2006/12/10

Tom Waits

O Mestre

Se há musico que consegue, concentrar á sua volta uma imensidão de fã(naticos) e ao mesmo tempo ter uma legião de pessoas que o odeiam, esse musico responde pelo nome de Tom Waits, e isto deve-se fundamentalmente a uma circunstância, Tom Waits não é fácil, não está ao alcance de todos. Eu sou suspeito para emitir opinião, estou a falar de um dos meus músicos favoritos e autor de duas obras que acho essenciais e obrigatórias – “Swordfishtrombones” (1983) e “Rain Dogs” (1985).
Tom Waits nasceu certamente num cabaret fumarento, onde o cheiro a bafio e a álcool, vive lado a lado com um contrabaixo e piano, e onde fazer musica é um acto descomprometido e banal, porque é assim que os temas por si criados soam.
Depois de ter andado a desenterrar raridades e abri baús empoeirados, Tom Waits apresenta-nos um no disco (triplo) cheio de temas nunca antes editados (raridades, lados-b e afins) e tem uma ideia de génio ao chamar a essa “colectânea” Orphans.
Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards, mais não é do que a prova de que qualquer coisa que este senhor compõe, tem excelentes condições para se transformar numa obra-prima. Se isto é o que ele vai pondo de lado, imaginem o resto.
Momento Mágico: Road To Peace


Tom Waits
- “Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards” – (2006) - Anti

2006/12/08

Sinoia Caves

No Espaço

Jeremy Schmidt é o teclista/organista/synthetista dos Black Mountain, logo haverá à partida, uma dose maciça de “psychadelismo” perfeitamente assumido. Lançado em 2002, sofre agora uma remasterização e uma reedição, pela Jagjaguwar.
Sinoia Caves mostra o lado oposto dos projectos por onde andou (ou anda) Jeremy Schmidt, o que temos aqui é um electronic-rock, repleto de um imaginário cósmico.
“The Enchanter Persuaded” é uma viagem interplanetária com direito a paragem no planeta terra, para visitar Air, cumprimentar os Pink Floyd e dar um abraço a Rick Wakeman.
Este álbum é um constante flutuar, um sobe e desce permanente, é ao mesmo tempo sufoco sonoro e libertação. Para ouvir vezes sem conta.

Momento Mágico: Naro Way


Sinoia Caves
– “The Enchanter Persuaded” (2002/2006) - Jagjaguwar

2006/12/05

The Format

Problema Com o Cão?

O carrossel roda e a minha cabeça também, há festa na aldeia e a alegria é contagiante, vamos todos dançar até o sol sorrir.
Formados no Arizona, esta dupla de amigos, complementam-se na perfeição, um canta e o outro toca (grande coisa, há imensas bandas assim). A enorme diferença é que esta banda formatam-nos a nossa alma pop e põe-nos a tocar pandeireta invisível e cantarolar pela rua fora.
Existe um cocktail de instrumentos, há piano, há guitarra, banjo, secções de sopro, palmas e palminhas e que misturados de uma forma surpreendente, resultam em algo simples, mas super eficaz, fazendo com que a maioria dos temas fiquem no ouvido à primeira audição, dando a entender que conhecemos o disco desde de sempre.
A voz de Nate Ruess é (por vezes) estridente e se não fossem as descomprometidas composições de Sam Means, provavelmente perder-se-ia uma excelente dupla, tem de existir algum movimento cósmico que junte as pessoas aos pares (na musica, e não só).

