2007/04/02

John Mayer

Revolução Blues

John Mayer não é um nome consensual no universo indie, muito embora a sua ascensão como músico tenha as suas raízes no verdadeiro espírito “do it yourself”, tão característico deste, alicerçada que foi em tournées em bares de Atlanta e bootlegs trocadas entre os fãs locais.
O novo disco Continuum demonstra que as recentes colaborações com nomes como B.B. King, Buddy Guy ou Herbie Hancock, não foram obra do acaso, assim neste trabalho, John Mayer opta por uma sonoridade em que predomina, essencialmente, o Blues, muito embora se reconheçam elementos R&B, Folk, Gospel, Rock e Pop, na sequência do que havia feito em trabalhos anteriores, especialmente em Room For Squares e Heavier Things.
Desde logo se realça a capacidade de John Mayer, para se afirmar como um brilhante singer/songwriter, para além do enorme talento que tem como guitarrista, no entanto não se esvazia aí o potencial deste disco, na verdade a inteligência que demonstra para reflectir sobre a condição humana não pode deixar ninguém indiferente e indicia o porquê de ser considerado “herdeiro” de lendas comos Sting, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan e Steve Winwood.
É sem qualquer dúvida o disco mais conseguido da sua carreira, introduz novos elementos ao seu estilo musical, não desilude, mas ainda não é a obra-prima que muitas pessoas entendem estar ao seu alcance.

Momento Mágico: Slow Dancing in a Burning Room


John Mayer - Continnum (2006) - Sony

2007/04/01

Old Jerusalem (Concerto)

COIMBRA - FNAC - 2007/03/31





2007/03/27

Odawas

Twin Freaks

Laura Palmer vestida de negro, verruga no nariz e de pêlo na venta, atravessa a porta de luz e descobre a beleza que pensava não existir. É este o espaço cinematográfico criado por Odawas, uma espécie de Angelo Badalamenti from Hell. Os Odawas são a sombra dos sons de Badalamenti, vivem na ala psiquiátrica do seu cérebro, onde a esquizofrenia coabita com os cantos angélicos e hinos de louvor.
O segundo trabalho de Odawas, é uma obra perfeita. Está assente em alicerces temáticos, e por isso pode ser folk-ambiental “When God Was A Wicked Kid”, tem o ambiente fumarento de um qualquer cabaret negro “Getting To Another Plane” onde uma guitarra Guilmoriana chora mágoas e tem uma perfeita pérola negra “Alleluia” onde a voz arrastada e destroçada de Michael Tapscott é o veículo perfeito para nos transportar para um qualquer Western-Spaghetti de Sergio Leone.
A manta de retalhos criada pela totalidade dos temas, faz deste Raven And The White Night, um fabuloso álbum, um diamante em bruto, cabe a cada um de nós lapida-lo, se bem que haverá quem nem sequer lhe puxe o lustro e o consuma cru.
Momento Mágico: Alleluia


Odawas
Raven And The White Night (2007) - Jagjaguwar

2007/03/24

Calla

Callados?

Ao falar dos Calla sou suspeito, pois não são mais que a minha banda predilecta. Não me perguntem porquê, nem eu sei. A languidez melancólica do rock produzido por estes nova-iorquinos e a voz torturada de Aurélio Valle, deixam-me agradavelmente depressivo. Assim aguardava ansiosamente pelo seu quinto disco. Mas Strength In Numbers acabou por soar a ligeira decepção. Ainda com os ouvidos viciados no antecessor Collisions, um disco atmosférico mas magnificentemente negro e melancólico quanto baste, o último álbum de Calla soou a cacofonia onomatopeica, guitarrada desordenada em desespero de causa. No conjunto é um disco sem harmonia. Ao contrário do trabalho antecessor e de Televise, é um disco inacessível, um niilismo. Não obstante, o género negro, frio e depressivo a que os Calla nos habituaram continua presente, o romantismo negro marca algumas linhas: “If I Fail, if I rise/will you trail behind?”, a guitarra acústica envolve e não desilude. Por isso, “Strength In Numbers” contém, ainda assim, temas que não decepcionam: “Sleep In Splendor”, “Stand Paralyzed”, “Malicious Manner” e “A Sure Shot”, são exemplo de que os Calla continuam fiéis a um estilo que se tornou a sua marca registada. Não termino sem referir que continuam a ser a minha banda favorita, mas quem calla consente e eu não me podia calar. Venha o sexto álbum.

Momento Mágico: Stand Paralyzed


Calla - Strength In Numbers (2007) -
Beggars Banquet

2007/03/22

Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI

Heróis do Punk, Nação Valente

Qual é a verdadeira razão, dessa coisa chamada underground existir? Estamos perante bandas, que se recusam a inserir no meio musical comercial/mainstream? Ou são automaticamente, postas de parte pela indústria que gere o próprio meio (rádios / Tv’s / jornais / etc)? Gostava, um dia de ler uma resposta lógica e bem fundamentada e não uma resposta repleta de desculpas e cheia de lugares comuns.
O micro planeta punk-metal-rock português existe, tem saúde e recomenda-se, se alguma dúvida houver escutem a excelente colectânea “Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI”. O serviço prestado pela Editora Impulso Atlântico, é louvável e merece todo o mérito, não só porque luta contra o sistema instalado, mas fundamentalmente porque consegue reunir 50 bandas num CD duplo e apresentá-lo ao público, com uma qualidade invejável de produção e com uma arrumação (alfabética) bastante curiosa.
E assim de um pouco mais de duas horas, somos arremessados ao tapete várias vezes. Bandas como Acromaniacos, Coiratos Violentos, If Lucy Fell, Mata-Ratos, Peste & Sida, The Parkinsons, etc, mostram toda a sua capacidade sónica, para provar que Portugal não é o eterno país do fado. Punk Rock está vivo e transpira (literalmente) som por todos os poros.

Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI
(2006) – Impulso Atlântico


A Visitar - IMPULSO ATLÂNTICO

2007/03/17

Brett Anderson

O Miudo-Pop

As feições são de miúdo, pelo menos não consigo olhar para ele e ver um homem adulto, em contrapartida é um senhor no que concerne a criação de temas pop. Brett Anderson esteve no meio da explosão que foi o Britt-Pop dos anos 90, aliás, nesse fenómeno esteve a banda de que era vocalista, os Suede, responsável por dois discos, que marcam a pop britânica dos últimos 20 anos Dog Man Star e Coming Up. Agora, Brett Anderson, chega a 2007 na aventura do “álbum a solo” e consegue-o de forma impressionante, num álbum dramático, emocional e até filosófico (ouça-se “The More We Possess The Less We Own Of Ourselves”). Uma verdadeira orquestração de emoções.
Sente-se, apesar de tudo, aqui e ali uma falha na estrutura musical (afinal falta Bernard Butler, o outro Suede). Mas o song-writer está em grande, transborda de romantismo, nascem flores a cada refrão, temas como “Colour Of The Night” ou “To The Winter” demonstram que o amor é livre e é o que queremos que ele seja. Neste debut, Brett Anderson distancia-se do estilo que caracterizou os Suede, evitando o alternativo e o Britt-Pop. O que fica patente: os Suede não estão mortos, apenas estão em hibernação, ficaremos atentos.

Momento Mágico: Love Is Dead


Brett Anderson - Brett Anderson (2007) - Drowned In Sound

2007/03/14

If These Trees Could Talk

100 Voz

São imensas a bandas, que sintonizam este programa, o chamado post-rock ou cosmic-rock (como eu gosto de lhe chamar). A viagem espacial iniciada na primeira descarga de bateria, leva-nos em mach 3 até aos anéis e saturno, para depois subir e descer como se uma montanha russa se tratasse, as rápidas imagens cerebrais criadas por If The Tree Could Talk, baralham os sentidos, obrigando a um constante arrumar das ideias.
O duelo ou melhor o trielo entres os (3) guitarristas de Akron (USA), serve quase sempre como mote, como pontapé de saída, e eles juntam-se a bateria e o baixo e de onde na teoria poderia surgir noise rock, sai melancolia, fragilidade, sinceridade…
If These Trees Could Talk são uma banda cheia de vontade, transbordam electricidade estática (de por os pêlos em pé), reflectem longas paisagens lunares, onde o eco e a profundidade de todos os sons, são sinais de fumo visíveis a várias milhas de distância.

Momento Magico: Smoke Stacks


If These Trees Could Talk
– “If These Trees Could Talk [EP]” (2006) - Procedure Records

2007/03/11

Kaiser Chiefs

Cumprir Calendário

Perdoem-me a expressão, tantas vezes utilizada no vernáculo futebolístico, mas é a sensação que deixa Yours Truly Angry Mob.
No novo disco os Kaiser Chiefs não se conseguem separar da herança de Employment, a sua estreia, contudo isso não constitui, necessariamente, um aspecto negativo, efectivamente introduzem canções que surpreendem, sem que as mesmas se afastem daquilo que se conhece à banda e, em última análise, superam o sempre difícil obstáculo que constitui o segundo disco da carreira.
Muito embora comece de forma desalinhada, gradualmente ganha corpo e atinge um patamar que nos leva a recomeçar a audição, essencialmente, porque contém uma descrição mordaz, com laivos humorísticos, da vida no Reino Unido nos dias de hoje, principalmente as angústias existenciais da classe trabalhadora e da classe média britânicas “The Angry Mob”, do ambiente decadente dos pubs, cheios de adolescentes “High Royds” e do impacto que o sucesso teve na sua vida “Thank You Very Much”, “Learnt My Lesson Well” e “Retirement”.
Resumindo, e recorrendo novamente às expressões de carácter futebolístico que até não são completamente descabidas uma vez que o nome da banda resulta da equipa sul-africana onde jogava Lucas Radebe, antigo central do “Leeds Utd.”, clube da sua terra natal, os Kaiser Chiefs “cumprem calendário”, conseguem os “três pontos”, mas ficamos a aguardar o disco em que vão aliar “ a exibição ao resultado final”, algo que entendo serem capazes de fazer.

Momento Mágico: I Can Do It Without You


Kaiser Chiefs - Yours Truly Angry Mob (2007) - Universal/Polydor

2007/03/06

Panda Bear

Animal Singular

Mais vale só, que mal acompanhado, é o provérbio a contrariar a ouvir o novo trabalho de Panda Bear aka Noah Lennox, isto porque a solo vale tanto como acompanhado, a diferença é que sozinho é mais autónomo e menos complexo.
Nelson Mandela poderia ter sido libertado, ao som de “Comfy In Náutica”, um verdadeiro hino libertador, repleto de cor e com intenso cheiro a terra. “Bros” é uma paranóia solarenga, coberta de vocalizações e com um curto loop que estende para lá do por de sol, a Califórnia pode ser onde o homem quiser, com ou sem Beach Boys. O vazio cerebral, provocado pela audição (continua) de "I'm not"... é um autêntico clister-mental.
Person Pitch não é imediato, nem repentino, é folk-psicadélica com psicose acentuada, inundada de samplers e micro-sons, é a procura de algo conhecido, no desconhecido. Ao 2º álbum afirma-se sem qualquer dúvida: uma parte pode, ser tão perfeita como o todo.
Um grande disco. Primeiro disco do ano sem fim... para ir descobrindo.

