COIMBRA - VIA LATINA - 2007/06/01

2007/06/02
Almandino Quiet Deluxe (Concerto)
COIMBRA - VIA LATINA - 2007/06/01

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Antonio Antunes
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Major Dick And Captain Woody (Concerto)
COIMBRA - VIA LATINA - 2007/06/01

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Antonio Antunes
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2007/05/31
Andrew Bird (Concerto)
COIMBRA - TAGV - 2007/05/30


Andrew Bird – “Armchair Apocrypha” (2007)
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Antonio Antunes
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2007/05/27
Mother Mother
Chicken-Pop
A julgar por este seu primeiro disco, eu diria que é quase impossível associá-los a um género ou estilo musical predefinido. A ausência de limites, ou uma imensa originalidade na criação dos temas, faz com que percorram, folk, country, pop, alt-rock, jazz, hillbilly, tango, o que quiserem, conferindo uma inusitada versatilidade ao disco.
As letras excêntricas e rocambolescas, são interpretadas por um carismático triunvirato de vozes freaky, assistidas pelo arranjo acústico da guitarra que marca o ritmo de um comboio a vapor. A inovadora música dos Mother Mother, podia muito bem ser escolhida para uma fuga das galinhas ou uma guerra de capoeira, tal é a diversão e por vezes a propositada patetice a que soa.
O estilo cabaret e os coros luminosos de Ryan Guldemond, Molly Guldemond e de Debra-Jean Creelman, fazem deste disco uma refrescante e original limonada pop, a servir fresca em dias bem quentes
Mother Mother - Touch Up (2007) - Last Gang Records
por
Edgar J. Domingues
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2007/05/24
Voxtrot
Vox-Pop
O primeiro trabalho de Voxtrot, provoca a mesma sensação, deixa-nos completamente espantados, desorientados e até desconfiados logo nas primeiras audições, só aqui a reacção é contrária, não queremos nem por nada voltar à nossa vida terrena.
Após 3 magnificos Ep’s (Mothers, Sisters, Daughters & Wives (2006); You Biggest Fan (2006) Raised By Wolfes (2006), surge o tão esperado (pelo menos por mim) primeiro album desta banda texana (Austin), liderada por Ramesh Srivastava, que é o principal mentor e motor da banda compondo e cantando todos os temas. A voz de Srivastana está na tonalidade de muitos outros vocalistas, poderia colocar aqui imensas comparações, mas desta vez não o vou fazer, vou limitar-me a dizer que é clara, nitida, leve e desconstraída.
O resultado de todos estes adjectivos é sublime, temas como “Kid Gloves” ou “Firecraker” são instantaneos e vivem dentro da gramatica pop, onde o predicado e o sujeito ocupam a sua correcta posição e onde nem sequer há lugar a adverbios de modo. “Easy” e “Blood Red Blood” são tardes de calor em dias frios de primavera. “Ghost” e “Brother In Conflict” chegam à mais escura das sombras e com um simples e recatado acorde de guitarra, transformam a noite em dia. Com “Future Part. 1” e “Every Day” prova-se que nem só de pão vive o homem, que é preciso algo mais que nos transforme em quase deuses.
Voxtrot é terrivelmente pop, é pop como deve ser, é uma manhã de sol, é uma bela mulher, é um descontrolado bater de pé, é um sorriso de criança, é um bem estar presente e permantente… é… é… é um forte candidato a melhor disco do ano.
Voxtrot – Voxtrot (2007) - Playlouderecord

OUTRO PENSO por Edgar Domingues
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Antonio Antunes
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2007/05/21
The Rosebuds
A classificação, por alguns, do seu som como “New Romantic” tem o seu fundamento na utilização omnipresente de sintetizadores e vozes etéreas, no prossecução da herança de bandas como os Pet Shop Boys, Roxy Music, New Order, etc., e traduz-se num som muito atractivo, não raras vezes cinemático.
É um disco coeso, bem sequenciado, que abre e fecha com as duas melhores canções do disco "My Punishment For Fighting" e, especialmente, “Night Of The Furies”, nesta não posso deixar de realçar o modo genial como é feita a descrição de alguém, bem na vida, atormentado por fantasmas do passado que o fazem vacilar (There's calm in these banquet years, so I tend to obsess about youth, before the guilt appeared. But I need to forget.").
Nos restantes temas percorre-se, de forma segura, um caminho ligado ao romance, aos seus mistérios, condicionantes e complicações, o que se pode confirmar, entre outros, em “Cemetary Lawns” (um casamento em ruínas), "When The Lights Went Dim" (uma herança inesperada e a angústia relacionada com o desaparecimento de um amor).
Numa só palavra, radioso.
The Rosebuds - "Night Of The Furies" - (2007) Merge
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Carlos S. Silva
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2007/05/18
Dirty Elegance
Quando a alma se desagrega do corpo, eterizada, enceta uma viagem psicotrópica ás profundezas da dimensão paralela, sons, timbres e vozes irrompem. Combinados entre si estes elementos projectam-se numa hipnose giratória. Não é musica é arte.
Dirty Elegance é inspiração levada ao extremo do engenho humano, aqui o termo complexidade assume outra compreensão. A música electrónica surge-nos como um círculo, desconhece-se onde começa e como pode acabar, pelo que ouvir Finding Beauty In The Wretched, não deveria provocar qualquer perturbação. Mas inevitavelmente provoca. Aliás, afecta-nos, a beleza impressiona, a harmonia seduz, o enigma sonda o ser, levando-o ao exterior sem abstrair do seu interior.