Momento Mágico: Pick Me Up


The Format – “Dog Problems” (2006) -The Vanity Label

2006/12/01

Grant Lee Phillips

Cover-Man

Há alguns anos atrás tropecei neste nome, então com apelido “Buffalo” rodava então o álbum “Mighty Joe Moon” (um disco obrigatório), decorria então o ano de 1994 e no ar pairavam os restos da explosão grunge, iniciada em Seattle mas que rapidamente cobriria todo o planeta. Os anos passaram e o Grant Lee (agora com o seu apelido verdadeiro) Phillips, já mais maduro (gosto desta definição vinícola), apresenta já aquele que é o seu 4º álbum, agora a solo.
E para este novo registo, Phillips decidiu e quanto a mim muito bem, agarrar em músicas de outros intérpretes (da sua geração) e dar-lhes uma nova roupagem, sim estamos perante um disco de covers. Ora um disco de versões, acarreta normalmente uma certa dose de responsabilidade, principalmente se alguns dos temas escolhidos forem “The Eternal” [Joy Division]; The Killing Moon [Echo & The Bunnymen] ou Boys Don't Cry [The Cure].
Para quem nunca ouvi falar, de Grant Lee Phillips este é um óptimo ponto de partida, estamos perante um dos melhores songwriters do anos 90. Grant Lee tem uma voz inconfundível, forte e cheia de carácter.

Momento Mágico: City Of Refuge [Nick Cave]


Grant Lee Phillips – “Nineteeneighties” (2006) - Zoë.

2006/11/28

Albert Hammond Jr.

O Guitarrista dos Outros

Quando me cruzei, com este nome pela primeira vez, pensei de imediato num disco de Blues, mas enganei-me redondamente é um disco pop-rock pleno de temas convincentes e de grande eficácia.
Sem ser algo de surpreendente, consegue cumprir a rota traçada, para além de repleto de guitarras ingénuas, vive também um teclado omnipresente e uma bateria e baixo quase sem significado, mas necessários. O elemento que une, tudo isto é a voz de Albert Hammond Jr. (guitarrista dos Strokes – sim sim, aquele do cabelo estranho) e dessa união surgem canções perfeitamente formatadas, mas que sabem muito bem.
Seja como for é um disco simples e que soa muito bem neste Outono, cheio de dias de preguiça, moleza chuva e de folhas no ar.

Momento Mágico: Bright Young Thing


Albert Hammond, Jr – “Yours To Keep” (2006) - Rough Trade

2006/11/26

Sparklehorse (Concerto)

STª. MARIA DA FEIRA - GENTE SENTADA - 2006/11/26



Ed Harcourt (Concerto)

STª. MARIA DA FEIRA - GENTE SENTADA - 2006/11/26

2006/11/25

Adam Green (Concerto)

STª. MARIA DA FEIRA - GENTE SENTADA - 2006/11/25





Fotos: Xana

Fink (Concerto)

STª. MARIA DA FEIRA - GENTE SENTADA - 2006/11/25



Foto: Xana

Stuart Robertson (Concerto)

STª. MARIA DA FEIRA - GENTE SENTADA - 2006/11/25



Foto: Xana

2006/11/22

Horse Feathers

Uma Casa na Pradaria

Algures na América rural, alguém roça um violino, uma simples voz de entoação singela em constante duplicação e as cordas metálicas de um banjo constroem uma casa na pradaria, onde alguém repousa de jardineiras arregaçadas, com os pés dentro de um pequeno riacho, palha ao canto da boca, enquanto faz jogos mentais ao tentar descobrir o formato das nuvens.
E como no romance de Laura Ingalls Wilder, onde tudo nos parece familiar, o pequeno projecto de Justin Ringle (a outra metade é Peter Broderick) usa (e abusa) desse apelo aos mais íntimos sentimentos de família. Assim encontramos união e folk, sentimos amor e pop, harmonia e (quase) country.
No universo de Horse Feathers, habitam os Iron & Wine e o multinstrumentista Peter Broderick divide o seu quarto (e a sua habilidade) com David Eugene Edwards (16 Horsepower / Woven Hand).
Um dos grandes discos de estreia de 2006.

Momento Mágico: Finch On Saturday


Horse Feathers – “Words Are Dead” (2006) – Lucky Madison


2006/11/19

Benoit Pioulard

O Rapazito

Há guitarra acústica, há uma imensidão de sons electrónicos, há também a voz de Benoit Pioulard (aka Thomas Meluch, um rapazito de 21 anos) e tudo isto misturado faz surgir ambientes atmosféricos enovoados, povoados aqui e ali de suaves sonhos.
O multi-instrumentista Thomas Meluch vai construindo o seu castelo, de forma moderada e bastante ordenada, tudo tem de ter lógica, tem de haver uma muralha, mas também tem de haver uma porta e é por ela que sai ou melhor é por ela que nós entramos e nos sentamos na sua companhia.
O resultado de todo este esforço, é um soberbo álbum orgânico e cerebral que dá pelo nome “Précis”, onde se mescla o mundo electrónico de Fennesz, com o de José Gonzalez ou mesmo com o estranho planeta habitado por Elliot Smith.
Précis chega de uma forma sossegada a 2006 e é provável que vá passar despercebido, a maioria dos mortais, o que é pena, estamos perante um belíssimo disco.

