2007/06/02

d3o (Concerto)

COIMBRA - VIA LATINA - 2007/06/01



Almandino Quiet Deluxe (Concerto)

COIMBRA - VIA LATINA - 2007/06/01



Major Dick And Captain Woody (Concerto)

COIMBRA - VIA LATINA - 2007/06/01



2007/05/31

2007/05/27

Mother Mother

Chicken-Pop

O país da bandeira de folha caduca, produz bandas que, apesar de tudo, florescem atravessando as quatro estações sem capitular, de que são exemplo os Arcade Fire, Broken Social Scene, Metric, Júnior Boys, aos quais se juntam agora os Mother Mother, estranhíssimo quinteto oriundo de Vancouver.
A julgar por este seu primeiro disco, eu diria que é quase impossível associá-los a um género ou estilo musical predefinido. A ausência de limites, ou uma imensa originalidade na criação dos temas, faz com que percorram, folk, country, pop, alt-rock, jazz, hillbilly, tango, o que quiserem, conferindo uma inusitada versatilidade ao disco.
As letras excêntricas e rocambolescas, são interpretadas por um carismático triunvirato de vozes freaky, assistidas pelo arranjo acústico da guitarra que marca o ritmo de um comboio a vapor. A inovadora música dos Mother Mother, podia muito bem ser escolhida para uma fuga das galinhas ou uma guerra de capoeira, tal é a diversão e por vezes a propositada patetice a que soa.
O estilo cabaret e os coros luminosos de Ryan Guldemond, Molly Guldemond e de Debra-Jean Creelman, fazem deste disco uma refrescante e original limonada pop, a servir fresca em dias bem quentes.

Momento Mágico: Polynesia


Mother Mother - Touch Up (2007) - Last Gang Records

2007/05/24

Voxtrot

Vox-Pop

Logo no inicio da primavera mudam-nos a hora e ficamos com um ligeiro jet-leg de dificil adaptação, só ao fim de alguns dias e após algum esforço, voltamos ao normal ritmo de vida.
O primeiro trabalho de Voxtrot, provoca a mesma sensação, deixa-nos completamente espantados, desorientados e até desconfiados logo nas primeiras audições, só aqui a reacção é contrária, não queremos nem por nada voltar à nossa vida terrena.
Após 3 magnificos Ep’s (Mothers, Sisters, Daughters & Wives (2006); You Biggest Fan (2006) Raised By Wolfes (2006), surge o tão esperado (pelo menos por mim) primeiro album desta banda texana (Austin), liderada por Ramesh Srivastava, que é o principal mentor e motor da banda compondo e cantando todos os temas. A voz de Srivastana está na tonalidade de muitos outros vocalistas, poderia colocar aqui imensas comparações, mas desta vez não o vou fazer, vou limitar-me a dizer que é clara, nitida, leve e desconstraída.
O resultado de todos estes adjectivos é sublime, temas como “Kid Gloves” ou “Firecraker” são instantaneos e vivem dentro da gramatica pop, onde o predicado e o sujeito ocupam a sua correcta posição e onde nem sequer há lugar a adverbios de modo. “Easy” e “Blood Red Blood” são tardes de calor em dias frios de primavera. “Ghost” e “Brother In Conflict” chegam à mais escura das sombras e com um simples e recatado acorde de guitarra, transformam a noite em dia. Com “Future Part. 1” e “Every Day” prova-se que nem só de pão vive o homem, que é preciso algo mais que nos transforme em quase deuses.
Voxtrot é terrivelmente pop, é pop como deve ser, é uma manhã de sol, é uma bela mulher, é um descontrolado bater de pé, é um sorriso de criança, é um bem estar presente e permantente… é… é… é um forte candidato a melhor disco do ano.

Momento Mágico: Kid Gloves


Voxtrot
Voxtrot (2007) - Playlouderecord


OUTRO PENSO por Edgar Domingues

2007/05/21

The Rosebuds

"O Meu Castigo É Viver Sem Ti..."

Não pude deixar de traduzir este verso, presente na faixa "My Punishment For Fighting” do terceiro álbum dos The Rosebuds, uma vez que ele expressa na perfeição, o ambiente deste disco. Night Of The Furies vive, respira e transpira pop, brilhante, sonhadora, esperançosa, ocasionalmente sofredora, que sonoriza com mestria relacionamentos em que os desentendimentos e as diferenças são contrariados pela esperança indelével num futuro comum.
A classificação, por alguns, do seu som como “New Romantic” tem o seu fundamento na utilização omnipresente de sintetizadores e vozes etéreas, no prossecução da herança de bandas como os Pet Shop Boys, Roxy Music, New Order, etc., e traduz-se num som muito atractivo, não raras vezes cinemático.
É um disco coeso, bem sequenciado, que abre e fecha com as duas melhores canções do disco "My Punishment For Fighting" e, especialmente, “Night Of The Furies”, nesta não posso deixar de realçar o modo genial como é feita a descrição de alguém, bem na vida, atormentado por fantasmas do passado que o fazem vacilar (There's calm in these banquet years, so I tend to obsess about youth, before the guilt appeared. But I need to forget.").
Nos restantes temas percorre-se, de forma segura, um caminho ligado ao romance, aos seus mistérios, condicionantes e complicações, o que se pode confirmar, entre outros, em “Cemetary Lawns” (um casamento em ruínas), "When The Lights Went Dim" (uma herança inesperada e a angústia relacionada com o desaparecimento de um amor).
Numa só palavra, radioso.

Momento Mágico: Night Of The Furies


The Rosebuds - "
Night Of The Furies" - (2007) Merge

2007/05/18

Dirty Elegance

Unico

Quando a alma se desagrega do corpo, eterizada, enceta uma viagem psicotrópica ás profundezas da dimensão paralela, sons, timbres e vozes irrompem. Combinados entre si estes elementos projectam-se numa hipnose giratória. Não é musica é arte.
Dirty Elegance é inspiração levada ao extremo do engenho humano, aqui o termo complexidade assume outra compreensão. A música electrónica surge-nos como um círculo, desconhece-se onde começa e como pode acabar, pelo que ouvir Finding Beauty In The Wretched, não deveria provocar qualquer perturbação. Mas inevitavelmente provoca. Aliás, afecta-nos, a beleza impressiona, a harmonia seduz, o enigma sonda o ser, levando-o ao exterior sem abstrair do seu interior.
Este disco não vive somente no trip-hop ambiente, habita algures entre Massive Attack e Portishead, encaixado bem fundo nos Sigur Rós e The Album Leaf, é, se assim se pode designar, electrónica experimental. Álbum para pessoas que questionam a existência humana a realidade envolvente, que ousam olhar além da miséria quotidiana que nos rodeia. O individuo em busca do sonho, cuja premissa é dar expressão autêntica ás suas aspirações, descobre neste disco o seu númen.
Único para seres únicos.