Momento Mágico: I’m Not


Panda Bear
Person Pitch (2007) – Paw Tracks

2007/03/03

Richard Swift

O Homem dos Balões

Richard Swift está de volta.

- E quem é ele? Perguntam vocês.
E eu respondo
- É o Sr. Simplicidade.
Swift nasceu há 30 anos na Califórnia e apesar de muitos dos seus temas, soarem a pop soalheiro, não estamos perante um dos muitos surf-rockers, que por aí andam (e até tresandam), Swift é um artista a sério. O tom dramático com que interpreta os seus temas, o estilo descontraído que daí resulta, aproximam-no de um Rufus Wainwright ou até do grande mestre Brian Wilson (versão mais nocturna), se bem que a comparação, com este ultimo, lhe irá carregar nos ombros uma enorme responsabilidade (a tempos veremos, se a consegue suportar).
Dressed Up For The Letdown, surge como a sequência lógica de The Novelist/Walking Without Effort (álbum duplo de 2005), sendo ao mesmo tempo complemento de uma história e a afirmação de Swift com artista, a partir daqui é dele o mundo.
A voz de Richard Swift, está perfeitamente torneada, já não há defeitos, nem limalhas, atente-se na perfeição vocal de “Ballad Of You Know Who”, perfeitamente cristalina. Com “Kisses For The Misses” existe uma tonalidade irónica, que penso que deve ser explorada, bem como um ambiente tipicamente cabaret. “The Million Dollar Baby” é de uma intensidade sem fronteiras, somos transportados pela sua doce voz e sem querer levantamos voo.

Momento Mágico: Buildings In America


Richard Swift – “Dressed Up For The Letdown” (2007) - Secretly Canadian

2007/02/27

The Shins

Cai o nevoeiro

Os The Shins demonstram, no seu novo disco Wincing The Night Away, que sabem conviver com o sucesso, não se intimidaram com o sucesso e evitam as armadilhas recorrentes, resultantes dessa maior exposição mediática.
Efectivamente este é, sem qualquer dúvida, o melhor disco dos The Shins, a banda evoluiu, amadureceu, evitou os sempre cómodos clichés e cria um belo disco, com várias camadas, no qual predomina um ambiente pesado e misterioso, um pouco como um dia de nevoeiro onde a qualquer momento algo de inesperado pode acontecer, aspecto em que difere bastante dos seus antecessores Oh, Inverted World e Chutes Too Narrow, trabalhos, essencialmente, optimistas e eufóricos.
O novo disco aponta para novas direcções, sem comprometer o espírito indie pop, que os caracteriza, tendo como ponto de partida o que haviam feito em trabalhos anteriores, amplificam os mesmos, a banda está mais versátil e revela canções que, de forma furtiva, se instalam permanentemente no nosso ouvido.
Com este disco, os The Shins provam que são uma verdadeira banda, ao invés de funcionarem como veículo para o seu compositor principal James Mercer, este é um dos discos pop-rock do ano, cheio de grandes canções, que nos prende a cada audição e nos compele a activar o “repeat” no leitor de mp3.

Momento Mágico: Phantom Limb


The Shins - "Wincing The Night Away" (2007) - Sub Pop

2007/02/23

Giardini Di Mirò

Anjos-Negros

Post-rock vindo de Itália é à partida uma coisa estranhíssima, aliás, nem sequer combina (isto na teoria, é claro), porque ouvindo com atenção, se há algo que esta banda de Reggio Emilia conseguiu assimilar e dominar é a construção musical tão tipica de algum do post-rock. Digo algum, porque o que eles agarraram foi à parte romântica, a parte dramática, o ser teatral que vive algures na noite sem luar e onde apenas um pequeno candelabro ilumina a fronteira entre o real e o mundo das sombras.
Giardini Di Mirò são uma dessas bandas, que nos deixam com a estranha sensação, que estamos todos presos, algemados e que a nossa liberdade está iminente, mas que apesar de prevermos a qualquer instante a chegada do justiceiro, ele tarda em chegar. Há como que uma quase liberdade, é como se sentíssemos que nos vão nascer umas asas… umas asas de arcanjo.
Musicalmente muito evoluídos (uma grande voz e um poderoso baixista), Giardini Di Mirò contam com algumas colaborações neste seu novo trabalho e se de inicio podem parecer estranhas, o resultado final é soberbo, é o caso de “Cold Perfection” onde a mão do mago da eletrônica Apparat dá a um toque de profunda imensidão ou ainda “Clairvoyance” com a excelente colaboração de Cyne.
Dividing Opinions irá mesmo dividir opiniões, haverá quem irá gostar muito e quem achar o disco uma banalidade… fica ao critério de cada um.