Momento Mágico: Needle & Thread


Benoít Pioulard – “Précis” (2006) - Kranky


2006/11/16

J. P. Simões

Chico Buarque de Portugal

Vou ser honesto, ao princípio não gostei, aliás cheguei a comentar na brincadeira com um amigo, que devia ser condenado por plágio. Depois, porque sou teimoso e porque cada vez me sabe melhor ouvir os discos imensas vezes, começou a fazer sentido, a ganhar ritmo e a construir um caminho lógico.
Depois dos Belle Chase Hotel e do Quinteto Tati, o ex-Pop Dell’ Arte J.P. Simões, surge com o disco de Bossa Nova perfeitamente sambavel e aquilo que ao princípio poderá parecer estranho, irá tornar-se bastante familiar à posterior. Outra coisa de que estava à espera, era da ironia e do sarcasmo que J.P. Simões me habituou, mais uma vez o engano, o álbum está repleto de belas canções, todas elas sentidas, cheias de amor, paixão, afecto, amizade…
J.P. Simões escreve de uma forma natural e sem ser complexo, o que se irá reflectir na forma rápida e eficaz como os temas entram no nosso íntimo, transmitindo um enorme bem-estar. J.P. Simões é provavelmente (no momento) o melhor escritor de canções que mora por aqui (cá).

Momento Mágico: 1970 (Retrato)


J.P. Simões – “1970” (2006/2007)

2006/11/12

erro! (Concerto)

COIMBRA - FNAC - 2006/11/11 - 22:00



2006/11/11

Badly Drawn Boy

Mal Desenhado

Depois da desilusão que foi “One Plus One Is One” (2004), estava um pouco apreensivo em relação ao novo disco de Badly Drawn Boy (Damon Gough), pensei que tivesse colocado a viola no saco. Mas não, decidiu continuar e volta cheio de força criativa em 2006 com “Born In The U.K.” um album que para alêm de reflectir um pouco de toda a sua carreira (não, não é um Best Of), vem confirmar a sua completa devoção a Bruce Springsteen. A ajuda-lo na produção deste novo trabalho, Damon Gough contou com a ajuda Nick Franglen dos Lemon Jelly, que acrescentou imensa luminosidade a todos os temas.
A clareza da sua voz e a presença firme da sua guitarra, leva-nos ao longo do disco a uma viagem pelo firmamento pop e é durante esse passeio que encontramos personagens comuns a este universo musical (José Gonzales; The Kings Of Convenience).

Momento Mágico: Nothing's Gonna Change Your Mind

Badly Drawn Boy – “Born In The U.K.(2006) - Astralwerks


2006/11/08

Beach House

Á Beira Mar

Se houver uma praia assim, tem de estar vazia, isolada e certamente enovoada. Não faz sentido ser um paraíso, tem de ser uma curta enseada, bonita é certo, mas de difícil acesso e onde gente feia faz nudismo. Bem no meio da praia, uma casa podia ter um nome pomposo, mas não ficou-se pelo obvio Beach House e quem lá habita?
Mora lá uma vozinha apurada, ao principio um pouco estranha, mas depois começa a clarear e ao fim de um bom par de audições já brilha intensamente. A essa voz juntam-se sozinhos electronicos avulso e uma slide-guitar tocada ao estilo do Hawai.
Os Beach House são um duo (Alex Scally e Victoria Legrand) americano de Baltimore, formado em 2005 e em menos de um ano conseguem criar um dos mais belos álbuns de 2006, o que para disco de estreia não é nada mau.
Sonhar é bom, principalmente à beira mar.