Este disco não vive somente no trip-hop ambiente, habita algures entre Massive Attack e Portishead, encaixado bem fundo nos Sigur Rós e The Album Leaf, é, se assim se pode designar, electrónica experimental. Álbum para pessoas que questionam a existência humana a realidade envolvente, que ousam olhar além da miséria quotidiana que nos rodeia. O individuo em busca do sonho, cuja premissa é dar expressão autêntica ás suas aspirações, descobre neste disco o seu númen.
Único para seres únicos.
Momento Mágico: Wirrok
Dirty Elegance - Finding Beauty In The Wretched (2007)
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Edgar J. Domingues
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2007/05/15
Electrelane
A clareza de ideias, é um dos mandamentos destas meninas, outro poderia ser a simplicidade e outro ainda a eficácia. Há algo de primário na forma como se constrói/destrói os temas, como se fabrica uma música, tome-se como referencia Emma Gaze (bateria) ou as repetitivas e constantes marteladas nas teclas provocadas por Verity Susman (teclas/guitarra), fica no ar a duvida se tudo isto acontece naturalmente ou se é propositado.
Com No Shouts, No Calls as Electrelane atingem o 4º capítulo da sua (ainda curta) vida artística e surge após o álbum Axes (aquele que eu considero, um dos melhores álbuns dos últimos 37 anos). Se Axes tem a enorme particularidade de ter sido gravado numa única take e com isso ter conferido uma marca indiscutível no universo musical, No Shouts, No Calls é um “álbum de canções” (o que não deixa de ser caricato). O formato canção não existe, no universo Electrelaniano, o que existe isso sim são composições electro-rock, onde as regras não são regras, onde o sinal vermelho significa acelerar e ninguém pára no STOP.
E é assim desta forma subtil e pseudo-calma, que constrói um perfeito álbum rock, “To The East” (o single) descobre uma vocalista em desassossego, como se lhe estive a faltar o ar e a pedir socorro permanentemente. “Tram 21” é krautrock made in 00’s, a composição louca e falta de normalidade é o principal sintoma de demência. O carrossel mágico de “At Sea” é uma tempestade de teclas, são coros de vozes em disfunção…
Um banda perfeita, com temas perfeitos, dentro de um álbum perfeito… se existir alguma imperfeição a culpa é nossa.
Electrelane – No Shouts, No Calls (2007) - Too Pure / Beggars
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Antonio Antunes
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2007/05/12
Azevedo Silva
Arte Livre
O seu mérito reside particularmente na capacidade de imediatamente cativar o mais negligente ouvinte português, quer pelo dedilhar da guitarra acústica, a lembrar o saudoso Zeca Afonso, quer pelas elementares letras, palavras austeras e realistas, que soam como pungentes acoites na consciência, de que é exemplo “Abutres” o quarto tema: “Anda, vem cá ver um exemplo do uso do verbo mandar. Olha, sai ao papá, cabrão do menino. Também bate na mãe? Talvez seja o destino”.
É música simples mas a simplicidade não belisca a intensa mensagem que envia a todos nós. Vale a pena reflectir sobre as emoções que brotam das suas letras. Tartaruga é até à data o mais singular e bem concebido disco português produzido em 2007.
Momento Mágico: Liberdade
Azevedo Silva – Tartaruga (2007) – Lástima
http://www.virb.com/azevedosilva

OUTRO PENSO por António Antunes
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Edgar J. Domingues
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2007/05/06
Blackfield
De regresso em 2007, com o álbum Blackfield II, o projecto liderado por Steve Wilson (dos Porcupine Tree) e pelo cantor israelita Aviv Geffen oferece-nos um disco decididamente “pop rock”, no qual as vozes (uma vez que as funções de vocalista são repartidas), as guitarras e os arranjos da secção de cordas originam dez bonitas canções, harmoniosas, melancólicas e um pouco mais experimentais do que o normal neste tipo de sonoridade.
Muito embora Steve Wilson pareça adoptar um papel de destaque como performer, para além da sua faceta de compositor patente em três canções, não se pode descurar o contributo de Aviv Geffen para esta obra, especialmente porque assume a composição de metade das faixas presentes neste disco.
Resulta desta simbiose criativa um belo disco “pop rock”, dinâmico, complexo quanto baste, bem produzido no qual a secção de cordas é o meio, preferencial, para atingir o estado de espírito pretendido pela banda. As músicas que melhor ilustram essa coerência musical e criativa são “1,000 People”, “Christenings” “Epidemic” e “My Gift Of Silence”.
Dir-se-á que é o disco ideal para ouvir enquanto assistimos ao pôr-do-sol numa praia, agora que o calor começa a aumentar e com ele uma maior languidez.
Momento mágico: Epidemic
Blackfield - Blackfield II (2007) - Atlantic
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Carlos S. Silva
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2007/05/01
Parts & Labor
Desconstruções
Urgência provocada pela necessidade da explosão sonora, é um marco nos Parts & Labor, já no anterior trabalho Stay Afraid (2006) o constante uso do ruído e da permanente paranóia eléctrica, iam transmitindo ao ouvinte um adorável nó no estômago. Com Mapmaker, continua a hostilidade e agressividade do noise, só que com uma tendência mais linear, não surge a opção do ruído pelo ruído, a opção tomada é consciente e mantida a todo o custo e aqui e ali quase que nasce o primeiro hino noise. Mapmaker é um disco circular e não estou a fazer analogia, é mesmo redondo e é curto o espaço onde se desenrola toda a acção desta banda, não existem espectros nem espelhos, apenas instrumentos e colunas de som, depois basta colocar tudo no volume máximo e aí viajamos nós nos picos dos decibéis.