Momento Mágico: Wirrok


Dirty Elegance - Finding Beauty In The Wretched (2007)

2007/05/15

Electrelane

Srªs. Donas Gajas

A clareza de ideias, é um dos mandamentos destas meninas, outro poderia ser a simplicidade e outro ainda a eficácia. Há algo de primário na forma como se constrói/destrói os temas, como se fabrica uma música, tome-se como referencia Emma Gaze (bateria) ou as repetitivas e constantes marteladas nas teclas provocadas por Verity Susman (teclas/guitarra), fica no ar a duvida se tudo isto acontece naturalmente ou se é propositado.
Com No Shouts, No Calls as Electrelane atingem o 4º capítulo da sua (ainda curta) vida artística e surge após o álbum Axes (aquele que eu considero, um dos melhores álbuns dos últimos 37 anos). Se Axes tem a enorme particularidade de ter sido gravado numa única take e com isso ter conferido uma marca indiscutível no universo musical, No Shouts, No Calls é um “álbum de canções” (o que não deixa de ser caricato). O formato canção não existe, no universo Electrelaniano, o que existe isso sim são composições electro-rock, onde as regras não são regras, onde o sinal vermelho significa acelerar e ninguém pára no STOP.
E é assim desta forma subtil e pseudo-calma, que constrói um perfeito álbum rock, “To The East” (o single) descobre uma vocalista em desassossego, como se lhe estive a faltar o ar e a pedir socorro permanentemente. “Tram 21” é krautrock made in 00’s, a composição louca e falta de normalidade é o principal sintoma de demência. O carrossel mágico de “At Sea” é uma tempestade de teclas, são coros de vozes em disfunção…
Um banda perfeita, com temas perfeitos, dentro de um álbum perfeito… se existir alguma imperfeição a culpa é nossa.

Momento Mágico: At Sea


Electrelane
No Shouts, No Calls (2007) - Too Pure / Beggars

2007/05/12

Azevedo Silva

Arte Livre

"Tartaruga! Por uma arte livre.", frase do próprio artista, que se pode ler no seu myspace, reflecte, a meu ver, o que de um músico se espera: a liberdade de criação musical sem quaisquer constrangimentos económicos. Esta atitude assumida em Tartaruga e cada vez mais rara nos tempos que correm, faz deste disco um trabalho absolutamente louvável no panorama musical luso.Mas não é apenas pelo facto de este segundo disco de Azevedo Silva (o primeiro foi o EP Clarabóia) se encontrar disponível gratuitamente, em http://www.virb.com/azevedosilva, que o torna louvável.
O seu mérito reside particularmente na capacidade de imediatamente cativar o mais negligente ouvinte português, quer pelo dedilhar da guitarra acústica, a lembrar o saudoso Zeca Afonso, quer pelas elementares letras, palavras austeras e realistas, que soam como pungentes acoites na consciência, de que é exemplo “Abutres” o quarto tema: “Anda, vem cá ver um exemplo do uso do verbo mandar. Olha, sai ao papá, cabrão do menino. Também bate na mãe? Talvez seja o destino”.
É música simples mas a simplicidade não belisca a intensa mensagem que envia a todos nós. Vale a pena reflectir sobre as emoções que brotam das suas letras. Tartaruga é até à data o mais singular e bem concebido disco português produzido em 2007.

Momento Mágico: Liberdade


Azevedo SilvaTartaruga (2007) – Lástima
http://www.virb.com/azevedosilva

OUTRO PENSO por António Antunes

2007/05/06

Blackfield

Melancolia pop rock

De regresso em 2007, com o álbum Blackfield II, o projecto liderado por Steve Wilson (dos Porcupine Tree) e pelo cantor israelita Aviv Geffen oferece-nos um disco decididamente “pop rock”, no qual as vozes (uma vez que as funções de vocalista são repartidas), as guitarras e os arranjos da secção de cordas originam dez bonitas canções, harmoniosas, melancólicas e um pouco mais experimentais do que o normal neste tipo de sonoridade.
Muito embora Steve Wilson pareça adoptar um papel de destaque como performer, para além da sua faceta de compositor patente em três canções, não se pode descurar o contributo de Aviv Geffen para esta obra, especialmente porque assume a composição de metade das faixas presentes neste disco.
Resulta desta simbiose criativa um belo disco “pop rock”, dinâmico, complexo quanto baste, bem produzido no qual a secção de cordas é o meio, preferencial, para atingir o estado de espírito pretendido pela banda. As músicas que melhor ilustram essa coerência musical e criativa são “1,000 People”, “Christenings” “Epidemic” e “My Gift Of Silence”.
Dir-se-á que é o disco ideal para ouvir enquanto assistimos ao pôr-do-sol numa praia, agora que o calor começa a aumentar e com ele uma maior languidez.

Momento mágico: Epidemic


Blackfield - Blackfield II (2007) - Atlantic

2007/05/01

Parts & Labor

Desconstruções

Numa época em que quase todas as bandas, parecem formatadas e disformadas da mesma forma, onde todas ou quase todas usam as mesmas regras e os mesmos princípios, lá surge uma que se evidência pela sua desconstrução sonora, pela destruição do senso comum musical.
Urgência provocada pela necessidade da explosão sonora, é um marco nos Parts & Labor, já no anterior trabalho Stay Afraid (2006) o constante uso do ruído e da permanente paranóia eléctrica, iam transmitindo ao ouvinte um adorável nó no estômago. Com Mapmaker, continua a hostilidade e agressividade do noise, só que com uma tendência mais linear, não surge a opção do ruído pelo ruído, a opção tomada é consciente e mantida a todo o custo e aqui e ali quase que nasce o primeiro hino noise. Mapmaker é um disco circular e não estou a fazer analogia, é mesmo redondo e é curto o espaço onde se desenrola toda a acção desta banda, não existem espectros nem espelhos, apenas instrumentos e colunas de som, depois basta colocar tudo no volume máximo e aí viajamos nós nos picos dos decibéis.
Melhor que tentar explicar a eficácia da coisa, é ouvir Mapmaker, logo na abertura do álbum “Fractured Skies” como o próprio nome indica uma fractura provocada por uma pancada sónica de alta velocidade, surgida não sabe bem de onde nem como. “Unexplosions” é uma implosão com imenso ruído e cheia de pó. Com “Fake Rain“ surge a canção-noise, o que poderá parecer estranho mas não o é.
Mapmaker é um GPS, para quem acha que o mundo do noise-rock é para pessoas sem sentido de orientação.