Momento Mágico
: Tokyo Witch


Beach House
– “Beach House” (2006) – Carpark

2006/11/01

Uphill Racer

A Chuva e Tal

O Outono e os seus dias de chuva trazem consigo estas coisas, melancolia, arrastamento de gestos, um slow-motion permanente, o delicioso prazer de nada fazer, preguiça no seu estado mais puro.
Ora os Uphill Racer (apesar do nome), chegam até nós de uma forma serena e tranquila, dizem “estamos aqui”, mas quase ninguém os consegue ouvir.
O projecto solitário de Oliver Lichtl, cumpre a tarefa para a qual foi pensado, levar o ouvinte a ambientes electrónico-pops bem construídos, onde voam orquestrações perfeitas, acompanhadas de guitarra e piano e com a sua intensa e quente voz a suportar toda esta estrutura.

Momento Mágico: “Break The Bone Start The Show”


Uphill Racer – “No Need To Laugh” (2006) – Normoto


2006/10/29

Snowden

Do Contra?

A particularidade da voz de Jordan Jejuares (que por vezes, parece ter sido colorada de Julian Casablanca – vocalista dos Strokes), reflecte ao mesmo tempo desespero e esperança. Canta como se o dia de hoje, fosse o ultimo e transmitindo ainda assim confiança no dia de amanhã.
Os sons que se ouvem de “Anti-Anti”, é pós-punk com uma pitadinha de “shoegazing” eléctrico, há guitarras que soam a My Blood Valentine, há vozes vizinhas de Arcade Fire e há o rock de Art Brut e de Interpol. Sendo que a comparação com estes últimos é inevitável, apesar da diferença de qualidade.
A energia da bateria, é um convite imediato a um leve bater de pé, as guitarras hipnóticas fazem abanar a cabeça, de forma ritmada, enfim é uma subtil chamada ao rock-dance.
Um jovial disco de estreia.

Momento Mágico: "Like Bullets"


Snowden – “Anti-Anti” (2006) – Jade-Tree

2006/10/28

Camera Obscura (Concerto)

COIMBRA - TAGV - 2006/10/26 - 21:30



2006/10/24

Pajo

Simplicidade

É possível compor, tocar, cantar (e encantar) de forma simples?
Será necessário, estar constantemente a carregar os discos, de altas e caras produções?
As respostas encontram-se no novo álbum de (David) Pajo e nem é preciso ser grande especialista para o reconhecer.
Pajo usou toda a sua argúcia e capacidade criativa e deu à luz um disco introspectivo, penetrante e delicado, onde o típico som americano está presente, mas sem afirmar especificamente o seu género.
Num passado recente, passou e colaborou com inúmeros projectos (Tortoise; Arial M; Zwan) e são essas experiências que o vão enriquecendo e amadurecendo, tornando-o num músico de grande sensibilidade.
Usando as palavras dele “God bless the day I find you…”

Momento Mágico: "Let It Be Me"


Pajo
– “1968 (2006) – Drag City

2006/10/21

Peter Von Poehl

Algures na Floresta

Senhores e Senhoras Peter Von Poehl.
O objectivo a que se propôs é conseguido com naturalidade, destreza e sangue na guelra, sons simples e produção requintada, tudo isto servido numa travessa folk-pop, acompanhado de uma bateria singela, de dedilhados de guitarra opaca e de um saxofone planante.
No eléctrico-acustico das suas composições, vive uma alegria imensa, um desespero intenso, uma necessidade gritar ao vento “eu estou aqui, ouçam-me”.
"Going To Where The Tea Trees Are" é o primeiro (de muitos, espero) álbum deste viking nórdico nascido sueco. As suas baladas à "la Air são um convite à fuga, um convite à nostalgia, carregam nos ombros doses maciças de desencantamento, Peter Von Poehl usa a sua capacidade vocal para embelezar o mundo à sua volta, ao fazê-lo cria um universo pacifico e generoso.

Momento Mágico: “The Story Of The Impossible”

Peter Von Poehl – “Going To Where The Tea Trees Are” (2006) - Tôt ou Tard

2006/10/18

Myslovitz

Pop de Leste

O que esperar de uma banda polaca? Sim, da Polónia e a cantar em polonês (como dizem os brasileiros). Podemos esperar, sem qualquer problema uma banda perfeitamente pop, modesta e despretensiosa.