Melhor que tentar explicar a eficácia da coisa, é ouvir Mapmaker, logo na abertura do álbum “Fractured Skies” como o próprio nome indica uma fractura provocada por uma pancada sónica de alta velocidade, surgida não sabe bem de onde nem como. “Unexplosions” é uma implosão com imenso ruído e cheia de pó. Com “Fake Rain“ surge a canção-noise, o que poderá parecer estranho mas não o é.
Mapmaker é um GPS, para quem acha que o mundo do noise-rock é para pessoas sem sentido de orientação.
Momento Mágico: Unexplosions
Parts & Labor – Mapmaker (2007) – Jagjaguwar
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Antonio Antunes
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2007/04/29
2007/04/27
Au Revoir Simone
Não é vergonha fazer pop, vergonha é fazer mau pop, e deste não podem ser acusadas as Au Revoir Simone, três lindas meninas de Brooklyn NYC. Consideradas as Bananarama do século XXI, elegeram idiossincraticamente os sintetizadores que todas, curiosamente, tocam. Este segundo álbum, que se segue a “Verses of Comfort, Assurance & Salvation”, traz-nos gentis melodias synthpop em estado orgânico, envoltas numa suave harmonia feminina que docemente nos electrizam a alma.
Melancólico, íntimo, delicado e cintilante, é assim “The Bird Of Music”, onde estados de espírito habitam entre o júbilo – Sad Song, Dark Halls, Night Majestic, Stars – e um inócuo dramatismo – Don't See The Sorrow e Lark.Mas sobretudo em The Way To There, no qual Heather D’Angelo, vocalista da banda, ladeada por épicos violinos e os três sintetizadores residentes, nos introduz numa tranquila paisagem onírica onde desagua o fluxo sintético que afinal descreve o disco.
“The Bird Of Music” é, sem qualquer pretensiosismo star diga-se, uma irrepreensível combinação entre a maquina e o humano que agrada aos ouvidos da mesma forma que Heather, Erika e Annie agradam à vista, e prova a crescente consideração que a pop electrónica readquiriu após o surto dos anos 80.
Momento Mágico: The Way To There
Au Revoir Simone - The Bird Of Music (2007) - Moshi Moshi

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Edgar J. Domingues
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2007/04/23
The Sea And Cake
A pop precisa de bandas assim, descontraídas e imediatas, como se fossem solúveis, basta acrescentar água (neste caso do mar) e mexer com destreza e sem complexos. Sea And Cake, são já veteranos nessas andanças do pop-rock, são já chefes de obra, longe vão os tempos de serventia que nos deram obras como “Nassau” ou “Oui”, mas neste caso particular esta passagem de tempo não foi nada prejudicial, antes pelo contrário, devemos encarar isto como experiencia adquirida, como evolução.
O fio de voz proposto por Sam Prekop, soa a por de sol, sabe a salgado, e vai contando historias, umas vezes mais óbvias outra vezes recorrendo a imagens e metáforas, a isto junta-se o low-fi do indie-rock com todos os seus ingredientes, o resultado final é calmo, intimo, pacifico, sossegado, solarengo, mas intensamente fresco.
A forma quase matemática do bater de pandeireta, a redundância física do conjunto e da sua intensa interacção, a guitarra escorreita, a bateria redonda. Up On Crutches é uma bela abertura, para explicar tudo o que foi dito. Croosing Line é fronteira entre a guitarra perfeitamente pop e a distorção adolescente. Middlenight é o encontro entre o dia e a noite, é perfeita para o lusco-fusco, é o aceder da vela para o jantar romântico.
Em 2007 “Everybody” promete neste início de primavera, pintar o céu de um azul intenso e levar-nos a passear no areal (por enquanto) desarrumado de gente.
The Sea And Cake - Everybody (2007) - Thrill Jockey
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Antonio Antunes
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2007/04/19
Aqualung
Quando um projecto pessoal, como é o caso de Aqualung, ganha protagonismo, graças a um tema “Strange and Beautiful” que ultrapassa as fronteiras do universo indie pop para o mainstream, e que motiva uma edição americana de um álbum de edição britânica Still Life com um novo título Strange and Beautiful e line-up, questiona-se sempre se o mentor do projecto (Matt Hales) conseguirá, afastando-se de todo o hype, trilhar de forma segura o caminho iniciado.
Neste caso a resposta é positiva, muito embora, à primeira vista, Memory Man pareça repetir as fórmulas já utilizadas, uma audição mais cuidada revela que Matt Hales se esforçou por dotar este álbum de novos elementos, nomeadamente através da introdução de uma grande variedade de instrumentos e electrónica, sem que isso comprometesse a alma do projecto.
Essa mudança não só utiliza a instrumentalização digital para criar sons únicos e admiráveis em faixas como "Pressure Suit", “Black Hole” e "Broken Bones", mas também favorece a criação de arranjos delicados que potenciam a sua música a um nível que ainda não tinha conseguido atingir.
Uma das faixas que melhor ilustra essa evolução é “Cinderella”, a faixa de abertura que encerra um refrão hipnótico e um riff enérgico, dotada de uma delicadeza arrepiante na sua essência e que está envolvida por várias camadas, por mais criatividade e uma paixão avassaladora. Outras canções merecem destaque como “Something To Believe In”, “The Lake”, “Rolls So Deep” e especialmente “Vapour Trail”.