Momento Mágico: Broken By


Giardini Di Mirò
– “Dividing Opinions” (2007) - Homesleep

2007/02/20

Andrew Bird

O Homem-Passáro

Conta a historia, que ao tocar uma flauta (que era mágica), os ratos seguiram até ao fim da cidade o tocador, livrando assim a cidade da peste. Ora Andrew Bird, consegue com o seu aprumado assobio (que é mágico) fazer a mesma coisa comigo, sigo-o hipnotizado e segui-lo-ei até ao infinito.
Ao 7º disco de originais, o ex-Squirrel Nut Zippers prova que o anterior álbum (The Mysterious Production of Eggs) não foi obra do acaso, mas sim o resultado de uma coisa óbvia, este homem não sabe fazer álbuns maus. Para este one-man-band, a criação musical é uma coisa sábia e natural e se em muitos de nós, existe uma tendência (quase natural) de esquecer bandas/músicos após um excelente disco, neste caso particular não o devemos fazer, nem agora, nem para o que vier no futuro.
Com ajuda de almas preciosas (Dosh e Haley Bonar) Armchair Apocrypha é uma colecção incrível de canções. “Fiery Crash” tem um início intensamente calmo, com “Heretics” atinge-se um enorme bem-estar, “Armchairs” é um tema verdadeiramente belo, cheio de pequenos recantos encantados. Neste novo disco, existe uma maior aproximação ou mesmo uma continuação (como preferirem) ao anterior álbum, do que ao seu passado recente (Weather Systems). Existe um continuar a contar histórias, não há quebra, não há um romper brusco com o passado e o mais interessante disto, é que após várias “escutadelas”, esta óptima sensação continua.
Terá mais episódios, este filme?

Momento Mágico: Armchairs


Andrew Bird
– “Armchair Apocrypha” (2007) – Fat Possum

2007/02/17

2 Many DJ's (DJ Set)

COIMBRA - VIA LATINA - 2007/02/16
(esqueci a máquina em casa)

2007/02/16

Tom Waits

Filhos Bastardos

Fato escuro e chapéu preto marcam o estilo excêntrico deste verdadeiro senhor da poesia cantada. Há mais de 30 anos que escreve, compõe e canta as suas próprias criações. Dono de um género musical frequentemente indefinível, é a voz cavernosa de Thomas Alan Waits que lhe confere carisma e individualidade. Entre uma garrafa de whisky e uma fumaça, num canto mal iluminado de um pestilento bar, resulta inevitavelmente música e poesia, rock ou blues ou outra coisa qualquer.
O seu último disco, são os filhos rejeitados de uma vida inteira dedicada à música. Mais de 50 canções, das quais a maioria é inédita, retiradas do fundo de um poeirento baú, órfãs de uma merecida edição onde pudessem ter sido incluídas. Agora Waits entrega-as finalmente á adopção. Dividido em três cd’s, Brawlers, é a reunião do blues enegrecido e do rock’n roll. Bawlers contém etílicas baladas e temas em piano, enquanto que Bastards, o mais misterioso e sui generis do conjunto, reflecte o lado experimental e cinematográfico do autor.
Orphans é a história revelada, de um homem a quem um dia ousaram vaiar. Em boa e a más horas a escutamos.
Obrigado Tom.

Momento Mágico: Long Way Home


Tom Waits
– “Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards” (2006) - Anti


OUTRO PENSO por António Antunes

2007/02/12

Sunset Rubdown

Por de Sol

A forma desesperada como canta, o sentimento com que o faz, a quase loucura que incute, o doce veneno que imana dos (vários) dedos, a formula perfeita de composição, fazem destes canadianos uma banda de audição obrigatória, passar ao lado deste disco, é perder um melhores discos de 2006.
A entoação demente que Spencer Krug dá à sua voz, mas também a grande qualidade dos arranjos instrumentais dos restantes elementos da banda (Jordan Robson Cramer, Michael Doerksen e Camilla Wynne Ingr), tudo estes factores completam-se e quando isso acontece surge um disco cheio de vitalidade e conforto.
No Lo-Fi construído por Spencer Krug, habitam seres estranhos (David Byrn, David Bowie ou Win Butler), a forma como se entrega, a execução quase psiquiátrica de cada um dos temas, a loucura cinzenta e cerebral, o equilíbrio perfeito entre o mundo real e o catatonico, a procura do desespero, o gritar “estou aqui, olhem para mim.”
Provavelmente o disco, mais injustiçado (esquecido) de 2006.

Momento Mágico: The Empty Threats Of Little Lord


Sunset Rubdown
– “Shut Up I Am Dreaming” (2006) - Absolutely Kosher

2007/02/09

The Earlies

Vozes soltas

Quando nos finais de 2004 tropecei no maravilhoso primeiro álbum desta banda These Were The Earlies fiquei estupefacto, logo foi com grande entusiasmo que ouvi o novo registo The Enemy Chorus. Este novo titulo, não tem eficiência imediata do primeiro álbum, mas tem força suficiente para produzir efeitos a longo prazo, tudo depende do tempo dispendido (cada vez isto, tem mais razão de ser).
A combinação mágica das vocalizações e de toda a ambiência criada, faz dos Earlies, uma banda sofisticada, onde a combinação vozes/música surge com naturalidade e cheia de garra. The Earlies são uma jovem banda e com uma particularidade interessante, meia banda vive no Texas (Brandon Carr e J. M. Lapham) e a outra metade reside em Inglaterra (Christian Madden e Gilles Hatton), esta separação geográfica irá reflectir-se na criação da sua musica, não só pelo factor distância, mas fundamentalmente pela forma como são influenciados, no meio musical onde cada par está inserido.
Hipnótica, psicadélica, colorida, são algumas das formas com a qual podemos adjectivar esta banda, mas não se pense que estamos perante uma banda de gente estranha, a fazer musica para meia dúzia de intelectuais, o resultado final é musica é indie-rock de simples compreensão, onde cabem os Mercury Rev ou os Polyphonic Spree.