Momento Mágico: Unexplosions


Parts & LaborMapmaker (2007) – Jagjaguwar

2007/04/29

Azevedo Silva (Concerto)

COIMBRA - FNAC - 2007/04/29





2007/04/27

Au Revoir Simone

Pop no feminino

Não é vergonha fazer pop, vergonha é fazer mau pop, e deste não podem ser acusadas as Au Revoir Simone, três lindas meninas de Brooklyn NYC. Consideradas as Bananarama do século XXI, elegeram idiossincraticamente os sintetizadores que todas, curiosamente, tocam. Este segundo álbum, que se segue a “Verses of Comfort, Assurance & Salvation”, traz-nos gentis melodias synthpop em estado orgânico, envoltas numa suave harmonia feminina que docemente nos electrizam a alma.
Melancólico, íntimo, delicado e cintilante, é assim The Bird Of Music”, onde estados de espírito habitam entre o júbilo – Sad Song, Dark Halls, Night Majestic, Stars – e um inócuo dramatismo – Don't See The Sorrow e Lark.Mas sobretudo em The Way To There, no qual Heather D’Angelo, vocalista da banda, ladeada por épicos violinos e os três sintetizadores residentes, nos introduz numa tranquila paisagem onírica onde desagua o fluxo sintético que afinal descreve o disco.
The Bird Of Music” é, sem qualquer pretensiosismo star diga-se, uma irrepreensível combinação entre a maquina e o humano que agrada aos ouvidos da mesma forma que Heather, Erika e Annie agradam à vista, e prova a crescente consideração que a pop electrónica readquiriu após o surto dos anos 80.

Momento Mágico: The Way To There


Au Revoir Simone
- The Bird Of Music (2007) - Moshi Moshi

2007/04/23

The Sea And Cake

Bolacha de Agua e Sal

A pop precisa de bandas assim, descontraídas e imediatas, como se fossem solúveis, basta acrescentar água (neste caso do mar) e mexer com destreza e sem complexos. Sea And Cake, são já veteranos nessas andanças do pop-rock, são já chefes de obra, longe vão os tempos de serventia que nos deram obras como “Nassau” ou “Oui”, mas neste caso particular esta passagem de tempo não foi nada prejudicial, antes pelo contrário, devemos encarar isto como experiencia adquirida, como evolução.
O fio de voz proposto por Sam Prekop, soa a por de sol, sabe a salgado, e vai contando historias, umas vezes mais óbvias outra vezes recorrendo a imagens e metáforas, a isto junta-se o low-fi do indie-rock com todos os seus ingredientes, o resultado final é calmo, intimo, pacifico, sossegado, solarengo, mas intensamente fresco.
A forma quase matemática do bater de pandeireta, a redundância física do conjunto e da sua intensa interacção, a guitarra escorreita, a bateria redonda. Up On Crutches é uma bela abertura, para explicar tudo o que foi dito. Croosing Line é fronteira entre a guitarra perfeitamente pop e a distorção adolescente. Middlenight é o encontro entre o dia e a noite, é perfeita para o lusco-fusco, é o aceder da vela para o jantar romântico.
Em 2007 “Everybody” promete neste início de primavera, pintar o céu de um azul intenso e levar-nos a passear no areal (por enquanto) desarrumado de gente.

Momento Mágico: Middlenight


The Sea And Cake
- Everybody (2007) - Thrill Jockey

2007/04/19

Aqualung

Inovar sem desvirtuar

Quando um projecto pessoal, como é o caso de Aqualung, ganha protagonismo, graças a um tema “Strange and Beautiful” que ultrapassa as fronteiras do universo indie pop para o mainstream, e que motiva uma edição americana de um álbum de edição britânica Still Life com um novo título Strange and Beautiful e line-up, questiona-se sempre se o mentor do projecto (Matt Hales) conseguirá, afastando-se de todo o hype, trilhar de forma segura o caminho iniciado.
Neste caso a resposta é positiva, muito embora, à primeira vista, Memory Man pareça repetir as fórmulas já utilizadas, uma audição mais cuidada revela que Matt Hales se esforçou por dotar este álbum de novos elementos, nomeadamente através da introdução de uma grande variedade de instrumentos e electrónica, sem que isso comprometesse a alma do projecto.
Essa mudança não só utiliza a instrumentalização digital para criar sons únicos e admiráveis em faixas como "Pressure Suit", “Black Hole” e "Broken Bones", mas também favorece a criação de arranjos delicados que potenciam a sua música a um nível que ainda não tinha conseguido atingir.
Uma das faixas que melhor ilustra essa evolução é “Cinderella”, a faixa de abertura que encerra um refrão hipnótico e um riff enérgico, dotada de uma delicadeza arrepiante na sua essência e que está envolvida por várias camadas, por mais criatividade e uma paixão avassaladora. Outras canções merecem destaque como “Something To Believe In”, “The Lake”, “Rolls So Deep” e especialmente “Vapour Trail”.
Sem dúvida alguma estamos perante um álbum coeso, simples e criativo, que merece um lugar de destaque nas listas dos melhores discos editados, até ao momento, neste ano de 2007.