Sem dúvida alguma estamos perante um álbum coeso, simples e criativo, que merece um lugar de destaque nas listas dos melhores discos editados, até ao momento, neste ano de 2007.
Momento Mágico: Vapour Trail
Aqualung - Memory Man (2007) - Sony
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Carlos S. Silva
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2007/04/16
Grails
Viagem ao passado
É um álbum simples, dominado com aqueles momentos em que apetece deitar na cama a olhar para o tecto, ou de olhos fechados, e absorver a música, pensar na vida ou viajar… não fosse isto acid-folk. Depois a euforia, com batidas contagiantes que interrompem o nosso sossego, mas não nos acordam, a viajem torna-se apenas mais atribulada.
Este Avatar de 2007 vai ser claramente um dos álbuns do ano… espera… já o é.
Grails - Burning Off Impurities (2007) - Temporary Residence
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Bruno Coelho
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2007/04/13
Voxtrot
Perfume pop
A Primavera de 2007 encontra no LP de estreia dos Voxtrot, a banda sonora ideal para os seus tranquilos e perfumados dias. Também é perfumada a música dos Voxtrot, com notas de livre arbítrio, honestidade e exuberância. O álbum homónimo dos Voxtrot, é sem duvida uma lufada de ar fresco na cena indie pop e é já um sério candidato a álbum pop do ano.
Ao ouvirmos cada uma das suas 11 faixas, a memória é invadida de reminiscências adolescentes, ou como se canta no segundo tema, “Kid Gloves”, somos mesmo tocados com luvas de miúdo. As músicas, de carácter enérgico, soam com sincera amabilidade. Ainda assim o som é maduro, produzido por guitarras melodramáticas, metais e pianos. As melodias são fortes quanto baste para se fixarem no ouvido sem entediar, independentemente das vezes que as ouçamos.
Banda americana, relativamente desconhecida, lançou até agora apenas três EP’s, mas já granjeou a simpatia de um numeroso grupo de fãs, que se reúnem no blog do seu vocalista, Ramesh Srivastava. Daí ter sido catalogada como uma blogband. Os Voxtrot encantam da mesma forma que Belle & Sebastian ou Reindeer Section, sendo também comparados aos Smiths, dada a semelhança vocal de Srivastava com Morrissey. Grande tema do disco, poderá ser considerado “Firecracker”, cuja precisão da composição converge num fantástico coro de arrepiar cabelo; “Future Pt.1” é maravilhosa, uma ode ao relaxamento. “Every Day”, a minha preferida, é pop em estado puro.
Voxtrot - Voxtrot (2007) - Playlouder

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Edgar J. Domingues
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2007/04/10
Azevedo Silva
Muitos irão pensar: “Olha, um amigo dele gravou uma cena e ele está a fazer-lhe publicidade!”, só que é puro engano, não conheço o Azevedo Silva de lado nenhum, se por algum acaso me cruzar com ele amanhã, não o conseguirei reconhecer.
O que me leva a escrever este pequeno texto, é um impulso interior um pouco difícil de definir, e isto deve-se ao facto de Tartaruga, ser um disco que se entranha de uma forma lenta e estranha, como se dentro da carapaça existisse alguém à espera de libertação e ao mesmo tempo não desejasse essa mesma liberdade, é um hotel-prisão onde o bem-estar é imagem de marca (Frio e Fome), é um voo condicionado e controlado (Abutres), é simplesmente simples (Palavras de Ninguém).
Depois de uma excelente apresentação com Clarabóia, Azevedo Silva surge com a sua primeira longa-metragem e imagem após imagem, constrói-se um universo cheio de amargura e tristeza, mas onde o epílogo é um dia de claridade e jovialidade, poderia ser um clássico do film-noir, tal é o equilíbrio existente entre o preto e o branco.
Tartaruga chega na Primavera, depois de ter hibernado e chega de tal forma rápida, que tal e qual como na fábula, existe uma enorme possibilidade de ganhar a corrida, para mim neste momento lidera destacado o pelotão da frente da música portuguesa em 2007, veremos como irá terminar esta corrida.
Momento Mágico: Abutres
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Antonio Antunes
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2007/04/08
Low
A banda mais lenta do mundo volta a atacar. Se o anterior trabalho The Great Destroyer (2005), tinha deixado um leve sabor a desilusão e até mostrado um desgaste da fórmula, com Drums And Guns, surge um novo raiar de luz. E isto deve-se à introdução do experimentalismo electrónico, se até agora se contentavam com instrumentos orgânicos, a partir de agora há algo mais a explorar.
Dantes tínhamos o deserto sonoro, um espaço sem barulho e constantemente vazio, onde tudo acontece, apesar de não se ver. Era tudo um universo ocupado, por sombras em constante câmara lenta e isso fazia deles uma banda enorme.
Com a alteração (não brusca) da matriz, o jogo de vozes vai manter-se inalterado, continuando a variar entre a combinação, a alternância e a solidão. Nada muda na essência, o que veio acontecer foi um complemento, um enchimento dos espaços vazios, um iluminar do recanto da sala.A banda de Duluth, Minnesota, recria-se, inova-se e só ganha com isso, ganha ela e ganhamos nós.