Momento Mágico: Bad Is As Bad Does


The EarliesThe Enemy Chorus(2007) – Secretly Canadian


X-Wife (Concerto)

COIMBRA - AR DE RATO - 2007/02/08





2007/02/06

Phoenix

Revolução silenciosa

Os Phoenix, banda francesa formada nos arredores de Paris, chamaram a atenção de muita gente, quando a música “Too Young” foi incluída na banda sonora do filme “Lost In Translation”, da realizadora Sofia Coppola.
Em It´s Never Been Like That, o terceiro da sua discografia, os Phoenix decidiram reformar o seu som, uma estranha fusão “rock”, “disco” e “pop”, que imperava no seu disco de estreia United e no seu sucessor Alphabetical, em detrimento de uma sonoridade assumidamente “pop/rock”.
Esse desejo de mudança fez com que os sintetizadores fossem substituídos por guitarras em despique, criando uma sonoridade que evoca bandas como os The Kooks, os Razorlight ou o até mesmo o primeiro disco dos The Strokes, sem comprometer o espírito “indie pop”, que sempre os caracterizou.
O resultado é o melhor disco das suas carreiras, um claro e decidido salto em frente, os Phoenix finalmente descobriram como criar canções vibrantes, modernas, inteligentes, descontraídas e “upbeat”, que podemos desfrutar descomplexadamente, num dia solarengo à beira mar.

Momento Mágico: Second To None

Phoenix - "It's Never Been Like That" (2006) - Astralwerks

2007/02/03

Mojave 3

Aquecer os dias frios

Puro pop, gracioso, brincalhão, fresco e de uma beleza campesina, são as notas predominantes deste quinto disco dos Mojave 3. São 12 canções cativantes, que inevitavelmente nos fazem sorrir e paradoxalmente choramingar de alegria.
A boa disposição toma-nos quando escutamos temas como “Truck-Driving Man”, “Puzzles Like You”, “Breaking The Ice”, “Running With Your Eyes Closed”, “Ghostship Waiting”, “Kill The Lights” (aliás estas duas ultimas muito semelhantes) ou “To Hold Your Tiny Toes”.
As próprias baladas, “Most Days”, “Big Star Baby”, “You'Ve Said It Before” ou “The Mutineer”, são espontâneas, aquém de qualquer ambiente mais misantropo. É um álbum que no seu conjunto, denúncia um alto astral da banda, percebendo-se que longe vão os tempos da taciturnidade dos primeiros trabalhos como “Ask me Tomorrow” ou “Escuse For Travelers”.
As guitarras pop marcam um ritmo acelerado, incitando ao bater das palmas. Mas a atenção, que o pop/rock de Neil Halstead (líder da banda) não deve ser associado ao comercial, estando antes bem próximo do indie/alternativo, não deixando no entanto de ser despretensioso.
Lançado no Verão passado, passa lindamente nos dias soalheiros de Inverno.

Momento Mágico: Breaking The Ice

Mojave 3
- "Puzzles Like You" (2006) - 4AD

2007/01/31

!!!

Chk Chk Chk

O cruzamento sónico entre a pop e dance music tem muito destas coisas, batidas compassadas, electroniquices nos intervalos, bateria desequilibrada, enquanto ao largo um baixo groova a grande ritmo, para interligar tudo isto, uma voz calibrada umas vezes na pop e outras no disco-sound (por vezes com uso ao falsete e tudo).
“Myth Takes” usa as mesmas regras musicais, que os anteriores registos se bem que agora a máquina está muito mais oleada, temas como “Must Be The Moon” ou “Yadmus” são obrigatórios nas pistas de dança dignas desse nome (que hoje em dia, são quase inexistentes).
Ao 3º disco confirmam, que a atenção que lhes foi dada durante 2005, por parte da imprensa e do público (estiveram presentes, na edição desse ano do Festival de Paredes de Coura), foi (e é) perfeitamente justa e adequada.
Seja como for, os !!! (Chk Chk Chk), quase que são e não são ao mesmo tempo, fica a meio caminho do nada e de tudo, são extremamente dançáveis, existe um apelo inexplicável ao constante “abanamento d’anca” e ao mesmo tempo são uma banda sossegada cheia de ritmo, onde com um simples bater de pé se consegue ser feliz.

