2007/01/08

Escolhas 2006 - Carlos S. Silva

Calexico – “Garden Ruin”



The Strokes – “First Impressions of Earth”



Band of Horses – “Everything All The Time”



Arctic Monkeys – “Whatever People Say I Am, That’s What I'm Not”



Belle & Sebastian – “The Life Pursuit”



Midlake – “The Trials Of Van Occupanther”



Cansei de Ser Sexy – “Cansei de Ser Sexy”



The Decemberists
– “The Crane Wife”



Tiga – “Sexor”



Charlotte
Gainsbourg – “5 55”



Muse – “Black Holes and Revelations”



Thom Yorke – “The Eraser”



Peter Von Poehl – “Going To Where The Tea Trees Are”



Grant Lee Phillips – “Nineteeneighties”



The Killers – “Sam’s Town”



KT Tunstall – “Eye To The Telescope”

2007/01/06

Lambchop

Negativamente conotados com o country, a sonoridade dos Lambchop ultrapassa o próprio estilo a que estão ligados. Combinando ainda o soul e o jazz, é uma estrutura sonora avant-garde ou se quisermos alt-country. Mas no fundo o estilo é Lambchop. A sua música tem classe e elegância. Diria mesmo que veste Armani.
Damaged, o seu mais recente e provavelmente melhor disco de sempre, reflecte precisamente essa imagem. Dez temas poéticos, pequenas histórias sobre os detalhes mundanos do nosso quotidiano, como a fraqueza humana, a reflexão, a solidão ou amizade.
Kurt Wagner, líder da banda (que neste álbum são cerca 15 elementos), é um contador de histórias, e Damaged é talvez a sua história.
“Paperback Bible”, tema de abertura, é um momento único magnificamente repetido por mais nove vezes.
É impossível ficar indiferente ao tom clerical e melancólico da voz de Kurt Wagner, onde o rigor da dicção é tão valorizado como a pausa e o silêncio. Um disco para aquelas preguiçosas manhãs de sábado, em que vamos ficar contemplativamente deitados a escutar até à última faixa. Por muito que o ouçamos, parecerá sempre que ainda há mais a ouvir.

Momento Mágico: Paperback Bible


Lambchop - "Damaged" (2006) - Merge

2007/01/03

The Black Angels

Ás Cores

O Psychadelic-Rock está bem vivo e recomenda-se. Esta banda podia ter nascido algures nos anos 60, fruto de uma relação entre uma empregada de um qualquer bar á beira de uma estrada e de um motard posteriormente morto no Vietname.
Os Black Angels vão buscar as suas influências, a bandas tão antigas como 13th Floor Elevators ou The Velvet Underground ou a bandas tão modernas como os Black Mountain ou Brian Jonestown Massacre, aliás todas estas bandas poderiam ser ramificações uma das outras, vivem num mundo perfeito, onde tudo é às cores e onde abundam os psicotrópicos.
A voz de Alex Mass cola com frequência à voz de Stephen McBean (Black Mountain / Pink Mountaintops) e quando isso acontece, eu perco completamente a minha capacidade de observador/ouvinte isento (qualquer duvida, consultem a minha lista de 2007, um pouco mais abaixo). A ele juntam-se mais 5 elementos, de onde quero destacar duas meninas, com forte influência no resultado final, Stephanie Bailey (Bateria e Percussão) e Jennifer Raines (Drone Machine e Órgão).
Há mantra, há choque de gerações, há uma brutalidade resultante de um passado de conflito, há rock puro e duro, há um mundo colorido…

Momento Mágico: Manipulation


The Black Angels
– “Passover” (2006) - Light In The Attic

2006/12/31

Escolhas 2006 - Edgar J. Domingues

Pop, Rock, Alt, Indie


Mountain Goats, The
– “Get Lonely”


Midlake – “The Trials Of Van Occupanther”


Band of Horses – “Everything All The Time”


Sonic Youth – “Rather Ripped”


Peter Von Poehl – “Going To Where The Tea Trees Are”


Electrónica, Amb, Dance Music…


Fujiya & Miyagi – “Transparent Things”


Junior Boys – “So This Is Goodbye”

Bent – “Intercept!”

Ellen Allien & Apparat – “Orchestra Of Bubbles”

Os melhores pensos de 2006

Pink Mountaintops – “Axis Of Evol”


Grizzly Bear – “Yellow House”

TV On The Radio – “Return To Cookie Mountain”

Band Of Horses –“Everything All The Time”

Oneida – “Happy New Year”

Psychic Ills – “Dins “

Peter Von Poehl – “Going To Where The Tea Trees Are”

Midlake – “The Trials Of Van Occupanther”

Isobel Campbell & Mark Lanegan - “Ballad Of The Broken Seas”

M. Ward – “Post-War”

Flaming Lips, The – “At War With The Mystics”

Chad VanGaalen – “Skelliconnection”

Archie Bronson Outfit – “Derdang Derdang”