Não me parece, que queiram atingir qualquer objectivo, porque se esse fosse o seu destino, usariam o subterfúgio de todas as outras e cantariam em inglês. Como resultado conseguem, criar um disco cheio de óptimas canções e se calhar até carregado de boas letras (isto se eu as entendesse).
De qualquer forma, a formula resulta e a banda (fundada já há alguns anos - 1992), consegue prender a nossa atenção até ao final do disco, e encontrando-se aqui e ali alguns excelentes momentos.

Momento Mágico
: "Nocnym Pociagiem Az Do Konca Swiata"



Myslovitz - "Happiness Is Easy" - (2006) - EMI Music Poland


2006/10/14

Vincent Delerm

Le Garçon
Ao terceiro álbum a confirmação.
Na linha da mais pura "chanson francaise" e depois da obra (para mim prima "Kensington Square") Vincent Delerm já não supreende, antes confirma.
É um excelente cantor, dono de uma voz intensa e dramática e um compositor carregado de subtileza, conseguindo criar verdadeiras pérolas pop, mas sempre sem sair da forma clássica, de que muitos dos autores franceses nos habituaram.
Nostalgia e melancolia (e ironia - ouvir o single "Sous Les Avalanches") são os alicerces deste novo registo, gravado algures num bosque na Suécia, com ajuda do musico sueco Peter Von Poehl, e que em conjunto, conseguiram dar a quase todos os temas um aspecto cinematográfico, como se cada um das canções fossem pequenas curtas-metragens, pequenas paisagens musicadas.
O efeito final é elegante e repleto de classe, á boa moda francesa, é um disco fino e lindíssimo.
Disco francês do ano.

Momento Mágico
: "Les Jambes De Steffi Graf"


Vincent Delerm - "Les Piqures d'Araignée" (2006) - Tot Ou Tard

2006/10/11

Oakley Hall

Trans-Country

Vou classificar isto de "strange americana", isto porque parece quase, mas não chega a ser. É demasiado às cores, para ser americana, mas também não chega a ser psicadélico, apesar de tentar. É trans-americana ou melhor é country transvestido de rock.
Formado por um ex-Oneida e agora editados pela Jagjaguwar, tem de se esperar um som típico e carregado de guitarras (aliás este álbum é exemplar nesse aspecto). Ainda mais estranho, que tudo isto é a banda ser de Brooklyn, NY, o que é que andam a por na água destes gajos?
Existe ao longo de todo o disco, um trabalho apurado, apaixonado e orgânico, que irá resultar numa uniformidade musical única. Imagino (tenho quase a certeza) que um disco destes, irá por a cabeça em água a muitos amantes do country americano, isto porque (muitas vezes) promete e não cumpre e digo: "ainda bem! rock & roll".

Momento Mágico: "Lazy Susan"


Oakley Hall - "Gypsum Strings" - 2006 - Jagjaguwar

2006/10/07

Scott Walker

(Sem comentários)





Momento Mágico: "Clara"


Scott Walker - "The Drift" (2006) - 4AD

The Paper Chase

Estranho q. b.

Psicose. "Lunatismo". Doença mental. Será possível haver equilíbrio por aqui?
Indie Rock. Hip-Hop. Punk. Electrónica. Poderá haver lógica nisto (se tudo for misturado)?
Claro que sim, tudo depende da nossa capacidade de encaixe. Há que ter a mente aberta e constantemente preparada para receber os convidados mais inesperados (duvidas, tomem atenção ao nome dos temas).
No início tudo parece complicado e complexo, mas ouvindo o disco em loop, surge no horizonte cenários perfeitamente identificáveis (Modest Mouse; Xiu Xiu; Faith No More).
Ouvir e consumir com moderação (depois não digam, que eu não avisei).