Momento Mágico: Heart Of Hearts


!!! – “Myth Takes” (2007) - Warp

2007/01/29

Arcade Fire

O (difícil) 2º Álbum

O hype criado à volta da cena canadiana, onde cabem nomes como Wolf Parade, Pink Mountaintops, Chad VanGaleen e tantos outros, deve grande parte da sua visibilidade aos Arcade Fire. Nascidos em 2003, lançam no ano seguinte Funeral, que para bem ou para o mal, deixará a sua marca vincada nos anos 00’s.
Com a chegada, do mais que aguardado Neon Bible, a questão que se levanta é:
- Serão capaz de resistir, ao sempre traumático 2º álbum?
Analisando com toda a atenção, o novo trabalho verifica-se que existe continuidade no tipo cuidado de produção, que os arranjos orquestrais continuam na perfeição, que a voz de Win Butler e de Régine Chassagne estão mais “afinadas” que nunca e que a interacção entre todos os elementos nunca estiveram tão perfeitos.
A intensidade “Keep The Car Running”, a grandiloquência de “Intervencion”, a loucura contida em “No Cars Go”, são sinónimo de uma perfeita e controlada formula na criação de canções, há brilhantismo, há um pé na genialidade e outro na loucura, existe algo inexplicável, há algo telepático, sente-se mas não se explica, mas melhor que a descrição exaustiva de todo o disco, é passar à sua audição.
Neon Bible
não é tão álbum, como foi o Funeral. É bom, mas...
Se Funeral é mais perfeito, com os temas a encaixarem na perfeição, uns nos outros criando o efeito de pequena história contada, em regime de fábula. Em Neon Bible a coisa soa mais a colectânea, existe quebra notória de tema para tema, não existe uma ligação natural, sendo que até existe um tema “No Cars Go” já era de todo conhecido.
Nem todas as bandas (grandes ou pequenas), conseguem subsistir ao poder do 2º disco, principalmente quando o primeiro, neste caso Funeral, tenha atingido tamanha aclamação por parte do público e dos media.
Neon Bible conseguiu superar a prova, siga para o 3º disco.
Ah, é preciso um concerto ao vivo, com urgência.

Momento Mágico
: My Body Is A Cage


Arcade Fire – “
Neon Bible” (2007) - Merge Records

2007/01/24

Of Montreal

Paranóia q.b.

Os Of Montreal já me tinham passado pelos ouvidos, se bem que nessa altura não me provocaram qualquer tipo de sensação, apesar de ter retido algures no meu cérebro o nome de um anterior álbum “Satanic Panic In The Attic” (2004), mas apenas como uma vaga lembrança.
Kevin Barnes a alma da coisa, combina suas perfeitas melodias pop, com as ambiências quase dançáveis, daí surgindo musicas saltitantes e provocadoras como “Heimdalsgate Like A Promethean Curse”, com um refrão absolutamente demolidor e sem defeito.
Há emoção à solta, há um descontrolo de racional provocado por uma histeria solitária, resultando em letras auto-biográficas, embrulhadas à pressa em electro-funk e anunciadas em falsete, a cavalgada sem fim, iniciada em “The Past Is A Grotesque Animal”, é a imagem acabada disso mesmo.
Ao cantar “I need a lover with soul power…” em “Bunny Ain't No Kind Of Rider”, preenche o resto do menu, fazendo deste álbum um primado a chamada sexy-music, todo o disco é uma continua festa de sexo e sexismo, onde a felicidade é procurada, mas nem sempre encontrada.
O (meu) ano começou em grande.

Momento Mágico: “Heimdalsgate Like A Promethean Curse”


Of Montreal – “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?” (2007) - Polyvinyl

2007/01/20

Air

De regresso

Sempre gostei muito de Air, ao admitir desde o início a minha preferência coloco, desde logo, todas as cartas na mesa.
Enquanto que o último trabalho da banda, “Talkie Walkie”, continha faixas que rapidamente seduziam, o novo disco parece querer colocar a banda em marcha-atrás, abandona esse lado mais “up beat” e apresenta um alinhamento que obriga a várias audições, “Pocket Symphony” é um álbum que se vai revelando, demonstrando uma vitalidade que parecia ausente de início.
É um facto que neste disco se nota a influência de JB Dunckel, e do trabalho feito em “Darkel” o seu projecto a solo, contudo também se encontram elementos de discos anteriores, desde logo na primeira faixa “Space Marker”, que parece saída das sessões que originaram a banda sonora do filme “As Virgens Suicidas”, do mesmo modo que outras faixas seguem o caminho apontado pela música “Alone in Kyoto” (“Talkie Walkie”/”Lost in Translation”), designadamente na utilização de instrumentos da música tradicional oriental, como o “Koto”, espécie de cítara, e o “Shamisen”, conhecido como banjo japonês.
Muito embora lhe falte a genialidade, presente em “Moon Safari”, não deixa de ser um bom disco, ideal para nos acompanhar num passeio nocturno e que bom que era se esse passeio pudesse ser feito com a neve a cair.

Momento Mágico: Photograph


Air - "Pocket Symphony" 2007 - Astralwerks

The Flowers Of Hell

Elegância Sonora

Ouvem trompas tocadas por anjos, uma estrada de luz abre-se a meus pés, há uma imensidão de branco, tudo é claro, tudo é calmo. A criação de climas arrastados, cheios de ambientes dentro do rock, deveria obedecer a regras rígidas ou pré-existentes, mas para nosso bem e para bem da musica, existem muitas bandas que passam por cima de tudo o que foi estabelecido e caminham na direcção correcta, convictas de que estão certas (e estão mesmo).
Os Flowers Of Hell são assim, determinados, eficientes, convictos. Nascidos em Londres e provenientes de bandas como os British Sea Power, The Tindersticks e The Early Years e recorrendo à encenação de sons de orquestra, usando e abusando da samplagem e da electrónica, conseguem obter um resultado rock altamente concentrado e que doseado em quantidades moderadas nos enviam através das nuvens em mach 3.
“Opt Out” é o exemplo perfeito, sossegado no inicio, moderado a meio, sónico no fim. Com “Symphaty For Vengeance” encontramos uma perfeita zona introspectiva, rematada a final com uma cavalgada sonora de contornos épicos. A vertigem trágica de “Compound Fractures”. O simples planar em “Through The F Hole” enfim, é de partir à descoberta…
The Flowers Of Hell fazem uma visita ao habitat natural de Spiritualized, onde se avistam ao longe os arranjos de metais de Beirut, enquanto que as guitarras voadoras de Explosions In The Sky, percorrem o mundo psicótico dos Velvet Underground e fazem-no não por estarem perdidos, mas porque precisam de se alimentar.
Um disco que devia ter constado, da minha lista de 2006.