Asobi Seksu – “Citrus”

Early Day Miners – “Offshore”

Weatherman, The – “Cruisin’ Alaska”

Parts & Labor – “Stay Afraid”

Brightblack Morning Light – “Brightblack Morning Light”

Man Man –“Six Demon Bag”


Swan Lake – “Beast Moans”

Sparks – “Hello Young Lovers”

Dead Combo – “Quando A Alma Não É Pequena - Vol. II”

Ed Harcourt – “The Beautiful Lie”

Islands – “Return To The Sea”

Ladyhawk – “Ladyhawk”

Pajo – “1968”

Sunset Rubdown – “Shut Up I Am Dreaming”

Junior Boys – “So This Is Goodbye”

Destroyer – “Rubies”

Gossip, The – “Standing In The Way Of Control”

Pink Mountaintops

Disco do Ano

Para ultimo texto do ano, guardei o melhor. Claro que esta coisa, de escolher o melhor de entre várias dezenas de cd’s, tem muito que se lhe diga, mesmo tentando ser o mais objectivo possível, logo se cai no mar da subjectividade, onde tudo é complicado de ordenar e classificar, mas pronto, este é o meu disco do ano.
Existe no timbre de voz de Stephen McBean algo que me deixa num pacífico estado de euforia. Musicalmente “Axis Of Evol” pode soar a uns Spacemen 3 ou mesmo aquela fase “Psycho Candy” de Jesus And Mary Chain (e não sou eu que digo, estou mesmo a plagiar um artigo da net).
Quando Stephen McBean se envolve em qualquer projecto (Jerk With A Bomb, Black Mountain), normalmente resulta em Psychadelic-Rock, no caso especifico (Axis Of Evol) nasce Drug-Rock, que mais não é do que rock arrastado, hipnótico, quase psiquiátrico, em que o combustível principal, é quase sempre uma substancia ilegal (“New Drug Queens”). Stephen McBean vai resistindo a esse lado negro e construindo canções enormes, onde a temática sexo e deus se cruzam com uma frequência impressionante e onde a busca da libertação emocional é imagem de marca.
Se não podem ir à montanha, que venha a montanha a vós e sejam felizes.

E já agora, feliz ano de 2007.

Momento Mágico: Lord, Let Us Shine


Pink Mountaintops – “Axis Of Evol” (2006) – Jagjaguwar

2006/12/28

Archive

Luzes

Lights é a reinvenção, a luz de uma nova aurora. A saída de Craig Walker do colectivo britânico Archive, rompeu com a sonoridade dos álbuns predecessores e dá lugar a um não menos virtuoso Pollard Berrier, que empresta eficazmente a voz à maioria das faixas deste disco.
A energia mutante dos Archive, revela-se num disco hipnótico, meticulosamente lírico, habitando atmosferas melancólicas (“I Will Fade”, “Taste of Blood”), oníricas (“Lights”), e de electro-rock (“Sane”, “System”).
Um registo com menor pendor trip-hop que o debutante “Londinium”, menos sombrio que “Noise”, ressentindo-se, por vezes, da ausência de alguma da magia que predomina no brilhante “You Look All The Same To Me”. Momento épico do disco é seguramente a faixa homónima, “Lights”. 18 minutos, que revisitam “Again”, mas apenas nesse aspecto. Tema complexo, repartido entre o instrumental e o vocal, evocando o rock progressivo Floydiano. Inicia com piano minimalista, e em escalada cronometrada ao pormenor, juntam-se a electrónica, a bateria e as guitarras, notas corais e por fim a voz rasante de Berrier.
É pura emoção, é a grande viagem. Lights requer uma audição cuidada e sem pausas. No final, garanto-vos, do todo resultará uma agradável e inesperada homogeneidade

Momento Mágico: Lights


Archive - "Lights" (2006) - Warner

2006/12/26

Linda Martini

Bando de Guitarras

O EP homónimo tinha sido já, um excelente cartão de apresentação, com a edição de “Olhos de Mongol”, ficam provadas duas coisas:
- a maturidade musical de uma banda de “miúdos”; e
- que alguns sectores do rock português, são altamente recomendáveis.
Por águas já dantes navegadas (God Is An Astronaut, Isis, Pelican, Red Sparowes), os Linda Martini edificam a sua habitação pós-rock. Ao constante corrocel de 3 guitarras em delírio rítmico, muitas vezes quase cósmico, junta-se um baixo bailarino e uma bateria muito competente (atenção a este baterista, prevejo um grande futuro nestas baquetas).
2006 marca sem dúvida, o início da caminhada desta jovem banda, espero que seja longo esse caminho e cheio de distorção, para já conseguiram editar o melhor álbum de rock do ano. Aguardo com grande expectativa concerto ao vivo.

Momento Mágico
: Dá-me A Tua Melhor Faca


Linda Martini
– “Olhos de Mongol” (2006) – Naked