Momento Mágico: "We Know Where You Sleep"


The Paper Chase - "Now You Are One Of Us" (2006) - Kill Rock Star

2006/10/05

Charlotte Gainsbourg

Filha de Peixe Sabe Nadar

É filha do pai e filha da mãe. Do pai herdou a arte, da mãe a beleza.
Produzido pelo duo Air e com a mãozinha de Jarvis Cocker (Pulp) e Neil Hannon (The Divine Comedy), a bela Charlotte "vai formosa e não segura" pela rua com a sua carteira a tiracolo e os seus longos cabelos negros ao vento.
Dificilmente se consegue, dessassociar a sua voz, à sua imagem. Toda ela está carregada de sexo, toda ela transpira sensualidade, chego a sentir o cheiro da sua pele.
Ouvindo o disco com atenção, avistamos por várias vezes o fantasma Gainsbourg (pai), não só pelas partes orquestradas, mas tambem pela forma sussurante como canta.
É um album sofisticado e cheio de classe e no verdadeiro caminho do estilo "Gainsbourgiano" (apesar da grande responsabilidade que isto pode acarretar - a confirmar em próximos trabalhos)

Momento Mágico: "5:55"


Charlotte Gainsbourg - "5:55" (2006) - WEA/Atlantic

Oceanographer

Flutuar

Um belo e prolongado por de sol, daqueles em que o céu fica cheio de tonalidades alaranjadas e o aroma que paira no ar é quente e doce, é o que sente aos primeiros acordes de "On Leaping From Airplanes". É lento e sossegado, é melancólico e alegre, enfim é emocional (e muito).
A forma como todos os instrumentos são tocados e o resultado que daí advém, provoca-me relaxamento total, aliás quase que equiparo isto a uma sessão de massagens, sendo que estas são dadas nos tímpanos, o que pode parecer estranho, mas não é.
Um disco perfeito, para ver as folhas a cair das árvores.

Momento Mágico: "Lydia, You're Fading"


Oceanographer - "On Leaping From Airplanes" (2006) - One Mountain

Phantom Ghost

O Fantasma

Mistério ou misterioso será, uma enorme ajuda para identificar este disco.
Ao ouvi-lo paira no ar, o fantasma de alguém e esse alguém não é obrigatoriamente algo morto e caso fosse preciso contrariar este pensamento, é que esse espectro teria as feições de John Cale.
Há alguma (muita) electrónica neste disco, mas também há imenso piano e muita corda de guitarra, o que prova que este duo germânico consegue equilibrar de uma forma muito dinâmica o elemento orgânico e o electrónico, criando com isso ambientes nocturnos e hipnóticos.
A criação de tais elementos, leva-nos a um suave pairar ou seja breves momentos levitação, onde perdemos contacto com o nosso elemento corporal.

Momento Mágico: "All Is Hell"


Phantom Ghost - "Three" (2006) - Lado Musik


2006/10/03

Ghostland Observatory

Electro-P(h)unk?


Volta e meia a parecem bandas, onde o poder da dança apesar de disfarçado é o mote principal.
São assim os Ghostland Observatory (excelente nome), dançáveis até mais não.
E isto porque, atrás das máquinas Thomas Turner, faz nascer um electro-p(h)unk cheio de batida e inundado de sozinhos das mais diversa espécie, para completar o ramalhete aparece à voz de Aaron Behrens, que ao principio se estranha, mas que logo se entranha e dá sentido à coisa.
Estes dois amigos (como eles se gostam de intitular) de Austin debitam energia e sensações, que nos fazem no mínimo bater o pé e no máximo saltar e despentear toda a gente que nos rodeia.
"Paparazzi Lightning " é um daqueles discos, que está no limiar de imensos géneros, é electro, mas também é punk, é funk mas também rock, é um bom disco e também é um grande álbum.

Momento Mágico: "Midnight Voyage"


Ghostland Observatory - "Paparazzi Lightning" (2006) - Trashy Moped

2006/10/01

Midlake

Super Pop


Elegância será sem duvida o adjectivo perfeito, para esta banda do Texas. O estilo sonhador/lo-fi dos Midlake faz-me abrir as asas e voar bem alto, sem rumo, sem sentido, mas com esperança.
O permanente jogo de vozes, é uma delicia, é repousante, é precioso...
Se há por aqui Grandaddy, também há Simon & Garfunkel, se há Iron & Wine, também há Flaming Lips, enfim há fundamentalmente Midlake é isso que importa.

O resultado final, apesar de simples, é de uma delicadeza extrema, sem duvida um dos grandes álbuns de 2006.