Momento Mágico: The Joy Of Sleeping


The Flowers Of Hell – “The Flowers Of Hell” (2006) - Earworm


Koop

Nos Trópicos

Fechem os olhos e ouçam. Depois imaginem-se numa qualquer ilha das Caraíbas, num dia de calor tórrido, o mar azul e a areia escaldante sob os pés. Este é apenas um dos lugares para onde somos transportados em Koop Islands.
Lançado no Outono de 2006, ouvir este terceiro disco da dupla sueca Koop, é viajar sem sair do lugar.
Sempre em base jazzística, somos levados desde o swing das Big Bands dos anos 30 e 40, ao som cabo-verdiano passando pelas marimbas de sabor Jamaicano.
São canções quentes, onde habitam notas delicadas de flautas, saxofones, violinos, vibrafones e pianos, acompanhados de uma alegre batucada conga.
Tudo isto fundido e servido em bandeja electrónica, variando entre o acid-jazz, o downtempo, ou a bossa nova de Nicola Conte.
Os Koop são Magnus Zingmark e Oscar Simonsson, acompanhados pelas vozes de Ane Brun, Yukimi Nagano, entre outros, que depois do lançamento em 2001 de Waltz for Koop, continuam a apostar num género muito próprio que os mesmos auto-apelidaram de swingingtrónica.
A música destes suecos tem um ritmo contagiante, sustentado por uma balanceada energia, tudo num ambiente a altas temperaturas, produzida num exíguo estúdio duma fria Estocolmo.

Momento Mágico: Koop Islands Blues


Koop - "Koop Island" (2006) - !K7

2007/01/16

Harvey Milk

Pura Potência

Os power-trios tão vulgarizados nos anos 90 (Nivana, Bush), parecem meninos de coro se comparados com este power-trio do anos 00 (anos “zero”, gira designação!). Nunca tinha ouvido falar destes Harvey Milk (mesmo sendo este o 6º album) e pelo nome imaginei uns copinhos de leite a fazer musica, mas desengane-se o ouvido mais distraído, estes rapazes é só pura potência.
No inicio do disco "I've Got A Love" surge-nos na calada, pé ante pé como se não fosse nada com eles, vai caminhando o disco nessa toada “War” e “Crash Them All” podiam ser primas, é então que surge o rock-classico, aquele que se tornou tão vulgar nos anos 70, “Once In A While”, “Old Glory” e “Mothers Day”. Sendo que este ultimo tema, se reveste de sons épicos, onde cabem violinos, órgãos e mais umas dezenas de outros instrumentos.
Harvey Milk é uma banda complexa, revivalista, clássica e atroz, não se gosta à primeira, nem penso que fosse essa a intenção. Harvey Milk são a imagem de quanto rude pode ser (e às vezes precisa mesmo) o rock & roll.

Momento Mágico: “Mothers Day”


Harvey Milk
– “Special Wishes” (2006) – Troubleman Unlimited

2007/01/14

Dave Fischoff

O Homem-Máquina

Munido do seu arado electrónico, lavra terra e planta sons, depois aguarda o seu crescimento e só colher o fruto, colheita esta que se mostra fortemente rentável.
Com um simples computador e munido de uma imensidão de samplers, Dave Fischoff, atira-se à criação de um novo disco (o 3º neste caso) e cria uma máquina de sonhos. Abundam nesse mundo a electrónica orquestrada, cheia de maneirismos, de pormenores coloridos e onde vivem outros belos seres (The Notwist, Electric President).
Apesar de ser quase 100% sintético, Dave Fischoff, deixa uma pequena fresta aberta, por onde penetra uma voz bastante melodiosa e que cria uma união perfeita entre o electrónico e o orgânico, daí resultando pop. A melhor forma, de confirmar esta ultima frase é escutar com atenção o tema de abertura do disco “The World Gets Smaller When You Dream” (titulo bem sugestivo) ou rodar várias vezes “Rain, Rain, Gasoline
Pop-Electronica de excelente qualidade (de uma das editoras que mais recomendo), para ouvir na transição dia/noite.