Low – “Drums And Guns” (2007) – Sub-Pop
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Antonio Antunes
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2007/04/05
The Shins
O terceiro trabalho dos The Shins, banda predilecta da cena indie estado unidense, foi lançado em finais de Janeiro e arrisca-se a ser o disco da consagração. Senão, o que dizer do facto de ter entrado de imediato para o segundo lugar da Billboard 200 na semana de lançamento? Provavelmente ainda a beneficiar do empurrão publicitário dado pelo filme “Garden State” – onde participam com o tema New Slang – tal não tira o mérito a uma banda, que honestamente cria música harmónica, apelando à jovialidade e ao bom humor. Wincing The Night Away está recheado de temas que remetem para a inconstância da adolescência, de dias sim e dias não. Rodando à volta de uma certa pop borbulhante, “Turn On Me”, “Phantom Limb”, mas sobretudo em “Austrália”, faixa que se tatua nos tímpanos e se ouve até enjoar. Já o ultimo terço do disco desagradará àqueles que não apreciem o lado mais experimental dos The Shins, denotando uma ténue queda no upbeat que marca grande parte do álbum.
Não mudou a minha vida, mas muda o meu dia cada vez que ouço James Mercer em “Austrália”, com um envergonhado banjo em fundo, cantar “You know you'll change your life for any ordinary Joe”.
Momento Mágico: Australia
The Shins - "Wincing The Night Away" (2007) - Sub Pop
OUTRO PENSO por Carlos S. Silva
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Edgar J. Domingues
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2007/04/02
John Mayer
Revolução Blues
O novo disco Continuum demonstra que as recentes colaborações com nomes como B.B. King, Buddy Guy ou Herbie Hancock, não foram obra do acaso, assim neste trabalho, John Mayer opta por uma sonoridade em que predomina, essencialmente, o Blues, muito embora se reconheçam elementos R&B, Folk, Gospel, Rock e Pop, na sequência do que havia feito em trabalhos anteriores, especialmente em Room For Squares e Heavier Things.
Desde logo se realça a capacidade de John Mayer, para se afirmar como um brilhante singer/songwriter, para além do enorme talento que tem como guitarrista, no entanto não se esvazia aí o potencial deste disco, na verdade a inteligência que demonstra para reflectir sobre a condição humana não pode deixar ninguém indiferente e indicia o porquê de ser considerado “herdeiro” de lendas comos Sting, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan e Steve Winwood.
É sem qualquer dúvida o disco mais conseguido da sua carreira, introduz novos elementos ao seu estilo musical, não desilude, mas ainda não é a obra-prima que muitas pessoas entendem estar ao seu alcance.
Momento Mágico: Slow Dancing in a Burning Room
John Mayer - Continnum (2006) - Sony

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Carlos S. Silva
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2007/04/01
2007/03/27
Odawas
Laura Palmer vestida de negro, verruga no nariz e de pêlo na venta, atravessa a porta de luz e descobre a beleza que pensava não existir. É este o espaço cinematográfico criado por Odawas, uma espécie de Angelo Badalamenti from Hell. Os Odawas são a sombra dos sons de Badalamenti, vivem na ala psiquiátrica do seu cérebro, onde a esquizofrenia coabita com os cantos angélicos e hinos de louvor.
O segundo trabalho de Odawas, é uma obra perfeita. Está assente em alicerces temáticos, e por isso pode ser folk-ambiental “When God Was A Wicked Kid”, tem o ambiente fumarento de um qualquer cabaret negro “Getting To Another Plane” onde uma guitarra Guilmoriana chora mágoas e tem uma perfeita pérola negra “Alleluia” onde a voz arrastada e destroçada de Michael Tapscott é o veículo perfeito para nos transportar para um qualquer Western-Spaghetti de Sergio Leone.
A manta de retalhos criada pela totalidade dos temas, faz deste Raven And The White Night, um fabuloso álbum, um diamante em bruto, cabe a cada um de nós lapida-lo, se bem que haverá quem nem sequer lhe puxe o lustro e o consuma cru.
Odawas – Raven And The White Night (2007) - Jagjaguwar
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Antonio Antunes
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2007/03/24
Calla
Ao falar dos Calla sou suspeito, pois não são mais que a minha banda predilecta. Não me perguntem porquê, nem eu sei. A languidez melancólica do rock produzido por estes nova-iorquinos e a voz torturada de Aurélio Valle, deixam-me agradavelmente depressivo. Assim aguardava ansiosamente pelo seu quinto disco. Mas Strength In Numbers acabou por soar a ligeira decepção. Ainda com os ouvidos viciados no antecessor Collisions, um disco atmosférico mas magnificentemente negro e melancólico quanto baste, o último álbum de Calla soou a cacofonia onomatopeica, guitarrada desordenada em desespero de causa. No conjunto é um disco sem harmonia. Ao contrário do trabalho antecessor e de Televise, é um disco inacessível, um niilismo. Não obstante, o género negro, frio e depressivo a que os Calla nos habituaram continua presente, o romantismo negro marca algumas linhas: “If I Fail, if I rise/will you trail behind?”, a guitarra acústica envolve e não desilude. Por isso, “Strength In Numbers” contém, ainda assim, temas que não decepcionam: “Sleep In Splendor”, “Stand Paralyzed”, “Malicious Manner” e “A Sure Shot”, são exemplo de que os Calla continuam fiéis a um estilo que se tornou a sua marca registada. Não termino sem referir que continuam a ser a minha banda favorita, mas quem calla consente e eu não me podia calar. Venha o sexto álbum.