Momento Mágico: Vapour Trail


Aqualung - Memory Man (2007) - Sony

2007/04/16

Grails

Viagem ao passado

Os finais de 60’s e inícios de 70’s foram, para mim, a melhor época da música com destaque para o hard rock, o psicadélico e o espírito da altura. Felizmente existem bandas que nos dias de hoje continuam com esse espírito. No ano passado tivemos o Avatar dos Comets on Fire, este ano o seu representante no que toca a revivalismo Flower Power são os Grails com este Burning Off Impurities que se desvia do post-rock, dos álbuns que até agora tinham feito, para os caminhos do acid-folk.
É um álbum simples, dominado com aqueles momentos em que apetece deitar na cama a olhar para o tecto, ou de olhos fechados, e absorver a música, pensar na vida ou viajar… não fosse isto acid-folk. Depois a euforia, com batidas contagiantes que interrompem o nosso sossego, mas não nos acordam, a viajem torna-se apenas mais atribulada.
Este Avatar de 2007 vai ser claramente um dos álbuns do ano… espera… já o é.
Momento mágico: Silk Road


Grails - Burning Off Impurities (2007) - Temporary Residence

2007/04/13

Voxtrot

Perfume pop

A Primavera de 2007 encontra no LP de estreia dos Voxtrot, a banda sonora ideal para os seus tranquilos e perfumados dias. Também é perfumada a música dos Voxtrot, com notas de livre arbítrio, honestidade e exuberância. O álbum homónimo dos Voxtrot, é sem duvida uma lufada de ar fresco na cena indie pop e é já um sério candidato a álbum pop do ano.
Ao ouvirmos cada uma das suas 11 faixas, a memória é invadida de reminiscências adolescentes, ou como se canta no segundo tema, “Kid Gloves”, somos mesmo tocados com luvas de miúdo. As músicas, de carácter enérgico, soam com sincera amabilidade. Ainda assim o som é maduro, produzido por guitarras melodramáticas, metais e pianos. As melodias são fortes quanto baste para se fixarem no ouvido sem entediar, independentemente das vezes que as ouçamos.
Banda americana, relativamente desconhecida, lançou até agora apenas três EP’s, mas já granjeou a simpatia de um numeroso grupo de fãs, que se reúnem no blog do seu vocalista, Ramesh Srivastava. Daí ter sido catalogada como uma blogband. Os Voxtrot encantam da mesma forma que Belle & Sebastian ou Reindeer Section, sendo também comparados aos Smiths, dada a semelhança vocal de Srivastava com Morrissey. Grande tema do disco, poderá ser considerado “Firecracker”, cuja precisão da composição converge num fantástico coro de arrepiar cabelo; “Future Pt.1” é maravilhosa, uma ode ao relaxamento. “Every Day”, a minha preferida, é pop em estado puro.

Momento Mágico: Every Day


Voxtrot - Voxtrot (2007) - Playlouder

2007/04/10

Azevedo Silva

Homem Simples

Muitos irão pensar: “Olha, um amigo dele gravou uma cena e ele está a fazer-lhe publicidade!”, só que é puro engano, não conheço o Azevedo Silva de lado nenhum, se por algum acaso me cruzar com ele amanhã, não o conseguirei reconhecer.
O que me leva a escrever este pequeno texto, é um impulso interior um pouco difícil de definir, e isto deve-se ao facto de Tartaruga, ser um disco que se entranha de uma forma lenta e estranha, como se dentro da carapaça existisse alguém à espera de libertação e ao mesmo tempo não desejasse essa mesma liberdade, é um hotel-prisão onde o bem-estar é imagem de marca (Frio e Fome), é um voo condicionado e controlado (Abutres), é simplesmente simples (Palavras de Ninguém).
Depois de uma excelente apresentação com Clarabóia, Azevedo Silva surge com a sua primeira longa-metragem e imagem após imagem, constrói-se um universo cheio de amargura e tristeza, mas onde o epílogo é um dia de claridade e jovialidade, poderia ser um clássico do film-noir, tal é o equilíbrio existente entre o preto e o branco.
Tartaruga chega na Primavera, depois de ter hibernado e chega de tal forma rápida, que tal e qual como na fábula, existe uma enorme possibilidade de ganhar a corrida, para mim neste momento lidera destacado o pelotão da frente da música portuguesa em 2007, veremos como irá terminar esta corrida.

Momento Mágico
: Abutres

Azevedo SilvaTartaruga (2007) – Lástima http://www.virb.com/azevedosilva

2007/04/08

Low

Lentidão

A banda mais lenta do mundo volta a atacar. Se o anterior trabalho The Great Destroyer (2005), tinha deixado um leve sabor a desilusão e até mostrado um desgaste da fórmula, com Drums And Guns, surge um novo raiar de luz. E isto deve-se à introdução do experimentalismo electrónico, se até agora se contentavam com instrumentos orgânicos, a partir de agora há algo mais a explorar.
Dantes tínhamos o deserto sonoro, um espaço sem barulho e constantemente vazio, onde tudo acontece, apesar de não se ver. Era tudo um universo ocupado, por sombras em constante câmara lenta e isso fazia deles uma banda enorme.
Com a alteração (não brusca) da matriz, o jogo de vozes vai manter-se inalterado, continuando a variar entre a combinação, a alternância e a solidão. Nada muda na essência, o que veio acontecer foi um complemento, um enchimento dos espaços vazios, um iluminar do recanto da sala.A banda de Duluth, Minnesota, recria-se, inova-se e só ganha com isso, ganha ela e ganhamos nós.

Momento Mágico: Sandinista


Low
– “Drums And Guns” (2007) – Sub-Pop

2007/04/05

The Shins

O terceiro trabalho dos The Shins, banda predilecta da cena indie estado unidense, foi lançado em finais de Janeiro e arrisca-se a ser o disco da consagração. Senão, o que dizer do facto de ter entrado de imediato para o segundo lugar da Billboard 200 na semana de lançamento? Provavelmente ainda a beneficiar do empurrão publicitário dado pelo filme “Garden State” – onde participam com o tema New Slang – tal não tira o mérito a uma banda, que honestamente cria música harmónica, apelando à jovialidade e ao bom humor. Wincing The Night Away está recheado de temas que remetem para a inconstância da adolescência, de dias sim e dias não. Rodando à volta de uma certa pop borbulhante, “Turn On Me”, “Phantom Limb”, mas sobretudo em “Austrália”, faixa que se tatua nos tímpanos e se ouve até enjoar. Já o ultimo terço do disco desagradará àqueles que não apreciem o lado mais experimental dos The Shins, denotando uma ténue queda no upbeat que marca grande parte do álbum.
Não mudou a minha vida, mas muda o meu dia cada vez que ouço James Mercer em “Austrália”, com um envergonhado banjo em fundo, cantar “You know you'll change your life for any ordinary Joe”.