Momento Mágico: "In This Camp"


Midlake - "The Trials of Van Occupanther" (2006) - Bella Union

2006/09/28

The Hidden Cameras

Uaooo


Se em 2004 me tinham espantado com "Mississauga Goddam", em 2006 chega a confirmação, "Awoo", é um álbum íntimo, precioso e directo. A construção deste proto-pop que nos chega do Canadá, na voz de um tal de Joel Gibb, lider-pai dos Hidden Cameras, é absorvente e lindíssimo.
Ao fim de algumas audições, a sensação que fica é que o conheço desde sempre. E é uma sensação óptima, isto porque este disco remete-me constantemente a lembranças passadas e isso acontece por duas razões:
1º - não há qualquer tipo de inovação;
2º - é pop pura e dura.
Li algures na net, a seguinte definição "gay church folk music", gosto, concordo e ri-o baixinho.
Deixo uma pergunta no ar: Será que sou o único, a sentir na voz de Gibb, uma vibração tão genuinamente Stip(e)iana?

Momento Mágico: "Heji"


The Hidden Cameras - "Awoo" (2006) - Arts & Crafts

2006/09/26

Camera Mágico

Vá Para Fora e Fique Por Lá


Isto é tão 60's, imagino vestidos às bolinhas e sapatinho de verniz. A voz – não, a vozinha – da Tracyanne Campbell está no ponto ideal, apesar de dar a sensação que vai quebrar a qualquer instante, mantêm-se firme do princípio ao fim de cada tema.
Intimista e sentimental a musica dos Camera Obscura é natural, como as paisagens da Escócia (de onde são naturais), li algures a palavra "Pastoral" e é isso mesmo que eles são.
Ao longo do disco, os 10 temas correm e escorrem de uma forma simpática e sem deixar qualquer tipo de mágoa ou sentimento de culpa.
A confirmar no próximo dia 26 de Outubro, em Coimbra no TAGV - Saber Mais -.


Momento Mágico: "Lloyd, I'm Ready To Be Heartbroken"


Camera Obscura: "Let's Get Out of This Country" (2006) - Merge

2006/09/22

Magoo

Acne Juvenil

Um pé na electrónica e uma mão na pop, e aí vão eles caminhando lentamente pela avenida, enquanto cantam "la la la las" sem fim, senhores e senhoras os Magoo (nome potencialmente idiota, mas é mesmo só isso, potencialmente).
Fresco e saboroso, devia ter sido ouvido no início do Verão, mas por algum motivo desconhecido, chegou com a folha caduca.
Poderia referir influências, mas seriam tantas as bandas que cabem neste disco, que não vou ser maçador, até porque, é esse exercicio mental que cria uma certa relação e uma certa apatia entre o ouvinte e a banda.
Todo o disco é juvenil, é primário, simples e repleto de lugares comuns, enfim é quase inocente.
Quero ter borbulhas, outra vez.

Momento Mágico: "Golden Tones"


Magoo - "The All Electric Amusement Arcade" (2006) - Series 8


2006/09/21

Sparklehorse

Sombra ou Mel


No universo que me rodeia, muita coisa só faz sentido, com a existência de amizade. Preciso de amigos. E isto porque? Qual a razão?. A resposta é simples, o vácuo, odeio o vácuo, o vazio, o nada, o silêncio, tudo isto me provoca azia.
Encontrei um novo amigo, é sofisticado, carismático e cheio de pinta. Transmite paixão e irradia simpatia por todos os poros.
Mark Linkous e os seus Sparklehorse são meus amigos e sou amigo deles.
Vou-lhes abrir a porta de minha casa e deixá-los entrar, vem também…

Momento Mágico: "Shade And Honey"

Sparklehorse - "Dreamt For Light Years In The Belly Of A Mountain" (2006) - Parlophone



2006/09/20

Chad VanGaalen

O Canadiano

A voz quase sempre longínqua é o cartão de visita deste senhor. Chega-nos aos ouvidos como se fosse um eco, uma voz do alem e que muitas situações fica no limiar da desafinação.
Se por vezes aparece eléctrico, noutras surge-nos acústico (aqui e ali temperado por uma perfeita harmónica), seja como for o resultado são canções simples mas carregadas de alma. Nota-se um completo relaxamento na forma de compor os temas, não há complexidade nenhuma, tudo simples, extremamente simples, mas sempre muito eficaz.
Há uma imensa estrada a percorrer, espero que demore a chegar onde pretende, para já a única coisa que lhe peço é que a percorra a este ritmo, a esta velocidade de cruzeiro, porque quando passa liberta um imenso perfume sonoro.