Momento Mágico: Stand Paralyzed
Calla - Strength In Numbers (2007) - Beggars Banquet
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Edgar J. Domingues
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2007/03/22
Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI
Heróis do Punk, Nação Valente
O micro planeta punk-metal-rock português existe, tem saúde e recomenda-se, se alguma dúvida houver escutem a excelente colectânea “Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI”. O serviço prestado pela Editora Impulso Atlântico, é louvável e merece todo o mérito, não só porque luta contra o sistema instalado, mas fundamentalmente porque consegue reunir 50 bandas num CD duplo e apresentá-lo ao público, com uma qualidade invejável de produção e com uma arrumação (alfabética) bastante curiosa.
E assim de um pouco mais de duas horas, somos arremessados ao tapete várias vezes. Bandas como Acromaniacos, Coiratos Violentos, If Lucy Fell, Mata-Ratos, Peste & Sida, The Parkinsons, etc, mostram toda a sua capacidade sónica, para provar que Portugal não é o eterno país do fado. Punk Rock está vivo e transpira (literalmente) som por todos os poros.
Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI (2006) – Impulso Atlântico

A Visitar - IMPULSO ATLÂNTICO
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Antonio Antunes
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2007/03/17
Brett Anderson
O Miudo-Pop
Sente-se, apesar de tudo, aqui e ali uma falha na estrutura musical (afinal falta Bernard Butler, o outro Suede). Mas o song-writer está em grande, transborda de romantismo, nascem flores a cada refrão, temas como “Colour Of The Night” ou “To The Winter” demonstram que o amor é livre e é o que queremos que ele seja. Neste debut, Brett Anderson distancia-se do estilo que caracterizou os Suede, evitando o alternativo e o Britt-Pop. O que fica patente: os Suede não estão mortos, apenas estão em hibernação, ficaremos atentos.
Momento Mágico: Love Is Dead
Brett Anderson - Brett Anderson (2007) - Drowned In Sound
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Edgar J. Domingues
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2007/03/14
If These Trees Could Talk
100 Voz
O duelo ou melhor o trielo entres os (3) guitarristas de Akron (USA), serve quase sempre como mote, como pontapé de saída, e eles juntam-se a bateria e o baixo e de onde na teoria poderia surgir noise rock, sai melancolia, fragilidade, sinceridade…
If These Trees Could Talk são uma banda cheia de vontade, transbordam electricidade estática (de por os pêlos em pé), reflectem longas paisagens lunares, onde o eco e a profundidade de todos os sons, são sinais de fumo visíveis a várias milhas de distância.
If These Trees Could Talk – “If These Trees Could Talk [EP]” (2006) - Procedure Records
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Antonio Antunes
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2007/03/11
Kaiser Chiefs
Cumprir Calendário
No novo disco os Kaiser Chiefs não se conseguem separar da herança de Employment, a sua estreia, contudo isso não constitui, necessariamente, um aspecto negativo, efectivamente introduzem canções que surpreendem, sem que as mesmas se afastem daquilo que se conhece à banda e, em última análise, superam o sempre difícil obstáculo que constitui o segundo disco da carreira.
Muito embora comece de forma desalinhada, gradualmente ganha corpo e atinge um patamar que nos leva a recomeçar a audição, essencialmente, porque contém uma descrição mordaz, com laivos humorísticos, da vida no Reino Unido nos dias de hoje, principalmente as angústias existenciais da classe trabalhadora e da classe média britânicas “The Angry Mob”, do ambiente decadente dos pubs, cheios de adolescentes “High Royds” e do impacto que o sucesso teve na sua vida “Thank You Very Much”, “Learnt My Lesson Well” e “Retirement”.
Resumindo, e recorrendo novamente às expressões de carácter futebolístico que até não são completamente descabidas uma vez que o nome da banda resulta da equipa sul-africana onde jogava Lucas Radebe, antigo central do “Leeds Utd.”, clube da sua terra natal, os Kaiser Chiefs “cumprem calendário”, conseguem os “três pontos”, mas ficamos a aguardar o disco em que vão aliar “ a exibição ao resultado final”, algo que entendo serem capazes de fazer.
Momento Mágico: I Can Do It Without You
Kaiser Chiefs - Yours Truly Angry Mob (2007) - Universal/Polydor
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Carlos S. Silva
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2007/03/06
Panda Bear
Nelson Mandela poderia ter sido libertado, ao som de “Comfy In Náutica”, um verdadeiro hino libertador, repleto de cor e com intenso cheiro a terra. “Bros” é uma paranóia solarenga, coberta de vocalizações e com um curto loop que estende para lá do por de sol, a Califórnia pode ser onde o homem quiser, com ou sem Beach Boys. O vazio cerebral, provocado pela audição (continua) de "I'm not"... é um autêntico clister-mental.
Person Pitch não é imediato, nem repentino, é folk-psicadélica com psicose acentuada, inundada de samplers e micro-sons, é a procura de algo conhecido, no desconhecido. Ao 2º álbum afirma-se sem qualquer dúvida: uma parte pode, ser tão perfeita como o todo.
Um grande disco. Primeiro disco do ano sem fim... para ir descobrindo.
Panda Bear – Person Pitch (2007) – Paw Tracks
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Antonio Antunes
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2007/03/03
Richard Swift
O Homem dos Balões
Richard Swift está de volta.
E eu respondo
- É o Sr. Simplicidade.