Momento Mágico: The World Gets Smaller When You Dream


Dave Fischoff
– “The Crawl” – (2006) – Secretly Canadian

2007/01/09

Joan As Police Woman

A Mulher Policia

Gosto destas estreias, aquelas que acertam logo, claro que isso pode trazer vantagens e desvantagens, mas isso agora não importa discutir. O importante desta estreia, é Joan ter construído um disco perfeitamente equilibrado, onde as notas dominantes são um piano intenso e carregado e uma voz plena de simbolismo e cheia de força (Beth Gibbons, Joni Mitchell e um estilo muito Patti Smith), os restantes instrumentos (piano, violino, guitarra e vozes) sussuram e completam a estrutura.
Joan que nasceu no Connecticut estudou desde cedo musica e aprendeu a tocar diversos instrumentos, depois à estrada (onde em tour com Lou Reed e com Antony onde dava uma ajuda nos coros) deu-lhe a experiência que faltava.
Apesar de perfeitamente mundana, os temas de Joan Wasser, transmitem uma calmaria imensa, onde tudo corre devagar, onde não há principio nem fim…

Momento Mágico
: I Defy


Joan As Police Woman
– “Real Life” (2006) - Reveal

2007/01/08

Calexico

Mudança

Os Calexico, colectivo de Tucson, Arizona, sempre nos habituaram a álbuns densos, nos quais sempre pugnaram pela fusão, bem sucedida, de vários estilos musicais presentes no Sudoeste Americano, nomadamente o country, a música mariachi, o jazz, entre outros, edificando paisagens sonoras ajustadas ao deserto que os rodeia.
Com “Garden Ruin”, os Calexico expandem horizontes, incorporando novos elementos na sua música, particularmente a pop e o rock, o que acaba por se reflectir no resultado final do mesmo.
O deserto está a mudar, as poeiras, os cactos, os esqueletos dos seus animais e o vazio, estão a dar lugar a condomínios de luxo, aos bairros de classe média e aos S.U.V., os Calexico acompanham essa mudança, pelo que este álbum é, possivelmente, o mais acessível da sua discografia.
Falta o instrumental presente em obras anteriores, a complexidade musical e emocional diminui, mas a alma mater da banda subsiste, apenas acompanha as mudanças do deserto, às quais não são indiferentes.
Mais acessível, sim, mais simples, também, contudo por vezes “less is more…”.

Momento Mágico: All Systems Red


Caléxico - "Garden Ruin" (2006) - Quarterstick

Escolhas 2006 - Carlos S. Silva

Calexico – “Garden Ruin



The Strokes – “First Impressions of Earth



Band of Horses – “Everything All The Time



Arctic Monkeys – “Whatever People Say I Am, That’s What I'm Not



Belle & Sebastian – “The Life Pursuit



Midlake – “The Trials Of Van Occupanther



Cansei de Ser Sexy – “Cansei de Ser Sexy



The Decemberists
– “The Crane Wife



Tiga – “Sexor



Charlotte
Gainsbourg – “5 55



Muse – “Black Holes and Revelations



Thom Yorke – “The Eraser



Peter Von Poehl – “Going To Where The Tea Trees Are



Grant Lee Phillips – “Nineteeneighties



The Killers – “Sam’s Town



KT Tunstall – “Eye To The Telescope

2007/01/06

Lambchop

Negativamente conotados com o country, a sonoridade dos Lambchop ultrapassa o próprio estilo a que estão ligados. Combinando ainda o soul e o jazz, é uma estrutura sonora avant-garde ou se quisermos alt-country. Mas no fundo o estilo é Lambchop. A sua música tem classe e elegância. Diria mesmo que veste Armani.
Damaged, o seu mais recente e provavelmente melhor disco de sempre, reflecte precisamente essa imagem. Dez temas poéticos, pequenas histórias sobre os detalhes mundanos do nosso quotidiano, como a fraqueza humana, a reflexão, a solidão ou amizade.
Kurt Wagner, líder da banda (que neste álbum são cerca 15 elementos), é um contador de histórias, e Damaged é talvez a sua história.
“Paperback Bible”, tema de abertura, é um momento único magnificamente repetido por mais nove vezes.
É impossível ficar indiferente ao tom clerical e melancólico da voz de Kurt Wagner, onde o rigor da dicção é tão valorizado como a pausa e o silêncio. Um disco para aquelas preguiçosas manhãs de sábado, em que vamos ficar contemplativamente deitados a escutar até à última faixa. Por muito que o ouçamos, parecerá sempre que ainda há mais a ouvir.

Momento Mágico: Paperback Bible


Lambchop - "Damaged" (2006) - Merge

2007/01/03

The Black Angels

Ás Cores

O Psychadelic-Rock está bem vivo e recomenda-se. Esta banda podia ter nascido algures nos anos 60, fruto de uma relação entre uma empregada de um qualquer bar á beira de uma estrada e de um motard posteriormente morto no Vietname.
Os Black Angels vão buscar as suas influências, a bandas tão antigas como 13th Floor Elevators ou The Velvet Underground ou a bandas tão modernas como os Black Mountain ou Brian Jonestown Massacre, aliás todas estas bandas poderiam ser ramificações uma das outras, vivem num mundo perfeito, onde tudo é às cores e onde abundam os psicotrópicos.
A voz de Alex Mass cola com frequência à voz de Stephen McBean (Black Mountain / Pink Mountaintops) e quando isso acontece, eu perco completamente a minha capacidade de observador/ouvinte isento (qualquer duvida, consultem a minha lista de 2007, um pouco mais abaixo). A ele juntam-se mais 5 elementos, de onde quero destacar duas meninas, com forte influência no resultado final, Stephanie Bailey (Bateria e Percussão) e Jennifer Raines (Drone Machine e Órgão).
Há mantra, há choque de gerações, há uma brutalidade resultante de um passado de conflito, há rock puro e duro, há um mundo colorido…

Momento Mágico: Manipulation


The Black Angels
– “Passover” (2006) - Light In The Attic