Momento Mágico: Australia

The Shins - "Wincing The Night Away" (2007) - Sub Pop


OUTRO PENSO por Carlos S. Silva

2007/04/02

John Mayer

Revolução Blues

John Mayer não é um nome consensual no universo indie, muito embora a sua ascensão como músico tenha as suas raízes no verdadeiro espírito “do it yourself”, tão característico deste, alicerçada que foi em tournées em bares de Atlanta e bootlegs trocadas entre os fãs locais.
O novo disco Continuum demonstra que as recentes colaborações com nomes como B.B. King, Buddy Guy ou Herbie Hancock, não foram obra do acaso, assim neste trabalho, John Mayer opta por uma sonoridade em que predomina, essencialmente, o Blues, muito embora se reconheçam elementos R&B, Folk, Gospel, Rock e Pop, na sequência do que havia feito em trabalhos anteriores, especialmente em Room For Squares e Heavier Things.
Desde logo se realça a capacidade de John Mayer, para se afirmar como um brilhante singer/songwriter, para além do enorme talento que tem como guitarrista, no entanto não se esvazia aí o potencial deste disco, na verdade a inteligência que demonstra para reflectir sobre a condição humana não pode deixar ninguém indiferente e indicia o porquê de ser considerado “herdeiro” de lendas comos Sting, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan e Steve Winwood.
É sem qualquer dúvida o disco mais conseguido da sua carreira, introduz novos elementos ao seu estilo musical, não desilude, mas ainda não é a obra-prima que muitas pessoas entendem estar ao seu alcance.

Momento Mágico: Slow Dancing in a Burning Room


John Mayer - Continnum (2006) - Sony

2007/04/01

Old Jerusalem (Concerto)

COIMBRA - FNAC - 2007/03/31





2007/03/27

Odawas

Twin Freaks

Laura Palmer vestida de negro, verruga no nariz e de pêlo na venta, atravessa a porta de luz e descobre a beleza que pensava não existir. É este o espaço cinematográfico criado por Odawas, uma espécie de Angelo Badalamenti from Hell. Os Odawas são a sombra dos sons de Badalamenti, vivem na ala psiquiátrica do seu cérebro, onde a esquizofrenia coabita com os cantos angélicos e hinos de louvor.
O segundo trabalho de Odawas, é uma obra perfeita. Está assente em alicerces temáticos, e por isso pode ser folk-ambiental “When God Was A Wicked Kid”, tem o ambiente fumarento de um qualquer cabaret negro “Getting To Another Plane” onde uma guitarra Guilmoriana chora mágoas e tem uma perfeita pérola negra “Alleluia” onde a voz arrastada e destroçada de Michael Tapscott é o veículo perfeito para nos transportar para um qualquer Western-Spaghetti de Sergio Leone.
A manta de retalhos criada pela totalidade dos temas, faz deste Raven And The White Night, um fabuloso álbum, um diamante em bruto, cabe a cada um de nós lapida-lo, se bem que haverá quem nem sequer lhe puxe o lustro e o consuma cru.
Momento Mágico: Alleluia


Odawas
Raven And The White Night (2007) - Jagjaguwar

2007/03/24

Calla

Callados?

Ao falar dos Calla sou suspeito, pois não são mais que a minha banda predilecta. Não me perguntem porquê, nem eu sei. A languidez melancólica do rock produzido por estes nova-iorquinos e a voz torturada de Aurélio Valle, deixam-me agradavelmente depressivo. Assim aguardava ansiosamente pelo seu quinto disco. Mas Strength In Numbers acabou por soar a ligeira decepção. Ainda com os ouvidos viciados no antecessor Collisions, um disco atmosférico mas magnificentemente negro e melancólico quanto baste, o último álbum de Calla soou a cacofonia onomatopeica, guitarrada desordenada em desespero de causa. No conjunto é um disco sem harmonia. Ao contrário do trabalho antecessor e de Televise, é um disco inacessível, um niilismo. Não obstante, o género negro, frio e depressivo a que os Calla nos habituaram continua presente, o romantismo negro marca algumas linhas: “If I Fail, if I rise/will you trail behind?”, a guitarra acústica envolve e não desilude. Por isso, “Strength In Numbers” contém, ainda assim, temas que não decepcionam: “Sleep In Splendor”, “Stand Paralyzed”, “Malicious Manner” e “A Sure Shot”, são exemplo de que os Calla continuam fiéis a um estilo que se tornou a sua marca registada. Não termino sem referir que continuam a ser a minha banda favorita, mas quem calla consente e eu não me podia calar. Venha o sexto álbum.

Momento Mágico: Stand Paralyzed


Calla - Strength In Numbers (2007) -
Beggars Banquet

2007/03/22

Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI

Heróis do Punk, Nação Valente

Qual é a verdadeira razão, dessa coisa chamada underground existir? Estamos perante bandas, que se recusam a inserir no meio musical comercial/mainstream? Ou são automaticamente, postas de parte pela indústria que gere o próprio meio (rádios / Tv’s / jornais / etc)? Gostava, um dia de ler uma resposta lógica e bem fundamentada e não uma resposta repleta de desculpas e cheia de lugares comuns.
O micro planeta punk-metal-rock português existe, tem saúde e recomenda-se, se alguma dúvida houver escutem a excelente colectânea “Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI”. O serviço prestado pela Editora Impulso Atlântico, é louvável e merece todo o mérito, não só porque luta contra o sistema instalado, mas fundamentalmente porque consegue reunir 50 bandas num CD duplo e apresentá-lo ao público, com uma qualidade invejável de produção e com uma arrumação (alfabética) bastante curiosa.
E assim de um pouco mais de duas horas, somos arremessados ao tapete várias vezes. Bandas como Acromaniacos, Coiratos Violentos, If Lucy Fell, Mata-Ratos, Peste & Sida, The Parkinsons, etc, mostram toda a sua capacidade sónica, para provar que Portugal não é o eterno país do fado. Punk Rock está vivo e transpira (literalmente) som por todos os poros.

