuros, Hospice é um disco onde vive (e se vive) o Outono, está apinhado de tonalidades acastanhadas que quando mergulhadas nas neblinas criadas por Silberman trazem á tona a solidão, a saudade e a austeridade. O mundo criado por Hospice é um mundo bipolar, sulca caminhos percorridos a espaços, onde a tudo é dado uma atenção redobrada. Hospice é uma viagem épica-psicadélica, amortecida aqui e ali pelas paredes almofadas da instituição.
Muito se tem dito e muito se tem escrito, à volta das coisas que B Fachada vai fazendo na música, e o que vai surgindo na imprensa escrita ou nas linhas etéreas da net, vai desenhando um artista que se odeia ou que se ama irredutivelmente. Pessoalmente confesso que até ao Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado (2009), ouvi-a com respeito, mas não o conseguia levar completamente a sério, teimava em vê-lo como uma espécie de Manuel João um pouco mais erudito e nada mais que isso. É desta forma e seguindo este argumento, que parti em direcção B Fachada (o álbum), sem compromissos e com normais expectativas. Sabendo que não vou ser levado completamente a sério, vou afirmar que B Fachada, o disco homónimo e segundo deste ano de Bernardo Fachada, é provavelmente a melhor coisa que ouvi cantada em português nos últimos 10 anos (apetecia-me dizer mais…), um disco intimista e repleto de pequenas histórias, as quais Fachada conseguiu dar a ironia perfeita. B Fachada pode parecer um diamante em bruto, mas deixando entrar a luz em certos ângulos e tomando atenção a todas as suas verdadeiras formas, reparamos que é uma peça preciosa como poucas. A abertura feita a “Responso Para Marido Transviado” marca o ponto de partida, para uma aventura entre a língua portuguesa e deliciosa voz de Fachada; “Cantiga de Amigo” é construída sobre a estrutura harmoniosa de rhodes, que mantém coesa toda a canção; “O Desamor”é uma viagem sem sair do sítio, é o perfeito retrato da eterna partida adiada, usando a palavras de Fachada “… não é preciso dor, para provar o desamor”; “A Velha Europa” é um carrossel mágico onde não se paga bilhete; “Tempo Para Cantar” é aquele tipo de canção perfeita, não há nada para dizer; a pura diversão “Estar à Espera ou Procurar” sai com a intenção de quebrar a melancolia do disco, ainda assim funciona como um calmante relaxante, um suave bater de pé.”A Bela Helena” é uma história idílica sobre o ciúme, construído com um brilhantismo inigualável, um tema lindíssimo; é com “Kit de Prestidigitação” que tenho a primeira noção do único defeito do disco, é curto, passa depressa… B Fachada transformou-se num cantor adulto, num músico a serio, entrou para a lista dos músicos portugueses que merecem um altar.
O ano está quase no fim, aqui e ali vão surgindo as listas dos melhores albuns do ano (o meu está em construção e sairá muito em breve - fiquem atentos). Fica para já um dos melhores temas de 2009.