Swift nasceu há 30 anos na Califórnia e apesar de muitos dos seus temas, soarem a pop soalheiro, não estamos perante um dos muitos surf-rockers, que por aí andam (e até tresandam), Swift é um artista a sério. O tom dramático com que interpreta os seus temas, o estilo descontraído que daí resulta, aproximam-no de um Rufus Wainwright ou até do grande mestre Brian Wilson (versão mais nocturna), se bem que a comparação, com este ultimo, lhe irá carregar nos ombros uma enorme responsabilidade (a tempos veremos, se a consegue suportar).
Dressed Up For The Letdown, surge como a sequência lógica de The Novelist/Walking Without Effort (álbum duplo de 2005), sendo ao mesmo tempo complemento de uma história e a afirmação de Swift com artista, a partir daqui é dele o mundo.
A voz de Richard Swift, está perfeitamente torneada, já não há defeitos, nem limalhas, atente-se na perfeição vocal de “Ballad Of You Know Who”, perfeitamente cristalina. Com “Kisses For The Misses” existe uma tonalidade irónica, que penso que deve ser explorada, bem como um ambiente tipicamente cabaret. “The Million Dollar Baby” é de uma intensidade sem fronteiras, somos transportados pela sua doce voz e sem querer levantamos voo.
Momento Mágico: Buildings In America
Richard Swift – “Dressed Up For The Letdown” (2007) - Secretly Canadian
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Antonio Antunes
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2007/02/27
The Shins
Cai o nevoeiro
Efectivamente este é, sem qualquer dúvida, o melhor disco dos The Shins, a banda evoluiu, amadureceu, evitou os sempre cómodos clichés e cria um belo disco, com várias camadas, no qual predomina um ambiente pesado e misterioso, um pouco como um dia de nevoeiro onde a qualquer momento algo de inesperado pode acontecer, aspecto em que difere bastante dos seus antecessores Oh, Inverted World e Chutes Too Narrow, trabalhos, essencialmente, optimistas e eufóricos.
O novo disco aponta para novas direcções, sem comprometer o espírito indie pop, que os caracteriza, tendo como ponto de partida o que haviam feito em trabalhos anteriores, amplificam os mesmos, a banda está mais versátil e revela canções que, de forma furtiva, se instalam permanentemente no nosso ouvido.
Com este disco, os The Shins provam que são uma verdadeira banda, ao invés de funcionarem como veículo para o seu compositor principal James Mercer, este é um dos discos pop-rock do ano, cheio de grandes canções, que nos prende a cada audição e nos compele a activar o “repeat” no leitor de mp3.
Momento Mágico: Phantom Limb
The Shins - "Wincing The Night Away" (2007) - Sub Pop
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Carlos S. Silva
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2007/02/23
Giardini Di Mirò
Anjos-Negros
Giardini Di Mirò são uma dessas bandas, que nos deixam com a estranha sensação, que estamos todos presos, algemados e que a nossa liberdade está iminente, mas que apesar de prevermos a qualquer instante a chegada do justiceiro, ele tarda em chegar. Há como que uma quase liberdade, é como se sentíssemos que nos vão nascer umas asas… umas asas de arcanjo.
Musicalmente muito evoluídos (uma grande voz e um poderoso baixista), Giardini Di Mirò contam com algumas colaborações neste seu novo trabalho e se de inicio podem parecer estranhas, o resultado final é soberbo, é o caso de “Cold Perfection” onde a mão do mago da eletrônica Apparat dá a um toque de profunda imensidão ou ainda “Clairvoyance” com a excelente colaboração de Cyne.
Dividing Opinions irá mesmo dividir opiniões, haverá quem irá gostar muito e quem achar o disco uma banalidade… fica ao critério de cada um.
Giardini Di Mirò – “Dividing Opinions” (2007) - Homesleep

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Antonio Antunes
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2007/02/20
Andrew Bird
O Homem-Passáro
Ao 7º disco de originais, o ex-Squirrel Nut Zippers prova que o anterior álbum (The Mysterious Production of Eggs) não foi obra do acaso, mas sim o resultado de uma coisa óbvia, este homem não sabe fazer álbuns maus. Para este one-man-band, a criação musical é uma coisa sábia e natural e se em muitos de nós, existe uma tendência (quase natural) de esquecer bandas/músicos após um excelente disco, neste caso particular não o devemos fazer, nem agora, nem para o que vier no futuro.
Com ajuda de almas preciosas (Dosh e Haley Bonar) Armchair Apocrypha é uma colecção incrível de canções. “Fiery Crash” tem um início intensamente calmo, com “Heretics” atinge-se um enorme bem-estar, “Armchairs” é um tema verdadeiramente belo, cheio de pequenos recantos encantados. Neste novo disco, existe uma maior aproximação ou mesmo uma continuação (como preferirem) ao anterior álbum, do que ao seu passado recente (Weather Systems). Existe um continuar a contar histórias, não há quebra, não há um romper brusco com o passado e o mais interessante disto, é que após várias “escutadelas”, esta óptima sensação continua.
Terá mais episódios, este filme?
Andrew Bird – “Armchair Apocrypha” (2007) – Fat Possum

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Antonio Antunes
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2007/02/17
2 Many DJ's (DJ Set)
COIMBRA - VIA LATINA - 2007/02/16
(esqueci a máquina em casa)
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Antonio Antunes
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2007/02/16
Tom Waits
Filhos Bastardos
O seu último disco, são os filhos rejeitados de uma vida inteira dedicada à música. Mais de 50 canções, das quais a maioria é inédita, retiradas do fundo de um poeirento baú, órfãs de uma merecida edição onde pudessem ter sido incluídas. Agora Waits entrega-as finalmente á adopção. Dividido em três cd’s, Brawlers, é a reunião do blues enegrecido e do rock’n roll. Bawlers contém etílicas baladas e temas em piano, enquanto que Bastards, o mais misterioso e sui generis do conjunto, reflecte o lado experimental e cinematográfico do autor.