Ataque Frontal – Underground Português do Século XXI
(2006) – Impulso Atlântico


A Visitar - IMPULSO ATLÂNTICO

2007/03/17

Brett Anderson

O Miudo-Pop

As feições são de miúdo, pelo menos não consigo olhar para ele e ver um homem adulto, em contrapartida é um senhor no que concerne a criação de temas pop. Brett Anderson esteve no meio da explosão que foi o Britt-Pop dos anos 90, aliás, nesse fenómeno esteve a banda de que era vocalista, os Suede, responsável por dois discos, que marcam a pop britânica dos últimos 20 anos Dog Man Star e Coming Up. Agora, Brett Anderson, chega a 2007 na aventura do “álbum a solo” e consegue-o de forma impressionante, num álbum dramático, emocional e até filosófico (ouça-se “The More We Possess The Less We Own Of Ourselves”). Uma verdadeira orquestração de emoções.
Sente-se, apesar de tudo, aqui e ali uma falha na estrutura musical (afinal falta Bernard Butler, o outro Suede). Mas o song-writer está em grande, transborda de romantismo, nascem flores a cada refrão, temas como “Colour Of The Night” ou “To The Winter” demonstram que o amor é livre e é o que queremos que ele seja. Neste debut, Brett Anderson distancia-se do estilo que caracterizou os Suede, evitando o alternativo e o Britt-Pop. O que fica patente: os Suede não estão mortos, apenas estão em hibernação, ficaremos atentos.

Momento Mágico: Love Is Dead


Brett Anderson - Brett Anderson (2007) - Drowned In Sound

2007/03/14

If These Trees Could Talk

100 Voz

São imensas a bandas, que sintonizam este programa, o chamado post-rock ou cosmic-rock (como eu gosto de lhe chamar). A viagem espacial iniciada na primeira descarga de bateria, leva-nos em mach 3 até aos anéis e saturno, para depois subir e descer como se uma montanha russa se tratasse, as rápidas imagens cerebrais criadas por If The Tree Could Talk, baralham os sentidos, obrigando a um constante arrumar das ideias.
O duelo ou melhor o trielo entres os (3) guitarristas de Akron (USA), serve quase sempre como mote, como pontapé de saída, e eles juntam-se a bateria e o baixo e de onde na teoria poderia surgir noise rock, sai melancolia, fragilidade, sinceridade…
If These Trees Could Talk são uma banda cheia de vontade, transbordam electricidade estática (de por os pêlos em pé), reflectem longas paisagens lunares, onde o eco e a profundidade de todos os sons, são sinais de fumo visíveis a várias milhas de distância.

Momento Magico: Smoke Stacks


If These Trees Could Talk
– “If These Trees Could Talk [EP]” (2006) - Procedure Records

2007/03/11

Kaiser Chiefs

Cumprir Calendário

Perdoem-me a expressão, tantas vezes utilizada no vernáculo futebolístico, mas é a sensação que deixa Yours Truly Angry Mob.
No novo disco os Kaiser Chiefs não se conseguem separar da herança de Employment, a sua estreia, contudo isso não constitui, necessariamente, um aspecto negativo, efectivamente introduzem canções que surpreendem, sem que as mesmas se afastem daquilo que se conhece à banda e, em última análise, superam o sempre difícil obstáculo que constitui o segundo disco da carreira.
Muito embora comece de forma desalinhada, gradualmente ganha corpo e atinge um patamar que nos leva a recomeçar a audição, essencialmente, porque contém uma descrição mordaz, com laivos humorísticos, da vida no Reino Unido nos dias de hoje, principalmente as angústias existenciais da classe trabalhadora e da classe média britânicas “The Angry Mob”, do ambiente decadente dos pubs, cheios de adolescentes “High Royds” e do impacto que o sucesso teve na sua vida “Thank You Very Much”, “Learnt My Lesson Well” e “Retirement”.
Resumindo, e recorrendo novamente às expressões de carácter futebolístico que até não são completamente descabidas uma vez que o nome da banda resulta da equipa sul-africana onde jogava Lucas Radebe, antigo central do “Leeds Utd.”, clube da sua terra natal, os Kaiser Chiefs “cumprem calendário”, conseguem os “três pontos”, mas ficamos a aguardar o disco em que vão aliar “ a exibição ao resultado final”, algo que entendo serem capazes de fazer.

Momento Mágico: I Can Do It Without You


Kaiser Chiefs - Yours Truly Angry Mob (2007) - Universal/Polydor

2007/03/06

Panda Bear

Animal Singular

Mais vale só, que mal acompanhado, é o provérbio a contrariar a ouvir o novo trabalho de Panda Bear aka Noah Lennox, isto porque a solo vale tanto como acompanhado, a diferença é que sozinho é mais autónomo e menos complexo.
Nelson Mandela poderia ter sido libertado, ao som de “Comfy In Náutica”, um verdadeiro hino libertador, repleto de cor e com intenso cheiro a terra. “Bros” é uma paranóia solarenga, coberta de vocalizações e com um curto loop que estende para lá do por de sol, a Califórnia pode ser onde o homem quiser, com ou sem Beach Boys. O vazio cerebral, provocado pela audição (continua) de "I'm not"... é um autêntico clister-mental.
Person Pitch não é imediato, nem repentino, é folk-psicadélica com psicose acentuada, inundada de samplers e micro-sons, é a procura de algo conhecido, no desconhecido. Ao 2º álbum afirma-se sem qualquer dúvida: uma parte pode, ser tão perfeita como o todo.
Um grande disco. Primeiro disco do ano sem fim... para ir descobrindo.

Momento Mágico: I’m Not


Panda Bear
Person Pitch (2007) – Paw Tracks

2007/03/03

Richard Swift

O Homem dos Balões

Richard Swift está de volta.

- E quem é ele? Perguntam vocês.
E eu respondo
- É o Sr. Simplicidade.
Swift nasceu há 30 anos na Califórnia e apesar de muitos dos seus temas, soarem a pop soalheiro, não estamos perante um dos muitos surf-rockers, que por aí andam (e até tresandam), Swift é um artista a sério. O tom dramático com que interpreta os seus temas, o estilo descontraído que daí resulta, aproximam-no de um Rufus Wainwright ou até do grande mestre Brian Wilson (versão mais nocturna), se bem que a comparação, com este ultimo, lhe irá carregar nos ombros uma enorme responsabilidade (a tempos veremos, se a consegue suportar).
Dressed Up For The Letdown, surge como a sequência lógica de The Novelist/Walking Without Effort (álbum duplo de 2005), sendo ao mesmo tempo complemento de uma história e a afirmação de Swift com artista, a partir daqui é dele o mundo.
A voz de Richard Swift, está perfeitamente torneada, já não há defeitos, nem limalhas, atente-se na perfeição vocal de “Ballad Of You Know Who”, perfeitamente cristalina. Com “Kisses For The Misses” existe uma tonalidade irónica, que penso que deve ser explorada, bem como um ambiente tipicamente cabaret. “The Million Dollar Baby” é de uma intensidade sem fronteiras, somos transportados pela sua doce voz e sem querer levantamos voo.