Momento Mágico: “Dead Ends”


Chad VanGaalen - "Skelliconnection" (2006) - Sub-Pop

2006/09/17

M. Ward

O Pós-Guerra

Há neste senhor algo de Will Oldman, há também um Ryan Adams mas mais ébrio, ao mesmo tempo há imensa ingenuidade, daquela como se tivesse a fazer tudo isto pela primeira vez (coisa que nem é verdade, visto este ser o 5º álbum de originais).
Pela primeira vez, M. Ward usou uma banda de suporte, durante o processo de gravação, o que confere ao disco arranjos musicais excelentes, bem construídos e que reflectem um apurado profissionalismo.
O resultado é um disco repleto de paisagens solarengas e cheias de poeira, e onde normalmente o que está para acontecer, fica só pela intenção (sem que isto seja nada de negativo, antes pelo contrário)

Momento Mágico: "Magic Trick"


M. Ward - "Post-War" (2006) - Merge

2006/09/14

Grizzly Bear

A Melancolia Vive Numa Casa Amarela

A melancolia pode viver algures, entre vozes perdidas na bruma e o bater de coração mais acelerado de alguém, que se perdeu na mais negra das florestas.
Estamos sem dúvida, perante um disco emocional.
Há dedilhados de guitarra, tocados de uma forma descontraída, como se nada fosse importante.
Existe uma despreocupação musical, que faz todo o sentido e faz toda a diferença.
Enfim, existe um voar sem tirar os pés do chão.

Momento Mágico: "Knife"

Grizzly Bear – “Yellow House” (2006) - Warp

2006/09/13

Nasceu Hoje

Numa época em que todos ou quase todos, têm um blog, porque não havia de ter eu um?
A ideia é simples, relatar as muitas coisas que vou ouvindo, de uma forma nada ou quase nada profissional, não pretendo nem tenho intenções de alcançar algo... apenas arquivar os meus pensamentos...

2006/08/26

2007 - António Antunes

01 Electrelane – No Shouts No Calls

Quando ser simples é sinónimo de eficácia. Fabuloso disco, maravilhoso concerto.
Tram 21

02 LCD Soundsystem – Sound Of Silver

O rock dança-se e a dança rocka-se…
North American Scum

03 Jens Lekman – Night Falls Over Kortedala

O Sr. Crooner…
Sipping On The Sweet Nectar

04 Map Of Africa – Map Of Africa

Elecletico q.b.

05 Panda Bear – Person Pitch

Animal no singular
Comfy In Nautica

06 Radiohead – In Rainbows

Mestres
Bodysnatchers

07 No Age – Weirdo Rippers

Psiquiátrico
Everybody's Down

08 Odawas - Raven And The White Night

Twin Freaks
Alleluia

09 Of Montreal - Hissing Fauna, Are You The Destroyer?

Paranóia Pop
Heimdalsgate Like A Promethean Curse

10 Fog - Ditherer

Enovoado
Your Beef Is Mine

Le LoupThe Throne Of The Third Heaven Of The Nations' Millennium General Assembly
Lightning DustLightning Dust
Burial Untrue
Arcade FireNeon Bible
Chris GarneauMusic For Tourists
Jacob GoldenRevenge Songs
BeirutThe Flying Club Cup
GravenhurstThe Western Lands
VoxtrotVoxtrot
Animal CollectiveStrawberry Jam
CaribouAndorra
Andrew Bird Armchair Apocrypha
Richard SwiftDressed Up For Letdown
Blonde Redhead23
Rogue WaveAsleep At Heaven's Gate
Low Drums And Guns
Radical FaceGhost
Foreign BornOn The Wing Now
Yeasayer All Hour Cymbals
BattlesMirrored