Orphans é a história revelada, de um homem a quem um dia ousaram vaiar. Em boa e a más horas a escutamos.
Obrigado Tom.
Tom Waits – “Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards” (2006) - Anti

OUTRO PENSO por António Antunes
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Edgar J. Domingues
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2007/02/12
Sunset Rubdown
A entoação demente que Spencer Krug dá à sua voz, mas também a grande qualidade dos arranjos instrumentais dos restantes elementos da banda (Jordan Robson Cramer, Michael Doerksen e Camilla Wynne Ingr), tudo estes factores completam-se e quando isso acontece surge um disco cheio de vitalidade e conforto.
No Lo-Fi construído por Spencer Krug, habitam seres estranhos (David Byrn, David Bowie ou Win Butler), a forma como se entrega, a execução quase psiquiátrica de cada um dos temas, a loucura cinzenta e cerebral, o equilíbrio perfeito entre o mundo real e o catatonico, a procura do desespero, o gritar “estou aqui, olhem para mim.”
Provavelmente o disco, mais injustiçado (esquecido) de 2006.
Momento Mágico: The Empty Threats Of Little Lord
Sunset Rubdown – “Shut Up I Am Dreaming” (2006) - Absolutely Kosher
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Antonio Antunes
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2007/02/09
The Earlies
Quando nos finais de 2004 tropecei no maravilhoso primeiro álbum desta banda These Were The Earlies fiquei estupefacto, logo foi com grande entusiasmo que ouvi o novo registo The Enemy Chorus. Este novo titulo, não tem eficiência imediata do primeiro álbum, mas tem força suficiente para produzir efeitos a longo prazo, tudo depende do tempo dispendido (cada vez isto, tem mais razão de ser).
A combinação mágica das vocalizações e de toda a ambiência criada, faz dos Earlies, uma banda sofisticada, onde a combinação vozes/música surge com naturalidade e cheia de garra. The Earlies são uma jovem banda e com uma particularidade interessante, meia banda vive no Texas (Brandon Carr e J. M. Lapham) e a outra metade reside em Inglaterra (Christian Madden e Gilles Hatton), esta separação geográfica irá reflectir-se na criação da sua musica, não só pelo factor distância, mas fundamentalmente pela forma como são influenciados, no meio musical onde cada par está inserido.
Hipnótica, psicadélica, colorida, são algumas das formas com a qual podemos adjectivar esta banda, mas não se pense que estamos perante uma banda de gente estranha, a fazer musica para meia dúzia de intelectuais, o resultado final é musica é indie-rock de simples compreensão, onde cabem os Mercury Rev ou os Polyphonic Spree.
Momento Mágico: Bad Is As Bad Does
The Earlies – “The Enemy Chorus” (2007) – Secretly Canadian

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Antonio Antunes
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2007/02/06
Phoenix
Em It´s Never Been Like That, o terceiro da sua discografia, os Phoenix decidiram reformar o seu som, uma estranha fusão “rock”, “disco” e “pop”, que imperava no seu disco de estreia United e no seu sucessor Alphabetical, em detrimento de uma sonoridade assumidamente “pop/rock”.
Esse desejo de mudança fez com que os sintetizadores fossem substituídos por guitarras em despique, criando uma sonoridade que evoca bandas como os The Kooks, os Razorlight ou o até mesmo o primeiro disco dos The Strokes, sem comprometer o espírito “indie pop”, que sempre os caracterizou.
O resultado é o melhor disco das suas carreiras, um claro e decidido salto em frente, os Phoenix finalmente descobriram como criar canções vibrantes, modernas, inteligentes, descontraídas e “upbeat”, que podemos desfrutar descomplexadamente, num dia solarengo à beira mar.
Phoenix - "It's Never Been Like That" (2006) - Astralwerks
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Anónimo
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2007/02/03
Mojave 3
Aquecer os dias frios
A boa disposição toma-nos quando escutamos temas como “Truck-Driving Man”, “Puzzles Like You”, “Breaking The Ice”, “Running With Your Eyes Closed”, “Ghostship Waiting”, “Kill The Lights” (aliás estas duas ultimas muito semelhantes) ou “To Hold Your Tiny Toes”.
As próprias baladas, “Most Days”, “Big Star Baby”, “You'Ve Said It Before” ou “The Mutineer”, são espontâneas, aquém de qualquer ambiente mais misantropo. É um álbum que no seu conjunto, denúncia um alto astral da banda, percebendo-se que longe vão os tempos da taciturnidade dos primeiros trabalhos como “Ask me Tomorrow” ou “Escuse For Travelers”.
As guitarras pop marcam um ritmo acelerado, incitando ao bater das palmas. Mas a atenção, que o pop/rock de Neil Halstead (líder da banda) não deve ser associado ao comercial, estando antes bem próximo do indie/alternativo, não deixando no entanto de ser despretensioso.
Lançado no Verão passado, passa lindamente nos dias soalheiros de Inverno.
Mojave 3 - "Puzzles Like You" (2006) - 4AD
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Antonio Antunes
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