Momento Mágico: Buildings In America


Richard Swift – “Dressed Up For The Letdown” (2007) - Secretly Canadian

2007/02/27

The Shins

Cai o nevoeiro

Os The Shins demonstram, no seu novo disco Wincing The Night Away, que sabem conviver com o sucesso, não se intimidaram com o sucesso e evitam as armadilhas recorrentes, resultantes dessa maior exposição mediática.
Efectivamente este é, sem qualquer dúvida, o melhor disco dos The Shins, a banda evoluiu, amadureceu, evitou os sempre cómodos clichés e cria um belo disco, com várias camadas, no qual predomina um ambiente pesado e misterioso, um pouco como um dia de nevoeiro onde a qualquer momento algo de inesperado pode acontecer, aspecto em que difere bastante dos seus antecessores Oh, Inverted World e Chutes Too Narrow, trabalhos, essencialmente, optimistas e eufóricos.
O novo disco aponta para novas direcções, sem comprometer o espírito indie pop, que os caracteriza, tendo como ponto de partida o que haviam feito em trabalhos anteriores, amplificam os mesmos, a banda está mais versátil e revela canções que, de forma furtiva, se instalam permanentemente no nosso ouvido.
Com este disco, os The Shins provam que são uma verdadeira banda, ao invés de funcionarem como veículo para o seu compositor principal James Mercer, este é um dos discos pop-rock do ano, cheio de grandes canções, que nos prende a cada audição e nos compele a activar o “repeat” no leitor de mp3.

Momento Mágico: Phantom Limb


The Shins - "Wincing The Night Away" (2007) - Sub Pop

2007/02/23

Giardini Di Mirò

Anjos-Negros

Post-rock vindo de Itália é à partida uma coisa estranhíssima, aliás, nem sequer combina (isto na teoria, é claro), porque ouvindo com atenção, se há algo que esta banda de Reggio Emilia conseguiu assimilar e dominar é a construção musical tão tipica de algum do post-rock. Digo algum, porque o que eles agarraram foi à parte romântica, a parte dramática, o ser teatral que vive algures na noite sem luar e onde apenas um pequeno candelabro ilumina a fronteira entre o real e o mundo das sombras.
Giardini Di Mirò são uma dessas bandas, que nos deixam com a estranha sensação, que estamos todos presos, algemados e que a nossa liberdade está iminente, mas que apesar de prevermos a qualquer instante a chegada do justiceiro, ele tarda em chegar. Há como que uma quase liberdade, é como se sentíssemos que nos vão nascer umas asas… umas asas de arcanjo.
Musicalmente muito evoluídos (uma grande voz e um poderoso baixista), Giardini Di Mirò contam com algumas colaborações neste seu novo trabalho e se de inicio podem parecer estranhas, o resultado final é soberbo, é o caso de “Cold Perfection” onde a mão do mago da eletrônica Apparat dá a um toque de profunda imensidão ou ainda “Clairvoyance” com a excelente colaboração de Cyne.
Dividing Opinions irá mesmo dividir opiniões, haverá quem irá gostar muito e quem achar o disco uma banalidade… fica ao critério de cada um.

Momento Mágico: Broken By


Giardini Di Mirò
– “Dividing Opinions” (2007) - Homesleep

2007/02/20

Andrew Bird

O Homem-Passáro

Conta a historia, que ao tocar uma flauta (que era mágica), os ratos seguiram até ao fim da cidade o tocador, livrando assim a cidade da peste. Ora Andrew Bird, consegue com o seu aprumado assobio (que é mágico) fazer a mesma coisa comigo, sigo-o hipnotizado e segui-lo-ei até ao infinito.
Ao 7º disco de originais, o ex-Squirrel Nut Zippers prova que o anterior álbum (The Mysterious Production of Eggs) não foi obra do acaso, mas sim o resultado de uma coisa óbvia, este homem não sabe fazer álbuns maus. Para este one-man-band, a criação musical é uma coisa sábia e natural e se em muitos de nós, existe uma tendência (quase natural) de esquecer bandas/músicos após um excelente disco, neste caso particular não o devemos fazer, nem agora, nem para o que vier no futuro.
Com ajuda de almas preciosas (Dosh e Haley Bonar) Armchair Apocrypha é uma colecção incrível de canções. “Fiery Crash” tem um início intensamente calmo, com “Heretics” atinge-se um enorme bem-estar, “Armchairs” é um tema verdadeiramente belo, cheio de pequenos recantos encantados. Neste novo disco, existe uma maior aproximação ou mesmo uma continuação (como preferirem) ao anterior álbum, do que ao seu passado recente (Weather Systems). Existe um continuar a contar histórias, não há quebra, não há um romper brusco com o passado e o mais interessante disto, é que após várias “escutadelas”, esta óptima sensação continua.
Terá mais episódios, este filme?

Momento Mágico: Armchairs


Andrew Bird
– “Armchair Apocrypha” (2007) – Fat Possum

2007/02/17

2 Many DJ's (DJ Set)

COIMBRA - VIA LATINA - 2007/02/16
(esqueci a máquina em casa)

2007/02/16

Tom Waits

Filhos Bastardos

Fato escuro e chapéu preto marcam o estilo excêntrico deste verdadeiro senhor da poesia cantada. Há mais de 30 anos que escreve, compõe e canta as suas próprias criações. Dono de um género musical frequentemente indefinível, é a voz cavernosa de Thomas Alan Waits que lhe confere carisma e individualidade. Entre uma garrafa de whisky e uma fumaça, num canto mal iluminado de um pestilento bar, resulta inevitavelmente música e poesia, rock ou blues ou outra coisa qualquer.
O seu último disco, são os filhos rejeitados de uma vida inteira dedicada à música. Mais de 50 canções, das quais a maioria é inédita, retiradas do fundo de um poeirento baú, órfãs de uma merecida edição onde pudessem ter sido incluídas. Agora Waits entrega-as finalmente á adopção. Dividido em três cd’s, Brawlers, é a reunião do blues enegrecido e do rock’n roll. Bawlers contém etílicas baladas e temas em piano, enquanto que Bastards, o mais misterioso e sui generis do conjunto, reflecte o lado experimental e cinematográfico do autor.
Orphans é a história revelada, de um homem a quem um dia ousaram vaiar. Em boa e a más horas a escutamos.
Obrigado Tom.

Momento Mágico: Long Way Home


Tom Waits
– “Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards” (2006) - Anti


OUTRO PENSO por António Antunes

2007/02/12

Sunset Rubdown

Por de Sol

A forma desesperada como canta, o sentimento com que o faz, a quase loucura que incute, o doce veneno que imana dos (vários) dedos, a formula perfeita de composição, fazem destes canadianos uma banda de audição obrigatória, passar ao lado deste disco, é perder um melhores discos de 2006.
A entoação demente que Spencer Krug dá à sua voz, mas também a grande qualidade dos arranjos instrumentais dos restantes elementos da banda (Jordan Robson Cramer, Michael Doerksen e Camilla Wynne Ingr), tudo estes factores completam-se e quando isso acontece surge um disco cheio de vitalidade e conforto.
No Lo-Fi construído por Spencer Krug, habitam seres estranhos (David Byrn, David Bowie ou Win Butler), a forma como se entrega, a execução quase psiquiátrica de cada um dos temas, a loucura cinzenta e cerebral, o equilíbrio perfeito entre o mundo real e o catatonico, a procura do desespero, o gritar “estou aqui, olhem para mim.”
Provavelmente o disco, mais injustiçado (esquecido) de 2006.

Momento Mágico: The Empty Threats Of Little Lord


Sunset Rubdown
– “Shut Up I Am Dreaming” (2006) - Absolutely Kosher

2007/02/09

The Earlies

Vozes soltas

Quando nos finais de 2004 tropecei no maravilhoso primeiro álbum desta banda These Were The Earlies fiquei estupefacto, logo foi com grande entusiasmo que ouvi o novo registo The Enemy Chorus. Este novo titulo, não tem eficiência imediata do primeiro álbum, mas tem força suficiente para produzir efeitos a longo prazo, tudo depende do tempo dispendido (cada vez isto, tem mais razão de ser).
A combinação mágica das vocalizações e de toda a ambiência criada, faz dos Earlies, uma banda sofisticada, onde a combinação vozes/música surge com naturalidade e cheia de garra. The Earlies são uma jovem banda e com uma particularidade interessante, meia banda vive no Texas (Brandon Carr e J. M. Lapham) e a outra metade reside em Inglaterra (Christian Madden e Gilles Hatton), esta separação geográfica irá reflectir-se na criação da sua musica, não só pelo factor distância, mas fundamentalmente pela forma como são influenciados, no meio musical onde cada par está inserido.
Hipnótica, psicadélica, colorida, são algumas das formas com a qual podemos adjectivar esta banda, mas não se pense que estamos perante uma banda de gente estranha, a fazer musica para meia dúzia de intelectuais, o resultado final é musica é indie-rock de simples compreensão, onde cabem os Mercury Rev ou os Polyphonic Spree.

Momento Mágico: Bad Is As Bad Does


The EarliesThe Enemy Chorus(2007) – Secretly Canadian


X-Wife (Concerto)

COIMBRA - AR DE RATO - 2007/02/08





2007/02/06

Phoenix

Revolução silenciosa

Os Phoenix, banda francesa formada nos arredores de Paris, chamaram a atenção de muita gente, quando a música “Too Young” foi incluída na banda sonora do filme “Lost In Translation”, da realizadora Sofia Coppola.
Em It´s Never Been Like That, o terceiro da sua discografia, os Phoenix decidiram reformar o seu som, uma estranha fusão “rock”, “disco” e “pop”, que imperava no seu disco de estreia United e no seu sucessor Alphabetical, em detrimento de uma sonoridade assumidamente “pop/rock”.
Esse desejo de mudança fez com que os sintetizadores fossem substituídos por guitarras em despique, criando uma sonoridade que evoca bandas como os The Kooks, os Razorlight ou o até mesmo o primeiro disco dos The Strokes, sem comprometer o espírito “indie pop”, que sempre os caracterizou.
O resultado é o melhor disco das suas carreiras, um claro e decidido salto em frente, os Phoenix finalmente descobriram como criar canções vibrantes, modernas, inteligentes, descontraídas e “upbeat”, que podemos desfrutar descomplexadamente, num dia solarengo à beira mar.

Momento Mágico: Second To None

Phoenix - "It's Never Been Like That" (2006) - Astralwerks

2007/02/03

Mojave 3

Aquecer os dias frios

Puro pop, gracioso, brincalhão, fresco e de uma beleza campesina, são as notas predominantes deste quinto disco dos Mojave 3. São 12 canções cativantes, que inevitavelmente nos fazem sorrir e paradoxalmente choramingar de alegria.
A boa disposição toma-nos quando escutamos temas como “Truck-Driving Man”, “Puzzles Like You”, “Breaking The Ice”, “Running With Your Eyes Closed”, “Ghostship Waiting”, “Kill The Lights” (aliás estas duas ultimas muito semelhantes) ou “To Hold Your Tiny Toes”.
As próprias baladas, “Most Days”, “Big Star Baby”, “You'Ve Said It Before” ou “The Mutineer”, são espontâneas, aquém de qualquer ambiente mais misantropo. É um álbum que no seu conjunto, denúncia um alto astral da banda, percebendo-se que longe vão os tempos da taciturnidade dos primeiros trabalhos como “Ask me Tomorrow” ou “Escuse For Travelers”.
As guitarras pop marcam um ritmo acelerado, incitando ao bater das palmas. Mas a atenção, que o pop/rock de Neil Halstead (líder da banda) não deve ser associado ao comercial, estando antes bem próximo do indie/alternativo, não deixando no entanto de ser despretensioso.
Lançado no Verão passado, passa lindamente nos dias soalheiros de Inverno.

Momento Mágico: Breaking The Ice

Mojave 3
- "Puzzles Like You" (2006) - 4AD